Sobre Distúrbios da Mente

fevereiro 12, 2014 at 11:25 pm (aleatorias)

Cerebro-face(1)

Uma das coisas que mais me tira do sério é o descaso que existe com doenças ou transtornos mentais. Eles viraram algum tipo de piada recorrente ou são usados para descrever características que não dão verdadeiramente a dimensão do que essas doenças são.

Desculpa, mas você tem humor oscilante e não é bipolar, você pode ficar chateado ou triste com algo e não ter depressão. TDAH não é apenas ter dificuldade em prestar atenção em um texto por demais chato. E TOC não é uma qualidade de pessoas extremamente organizadas, não você provavelmente só é uma pessoa extremamente chata e fresca.

Vamos aprender o que cada uma dessas doenças é antes de sair falando por ai.

 

TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade)

 

O TDAH é um transtorno psiquiátrico que tem como características básicas a desatenção, a agitação (hiperatividade) e a impulsividade, podendo levar a dificuldades emocionais, de relacionamento, bem como a baixo desempenho escolar e outros problemas de saúde mental. Embora a criança hiperativa tenha muitas vezes uma inteligência normal ou acima da média, o estado é caracterizado por problemas de aprendizado e comportamento. Os professores e pais da criança hiperativa muitas vezes têm dificuldades para lidar com a falta de atenção, impulsividade, instabilidade emocional e hiperativa incontrolável da criança.

 

Para se diagnosticar um caso de TDAH é necessário que o indivíduo em questão apresente pelo menos seis dos sintomas de desatenção e/ou seis dos sintomas de hiperatividade; além disso, os sintomas devem manifestar-se em pelo menos dois ambientes diferentes e por um período superior a seis meses.

Com predomínio de desatenção

 

  • Caracteriza-se o predomínio da desatenção quando o indivíduo apresenta seis (ou mais) dos seguintes sintomas de desatenção persistentes por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:3
  • Frequentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho entre outras.
  • Com frequência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas.
  • Com frequência parece não escutar quando lhe dirigem a palavra.
  • Com frequência não segue instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais (não devido a comportamento de oposição ou incapacidade de compreender instruções).
  • Com frequência tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.
  • Com frequência evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa).
  • Com frequência perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por ex., brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais).
  • É facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa
  • Com frequência apresenta esquecimento em atividades diárias.

Com predomínio de hiperatividade e impulsividade

 

– Hiperatividade

  • Frequentemente agita as mãos ou os pés.
  • Frequentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentado.
  • Frequentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isto é inapropriado (em adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas de inquietação).
  • Com frequência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer.
  • Está frequentemente “a mil” ou muitas vezes age como se estivesse “a todo vapor”.
  • Frequentemente fala em demasia.

– Impulsividade

  • Freqüentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas.
  • Com frequência tem dificuldade para aguardar sua vez.
  • Frequentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por ex., intromete-se em conversas ou brincadeiras).

 

TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo)

 

TOC é um distúrbio psiquiátrico designado por um transtorno gerado por pensamentos compulsivos que geram ansiedade causando um desconforto ou sofrimento no indivíduo. Normalmente é designado como TOC a obsessão por higiene; simetria; perfeccionismo; “manias” ou “rituais”.

Frequentemente as pessoas acometidas por este transtorno escondem de amigos e familiares essas ideias e comportamentos, tanto por vergonha quanto por terem noção do absurdo das exigências auto impostas. Muitas vezes desconhecem que esses problemas fazem parte de um quadro psicológico tratável e cada vez mais responsivo a medicamentos específicos e à psicoterapia. As obsessões tendem a aumentar a ansiedade da pessoa ao passo que a execução de compulsões a reduz. Porém, se uma pessoa resiste a realização de uma compulsão ou é impedida de fazê-la surge intensa ansiedade. A pessoa pode perceber que a obsessão é irracional e reconhecê-la como um produto de sua mente, experimentando tanto a obsessão quanto a compulsão como algo fora de seu controle e desejo, o que causa muito sofrimento. Pode ser um problema incapacitante porque as obsessões podem consumir tempo (muitas horas do dia) e interferirem significativamente na rotina normal do indivíduo, no seu trabalho, em atividades sociais ou relacionamentos com amigos e familiares.

 

Transtorno Bipolar

 

O Transtorno Bipolar de Humor (TBH), antigamente conhecido como transtorno maníaco-depressivo, é caracterizado por alterações de humor que se manifestam como episódios depressivos alternando-se com episódios de mania (período de euforia, atividade cognitiva e física intensa e falta de autocontrole e bom senso).

Não se trata apenas de mudanças bruscas de humor durante o dia, mas sim alternância de fases de depressão e euforia descontrolada que podem durar dias, semanas ou mesmo meses. Frequentemente envolvem abuso de álcool e outras drogas. Podem incluir sintomas psicóticos como alucinação e delírios.

 

Existem várias variações do distúrbio bipolar:

  • TIPO I: Predomínio da fase maníaca (eufórica) com depressão mais leve (distimia).
  • TIPO II: Predomínio da fase depressiva com mania mais leve (hipomania).
  • MISTA: Quando os episódios possuem várias características tanto de mania quanto de depressão simultaneamente.
  • CICLOS RÁPIDOS: Quando os episódios variações humor duram menos de uma semana.
  • CICLOTIMIA: Os sintomas são persistentes por pelo menos dois anos, períodos em que sintomas de hipomania são leves e depressão ou distimia não são tão profundos para ser qualificados como Depressão maior.

 

Episódio Maníaco

Segundo o DSM-IV, Episódio maníaco é caracterizado por 3 ou mais dos seguintes sintomas por pelo menos uma semana:

  • Auto-estima elevada: Sentimento de grandiosidade e intenso bem estar com si mesmo;
  • Necessidade de sono diminuída: Sente-se repousado depois de apenas 3 a 5 horas de sono;
  • Verborragia: Falar excessivamente e constantemente;
  • Fuga de ideias: Experiência subjetiva de que os pensamentos estão muito acelerados, resultando em dificuldade de se expressar de forma linear e compreensível;
  • Distratibilidade: Atenção constantemente desviada para estímulos externos, resultando em muitos trabalhos incompletos;
  • Inquietude: Gerando aumento no número de atividades feitas tanto no trabalho, na escola, de atividades físicas e sociais;
  • Impulsividade: Falta de auto-controle, por exemplo comprando excessivamente, indiscrições sexuais ou investimentos mal planejados;
  • Impaciência e Irritabilidade.
  • A perturbação do humor deve ser suficientemente severa para causar prejuízo acentuado no trabalho/estudos, nas atividades sociais ou relacionamentos costumeiros com outros, ou para exigir a hospitalização, como um meio de evitar danos a si mesmo e a outros, ou existem aspectos psicóticos.
  • Caso durante o período da perturbação do humor, inclua pelo menos três dos seguintes sintomas (quatro se o humor é apenas irritável) em um grau significativo, mas durar apenas alguns dias, e essas mudanças ocorrerem há pelo menos 2 anos (1 ano para crianças e adolescentes), classifica-se como hipomania.

 

Depressão

 

A fase depressiva do bipolar é caracterizada por 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedonia:

  • Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo;
  • Anedonia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;
  • Sensação de inutilidade;
  • Culpa excessiva;
  • Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar e concentrar-se;
  • Fadiga: cansaço excessivo, falta de energia;
  • Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
  • Distúrbio psicomotor: Agitação ou lentidão cognitiva e motora;
  • Distúrbio alimentar: Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar;
  • Ideação suicida: Ideias recorrentes de morte ou suicídio.
  • Ou 3 a 4 sintomas por pelo menos dois anos consecutivos, no caso de distimia.

 

Depressão Nervosa

 

O transtorno depressivo maior é um transtorno psiquiátrico que afeta pessoas de todas as idades. Caracteriza-se pela perda de prazer nas atividades diárias (anedonia), apatia, alterações cognitivas (diminuição da capacidade de raciocinar adequadamente, de se concentrar ou/e de tomar decisões), psicomotoras (lentidão, fadiga e sensação de fraqueza), alterações do sono (mais frequentemente insônia, podendo ocorrer também hipersonolência), alterações do apetite (mais comumente perda do apetite, podendo ocorrer também aumento do apetite), redução do interesse sexual, retraimento social, ideação suicida e prejuízo funcional significativo (como faltar muito ao trabalho ou piorar o desempenho escolar).

O transtorno depressivo maior diferencia-se do humor “triste”, que afeta a maioria das pessoas regulamente, por se tratar de uma condição duradoura (a maior parte do dia, quase todos os dias, pelo menos 2 semanas), de maior intensidade ou mesmo por uma tristeza de qualidade diferente da tristeza habitual, acompanhada de vários sintomas específicos e que trazem prejuízo à vida da pessoa. A distimia é um outro tipo de transtorno depressivo caracterizado por sintomas de menor intensidade, mas com caráter bastante crônico (a maior parte do dia, quase todos os dias, pelo menos 2 anos). Ou seja, depressão não é tristeza.

 

Os sintomas depressivos podem ser divididos entre: cognitivos, fisiológicos e comportamentais.

Cognitivos

  • Humor deprimido: desânimo persistente, tristeza, baixa autoestima, sentimentos de inutilidade, vazio, culpa ou/e irritabilidade;
  • Redução da capacidade de experimentar prazer na maior parte das atividades, antes consideradas como agradáveis;
  • Diminuição da capacidade de pensar, de se concentrar, memorizar ou de tomar decisões;
  • Ideação suicida.

Fisiológicos

  • Fadiga ou sensação de perda de energia;
  • Alterações do sono (mais frequentemente insônia, podendo ocorrer também sonolência excessiva ou sono interrompido);
  • Alterações do apetite (mais comumente perda do apetite, podendo ocorrer também aumento do apetite);
  • Redução do interesse e prazer sexual;
  • Agitação motora, inquietude;
  • Alterações dos rimos circadianos (dormir fora de hora).

Evidências Comportamentais

  • Retraimento social (isolamento social);
  • Chorar mais e com mais frequência;
  • Comportamentos suicidas;
  • Retardo psicomotor e lentificação generalizada, ou agitação psicomotora;
  • Tentativa de suicídio.
  • Comportamento autodestrutivo (automutilação).

 

Os pacientes costumam aludir ao sentimento de que tudo lhes parece fútil, ou sem real importância. Acreditam que perderam, de forma irreversível, a capacidade de sentir alegria ou prazer na vida. Tudo lhes parece vazio e sem graça, o mundo é visto “sem cores”, sem matizes de alegria. Em crianças e adolescentes, sobretudo, o humor pode ser irritável, ou “rabugento”, ao invés de triste. Certos pacientes mostram-se antes “apáticos” do que tristes, referindo-se muitas vezes ao “sentimento da falta de sentimentos”. Constatam, por exemplo, já não se emocionarem com a chegada dos netos, ou com o sofrimento de um ente querido, e assim por diante.

 

Transtorno Da Ansiedade

 

Os principais sintomas do transtorno de ansiedade são a inquietação, palpitações, sudorese ou opressão no peito, sintomas gastrointestinais como náuseas, vômitos, diarreia, outros apresentam mal estar respiratório, tensão muscular. Enfim, os sintomas físicos e viscerais variam de pessoa para pessoa. Em mulheres pode causar disfunção hormonal, num ponto capaz de suspender a menstruação.

A ansiedade é uma reação normal, dita bio-adaptativa, ou seja, é uma resposta do corpo a algum tipo de estressor externo, por exemplo, diante de uma ameaça (um predador), o organismo deve reagir aumentando seu ritmo para que este possa se preparar para a fuga. O ritmo cardíaco aumenta, há contração de vasos periféricos para que se concentre sangue em áreas vitais, a respiração aumenta sua frequência. Portanto, todas estas reações são normais e preparam o indivíduo para enfrentar o estressor externo. É uma sensação difusa, desagradável de apreensão acompanhadas por várias sensações físicas.

A ansiedade se torna patológica em dois momentos:

– Quando o corpo reage excessivamente a um estímulo, ou seja, quando a ansiedade é desproporcional ao estímulo e transforma uma reação adaptativa em reação desadaptativa, ou mesmo quando ela aparece relacionada a estímulos que normalmente não gerariam ansiedade;

– Quando ocorre ansiedade na ausência de estímulo deflagrador.

  • Os transtornos de ansiedade mais comuns são:
  • Síndrome do pânico
  • Fobias
  • Fobia social
  • Agorafobia
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)
  • Transtorno de estresse pós-traumático
  • Transtorno de ansiedade generalizada

A ansiedade patológica caracteriza-se pela intensidade prolongada à situação precipitante, tornando difícil o controle dos sintomas físicos causando prejuízo na atividade social, dificultando e impossibilitando a adaptação. Ao contrário da ansiedade normal, a patológica paralisa o indivíduo, trazendo prejuízos ao seu bem estar.

Doenças mentais não são algo para se fazer brincadeira ou piada e nem mesmo devem ser usadas de forma leviana. São doenças e as pessoas que sofrem delas devem ser receber tratamento e serem respeitadas.

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