Livros 2015: Os Quadrinhos Que Eu Li e Esqueci de Escrever.

setembro 9, 2015 at 8:25 pm (livros) (, , , , , , , , , , )

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Eu estava de boas relendo Laços e Lições pra escrever aqui pro blog quando me toquei que eu Arlequina e Miss Marvel e esqueci de escrever sobre os dois aqui. Ai eu pensei em juntar tudo, fazer uma postagem linda de quadrinhos e depois tentar ser uma pessoa menos procrastinadora e os livros, quadrinhos e mangás que eu terminar de ler escrever aqui. Aviso que provavelmente continuarei enrolando, mas pelo menos uma hora eu juro que escrevo.

 

Arlequina – Uma Estranha no Ninho.

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Arlequina é um dos títulos dos Novos 52, que é o penúltimo reboot do universo DC. Sim, você leu certo, penúltimo, por que vão rebootar de novo, mas se você nunca leu nada de quadrinhos da DC, acho que os Novos 52 são uma boa pedida. Estão tentando e falhando miseravelmente colecionar a mensal da Arlequina por motivos de é amor demais e por que com o filme do Esquadrão Suicida vindo ai eu decidi que era hora de ficar familiarizada com o que tá rolando no universo dela.

Uma Estranha no Ninho não é uma revista de origem, ela já é a Arlequina mesmo, ela já se livrou do Coringa, o que acontece é que agora ela vai sair de Gotham e se mudar para Nova York numa espécie de recomeço a lá Arlequina.

Esse primeiro volume contém 188 paginas, acredito que 3 ou 4 historias. A introdução da revista é bem divertida, cheia de metalinguagem, homenagem a vários quadrinistas. As historias começam muito boas, engraçadas e de rápida leitura, mas a qualidade foi caindo e quando você chega na ultima página tudo pegou um tom nonsense que não ficou tão bom. Ainda não comprei o segundo volume, mas em breve devo fazer isso.

Miss Marvel Volume 1

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A Panini já anunciou que vai lançar a revista da Miss Marvel num encadernado próprio ainda esse ano aqui no Brasil, acontece que eu sou péssima com esse lance de esperar. Acabei lendo o primeiro volume em inglês mesmo e estou completamente apaixonada pela Kamala Khan.

Vejam que ela é uma adolescente de origem paquistanesa vivendo nos Estados Unidos, apenas por isso eu já leria um quadrinho sobre ela, afinal dilemas e questão não faltam, agora ela é uma garota nerd fã de super heróis que ganha super poderes. Se você é um pouco familiarizado com o universo Marvel percebe logo no começo que ela é uma inumana. Quando ela ganha os super poderes decide que vai ser uma heroína e usa o nome de Miss Marvel em homenagem a sua heroína favorita, Karol Danver que é atualmente a Capitã Marvel.

Ela é basicamente o Peter Parker mulher e sem o drama de perder os pais e o tio Ben. Então é uma leitura muito divertida, você se apega muito fácil a Kamala, você se reconhece muito nela também e o quão incrível é você ter a ideia de milhares de pessoas no mundo tão se identificando e se reconhecendo uma garota paquistanesa. Isso é enorme.

Laços

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Laços é o segundo título publicado pelo projeto Graphic Novels MSP, que é uma releitura dos personagens do universo Turma da Mônica feita por novos autores nacionais. Essa edição é realizada pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi numa obra linda que agrada a todos, mas especialmente os fãs da turminha e dos filmes dos anos 80.

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O roteiro traz diversas referencias a filmes dos anos 80, Laços tem um clima muito similar a de os Goonies, é uma aventura que traz uma mensagem de amizade. A sequencia inicial da revista é uma clara referencia aos filmes do John Hughes, especificamente Curtindo a Vida Adoidado. Além disso, tem um easter egg divertidíssimo que é a inclusão da turma do Bolinha em alguns pontos da historia.

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O Victor ficou responsável por fazer o desenho principal da historia, onde a turminha está entre os 6 ou 7 anos. Já a Lu ficou encarregada dos Flashbacks, onde a turma é mais baby e ainda conta uma historia do próprio Mauricio de Sousa. E eu preciso dizer que ela rouba a cena completamente, o Vitor tem já um traço muito fofo, mas a Lu é infinitamente mais fofa no traço dela, você fica completamente apaixonada desejando ler tudo que essa mulher desenhar na vida.

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Caso alguém desconheça a historia. Em Laços o Floquinho, cachorro do Cebolinha sumiu, e a turminha resolve se juntar e ir atrás do cachorro custe o que custar. Então tem mesmo essa pegada de aventura e um pouco de ação, mas o que fica é a mensagem de amizade e companheirismo, principalmente a que você vê na relação do Cebolinha com o Cascão já que os dois personagens tem muito mais destaque aqui.

Lições.

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Lições é a “continuação” de Laços, por assim dizer. Vitor e Lu Cafaggi retornam a Graphic Novel MSP com uma nova historia pra Turma da Mônica. Eles ainda trazem a mesma fofura e graça do traço que tinham na edição anterior, mas dessa vez com menos aventura. Lições é uma historia muito mais emocional e confesso, chorei um pouco lendo.

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O foco continua sendo a amizade, acho que esse é sempre o foco quando se trata da turma da Mônica, mas dessa vez houve um destaque bem maior para Mônica e para a Magali, a relação delas foi explorada. Nessa historia a turminha tenta fugir do colégio por que esqueceu de fazer a lição de casa e nisso a Mônica acaba quebrando o braço, por isso os pais das crianças, incentivados pela diretora, decidem que eles precisam passar menos tempo juntos e a Mônica será transferida de colégio.

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Eu fui uma criança que mudava constantemente de escola quando criança e mudar de escola significa perder seus amigos. É horrível, a Lu quando esteve aqui em Fortaleza compartilhou que viveu uma situação dessa, de ter a melhor amiga transferida do colégio e acho que essa foi uma grande fonte de inspiração e o que trouxe o realismo de como as duas meninas se sentem.

O clima dos anos 80 ainda se mantem, temos aqui referencias a De Volta Para o Futuro e Te Pego La Fora. Enquanto lia eu sentia muito o clima de Clube dos Cinco, as historias independentes, aquela coisa meio existencialista do filme, conversando com os autores foi revelado que foi uma coincidência, não aconteceu uma referencia intencional como havia acontecido anteriormente. Talvez seja um reflexo da infância mesmo do Vitor.

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Eu não esperava gostar mais de Lições, por que Laços foi uma experiência incrível de leitura, mas acabei preferindo muito mais essa segunda historia e acho que é uma leitura que qualquer pessoa gostando ou não de quadrinhos, gostando ou não da Turma da Mônica deveria fazer.

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Livros 2015: Americanah

setembro 7, 2015 at 5:54 pm (livros) (, , )

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Americanah é o segundo livro da Chimamanda que eu leio esse ano, meu objetivo é ler todos. Na verdade eu o comecei imediatamente depois de terminar Hibisco Roxo. Já terminei faz um bom tempo na verdade. De fato de Americanah pra cá eu já li outras quatro publicações, mas enrolo para escrever sobre elas por que é meu jeitinho.

Como eu li seguido e Hibisco é impossível não fazer comparações, devo dizer que esse é um livro de leitura muito mais fácil e leve. Acredito que se você nunca leu Chimamanda na vida, esse é um excelente livro para começar e depois você pode migrar para os outros livros dela.

Eu disse que era mais leve, até por que ser mis pesado que Hibisco Roxo é bem difícil. Hibisco foi um livro que me atingiu de forma pesada e honestamente ainda está me revirando em muitos momentos e olha que faz um tempo já que eu li. Americanah também tem alguns momentos de revirar o estomago.

O livro vai narrar a vida de Ifemelu, uma jovem mulher adulta que migrou da Nigéria para os Estados Unidos e depois de passar alguns muitos anos em solo americano decide voltar ao seu país natal. O livro funciona numa narrativa não linear, você começa a leitura sabendo que Ifem vai voltar a Nigéria e começa a narrar parte da vida dela adolescente lá, depois ela narra sua ida aos Estados Unidos e você acaba tanto tempo nesse flashback que chega a esquecer que aquele não é o tempo corrente e quando ela faz breves retornos ao tempo presente você tem uma sensação meio wibbly wobbly timey wimey.

É preciso entender alguns pontos, a situação classe media de um país como a Nigéria e o Brasil não é uma situação de classe media nos Estados Unidos. Esse choque financeiro afeta muito realidade da Ifem logo após sua imigração, além disso ela é uma imigrante e tem pouquíssimas oportunidades, tecnicamente nem trabalhar lhe é autorizado. Logo ela fica numa situação financeira extremamente precária, que é uma realidade não apenas de pessoas de país africanos que imigram pra lá, mas eu mesmo, uma brasileira conheço historias similares. Atualmente pra gente não é tão necessário, estamos em uma situação a trancos e barrancos estável, no entanto meus pais na década de 80 quando faziam faculdade tiveram amigos fazendo o mesmo que Ifem. Tem uma historia que um primo de meu pai que estava nos Estados Unidos e chegou a ter semanas onde tudo que tinha era bolacha água com sal e água pra se alimentar e nem condições de comprar algo mais.

E uma situação dessa afeta profundamente o psicológico e emocional de uma pessoa. Ifemelu fez coisas das quais não se orgulha e a gente vê como isso a afeta, se abre um dialogo sobre como essa questão de imigração abre caminho para depressão ou outros distúrbios psicológicos. Bem como, abre a discussão de como o fato de pessoas vindas de países em desenvolvimento ou de camadas sociais baixas ou ainda pessoas não brancas tendem a rejeitar esse tipo de doença.

Depressão é doença de branco, o engraçado é que poucas pessoas lembram, mas colesterol alto e diabete também costumavam ser doenças de brancos. Eu sinto que negros não tem permissão de ter doenças que não são de fácil compreensão, transtorno psicológicos são sim doenças, mas estão num campo tão subjetivo, não existe uma causa, um vírus, uma bactéria que esteja causando isso, não existe nem um exame que diga por A + B que o paciente está depressivo. Como depressão muitas vezes soa como algo inventado para justificar vida difícil ou preguiça, negro tão tem direito a ter vida difícil ou preguiça, a vida é assim e você tem que fazer algo.

Além dessa questão de imigração, existe o senso de identidade racial. Ifem não se sentia negra na Nigeria, apenas tomou conhecimento disso ao pisar em solo americano. Pode soar meio absurdo, especialmente pra você leitor branco ou com visão branca da vida, mas pra mim fez todo sentido do mundo. Todo lugar do planeta tem racismo, acontece que em países onde a maioria da população é negra ele não parece obvio já que toda população sofre, você ainda não entende né? No tempos de colégio da Ifem, a garota bonita era a mestiça, a de pele mais clara, de cabelo de cachos abertos e não crespo, é inconscientemente a pessoa com traços mais brancos entre os negros.

Eu odeio brasileiro que diz “ainda bem que aqui no Brasil não tem essa coisa de casta racial como nos Estados Unidos somos menos preconceituosos”, querido isso é mentira. Aqui no Brasil a menos que a pessoa não tenha escapatória total em ter pele bem escura e cabelo bem crespo é muito comum a pessoa não se identificar como negro. Um termo que eu tenho nojo? Moreno limite, gente que usa esse termo diz que significa que é mais escuro que ele passa ser negro. Implicitamente tá dizendo que ele ainda tem valor como branco.

O mestiço no Brasil se vê como branco e pratica racismo com o negro, no Brasil existe o disparate de gente dizer que tem mãe ou pai negro, mas não se diz negro em momento algum. Por que se dizer negro é assumir ser pessoa que sofre opressão, que é mal visto socialmente e ninguém quer dizer. A pessoa não se reconhece negro a menos que seja obrigada, mas a pessoa sofre racismo sim, apenas não reconhece que é racismo e por isso que a questão racial no Brasil ainda está tão atrasada.

Esse é choque de realidade que a Ifem sobre ao se descobrir negra num país branco. Eu sofreria algo muito similar a isso indo aos Estados Unidos, o racismo que iria sofrer seria menos velado que o que já sofro aqui.

O livro ainda vi abordar objetificação racial, Ifem arruma por um período um namorado branco e o cara é um babaca riquinho que em momento algum reconhece seus privilégios e não percebe o racismo velado que pratica constantemente. Também tem a questão de empoderamento para mulheres negras através de assumir o cabelo cacheado ou crespo, esses trechos me trouxeram gargalhadas de identificação que nenhum livro nunca trouxe antes. Fora que Ifem é uma blogueira e os trechos do Blog dela que aparecem no livro são todos incrivelmente fantásticos.

Esse é um livro que eu recomendo por demais a todos lerem, fora que eu acho que é uma excelente porta de entrada para o mundo literário da Chimamanda Ngozi Adichie.

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Livros 2015: Hibisco Roxo

julho 20, 2015 at 5:10 pm (livros) (, , )

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Eu queria ler alguma obra da Chimamanda já fazia algum tempo, já havia visto o discurso dela antes mesmo da Beyonce ter utilizado em Flawless. Acontece que como tudo na vida, fiquei protelando ir atrás de algum livro dela, até que motivada por um projeto de alguém especial fui atrás de Hibisco Roxo para ler.

Hibisco era meu livro de rua, normalmente eu escolho livros leves, quase casuais ou curtos que eu posso ler poucas páginas aqui e ali enquanto espero um ônibus ou o médico me chamar para consulta. No entanto, Hibisco não é esse tipo de livro, ele é bem intenso e carregado, foi bom eu lê-lo aos poucos assim por que durante quase metade do livro ele me causava um desconforto enorme.

A história é narrada por Kambili, uma garota adolescente nigeriana, ela possui um pai exageradamente católico e que é extremamente abusivo. É preciso entender que a Nigéria passava por um período político muito dramático na época que o livro se passa e que antes disso houve uma invasão de missionários católicos que fizeram uma imposição extremamente racista da religião no país. Essa invasão e imposição reflete muito no comportamento de Eugene, o pai de Kambili.

O que aconteceu na Nigéria é muito similar com o que aconteceu no Brasil com a vinda dos jesuítas. De apagamento das religiões indígenas ou de tronco africano e o catecismo forçado em índios e negros. Essa mesma realidade também ocorreu em diversos países africanos e é carregada de racismo.

Todo comportamento de Eugene é voltado para agradar o homem branco, pra se tornar o mais similar possível aos brancos. Ele tem um repudio de tudo que lembre as tradições e natureza negra do povo nigeriano. Isso se torna algo quase obsessivo e associado com diversos outros fatores os quais não quero me alongar aqui analisando agora geram esse comportamento abusivo dele para com a família.

Como Kambili é uma pessoa muito nova e que nasceu e cresceu nesse ambiente carregado de abuso ela não tem a capacidade de perceber o quão errado era tudo aquilo, pois para ela desde sempre aquilo era a normalidade, como tudo era desde sempre.

O ponto de virada é quando ela vai para a cidade da tia Efeoma com o irmão. A tia é uma professora universitária, com uma visão mais feminista do mundo, que cria os três filhos de uma forma completamente diferente do irmão, que tem uma vivencia bem diferente do catolicismo e de religiões. Tudo isso começa a modificar Kambili e se intensifica mais ainda quando ela conhece Padre Amadi.

O livro é extremamente rico, intenso e até mesmo doloroso, mas simultaneamente prazeroso. Para mim foi algo muito importante de se ler, pois eu vi muito da negritude sendo representada, muitos pontos bom e ruins que reconheci a mim, a minha família não apenas na concepção de pai, mãe e irmão, mas de avós, primos, tios, de historias que eu ouvia e de comportamentos. Como mulher negra é muito difícil eu me encontrar dentro de uma obra literária, obvio que mesmo nesse caso eu não tenho a mesma realidade que Kambili ou Amaka, eu sou uma mulher negra de classe media no Brasil. Porém eu consigo ver muito mais de mim e da minha realidade nelas do que eu via na maioria das protagonistas brancas de algum livro YA, especialmente pra mim como autora, afinal quero ser também uma negra que escreve sobre negros e perceber que eu não preciso adequar a minha escrita, vivência ou meus personagens para a compreensão branca. Eu queria se capaz de entregar uma copia de Hibisco Roxo para todos, especialmente os radicais religiosos, pois acredito que esse seja um livro que o mundo precisa ler.

Agora preciso falar sobre um ponto que me incomodou no livro. Esse ponto só foi percebido por mim por que sou uma mulher negra e por que venho lendo muito sobre o tema, a chamada solidão da mulher negra. Por muito tempo isso não foi debatido ou trazido à tona e só agora tem surgido pra mim, como é visto como natural a mulher negra ser solteira ou sozinha. Repense todas as vezes que você viu mulheres negras serem retratadas na mídia, é comum elas serem mães solteiras, em produções tens serem as amigas que não tem relacionamento fixo, isso vem de diversos fatores que talvez seja melhor enumera-los em uma postagem só pra isso. Pense nas amigas negras que você conhecem e quantas delas tem bons históricos de relacionamento.

No livro essa solidão está presente também, não por outro motivo, mas por que essa é a realidade que Chimamanda conhece e vive. Não estou dizendo que foi errado ela retratar isso, mas acho que devemos começar a pensar no que causa isso. Sinto que é um debate que precisamos trazer .

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Livros 2015: Marceline e As Rainhas do Grito/ Bidu – Caminhos/ Ascensão de Thanos

maio 7, 2015 at 12:44 pm (livros) (, , , )

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Eu como sempre acabei me enrolando na hora de escrever sobre os livros e HQs que li recentemente. Ainda inventei de participar de uma maratona 24 horas o que inventou ainda mais material para escrever.

Finalmente consegui criar vergonha na cara me organizar para escrever.

 

Marceline e as Rainhas do Grito

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Um maravilhoso quadrinho que eu ganhei de presente. Faz já algum tempo que eu tenho interesse no universo de A Hora da Aventura, por sinal recomendo que todos vejam a animação, tem uma qualidade de roteiro que é incrível.

Obviamente minhas personagens favoritas seriam a Marceline e a Princesa Jujuba, especialmente depois que você sabe que elas foram canonicamente namoradas. Infelizmente essa relação das duas não é tão explorado no desenho, talvez por isso eu tenha ficado tão empolgada com o anuncio dessa HQ, ela explora bem a dinâmica que as duas personagens tem entre si, além de mostrar a complexidade que é a Marceline, todas as inseguranças que ela carrega e traços distúrbios psicológicos, é algo pouco explorado para que eu possa dizer é depressão, bipolaridade ou qualquer outro, mas quem sofre de algo nesse campo consegue se identificar e bem, representatividade importa.

O quadrinho conta com uma historia principal escrita e ilustrada por Meredith Gran e colorido por Lisa Moore, pontos duplos por ser produzido por mulheres. Além de ter 7 mini historinhas entre os capítulos da historia principal feitos por diversos autores.

A Panini trouxe uma edição de encher os olhos. Capa dura, excelente qualidade de papel, acabamento como merece ser feito. Esse é um quadrinho divertidíssimo e que eu recomento para todos.

 

Bidu – Caminhos

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Eu não comecei a ler com quadrinhos, minha primeira leitura na vida foi O Pequeno Principe, mas eu li quadrinhos na mesma época. E sem duvida alguma turma da Mônica foi uma grande parte da infância. Obviamente eu ia crescendo e exigindo temas um pouco mais maduros ou com mais profundidade que as tirinhas infantis. Acredito que o projeto Graphic Novel MSP é um dos maiores acertos que se poderiam ter.

Os leitores da Turma da Mônica cresceram, ainda amamos os mesmos personagens com a mesma intensidade senão maior graças ao sentimento de saudosismo e nostalgia, mas queremos produções mais complexas do que mais um plano infalível do Cebolinha para roubar o Sansão da Mônica numa historia que se revolve em 10 páginas.

É nesse conceito que vem Bidu – Caminhos, eu adoraria ter começado minha leitura das dessa coleção com Laços, mas não rolou ainda, porém Caminhos foi uma experiência tão gratificante que eu não poderia estar mais contente. O enredo é simples, vamos acompanhar a jornada que leva Bidu a conhecer o Franjinha.

A arte obviamente é incrível, você percebe isso já da capa, bem como o tom da graphic novel. Sim, pessoas de coração frágil vão chorar lendo. Para mim o ponto alto está no fato de não ter sido usado falas, é uma historia centrada em cachorros e bem, cachorro não usa palavras e isso foi utilizado de forma bem inteligente. Na verdade boa parte das publicações da coleção tem sido feitas isentas de falas, o que tem me atraído bastante.

Se você foi uma criança nascida nos anos 80/90 com toda certeza leu algum gibi da turma da Mônica e as Graphic Novel MSP são uma ótima forma de você revisitar esse universo e até retomar o interesse quem HQ’s, um mercado que tem estado em crescimento no Brasil e que vale a pena ser conferido pelos fãs de uma boa leitura.

 

A Ascensão de Thanos

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Há algum tempo eu tinha interesse em ler sobre a origem de Thanos. Meu conhecimento do universo Marvel é muito básico ainda, eu conheço aqueles super heróis de primeiro escalão, os heróis mainstream que todo mundo conhece como X-Men, Homem Aranha e os Vingadores e meu interesse na historia de vilões veio do meio da minha adolescência para cá.

Então eu conheço muito pouco sobre o Thanos e queria compreender um pouco mais desse vilão que vem sendo apresentado no MCU e acredito que A Ascensão de Thanos é a historia perfeita para quem quer saber um pouco melhor sobre o vilão de Avengers: Infinity War.

Vi uma review sobre o quadrinho que dizia não ter gostado tanto dessa historia por ela ser meio obvia, não trazer nenhum grande plot twist. Eu, pessoalmente, não me importei com isso. Eu já sabia os rumos que a historia iria tomar, mas ela foi tão bem organizada e orquestrada que ao chegar no final e descobrir o que eu já sabia não me incomodou, por que foi tudo bem retratado, além de trazer uma analise de distúrbios psicológicos que eu acha fascinante. Além da arte de Ascensão de Thanos ser uma das mais bonitas que eu tive o prazer de ler recentemente.

 

P.S.: Li também Guia do Mochileiro das Galáxias, mas vou guardar para fazer uma review quando terminar todos os livros da coleção.

P.P.S.: Todos esses foram presentes de aniversário por que meus amigos são as melhores pessoas do mundo e seguem minha lista de desejo direitinho.

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Livros 2015 – Os Goonies

março 22, 2015 at 12:44 am (livros) (, )

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Se você foi criança nos anos 80 eles foram seus heróis no cinema, se é como eu e foi uma criança nos anos 90, eles foram seus heróis na telinha através da Sessão da Tarde. Se você é mais novo que isso, bem é hora de você conhecer os incríveis Goonies.

Eu tenho 25 quase 26 anos, então estou sofrendo um choque de gerações ao realizar que é existe uma geração que não tem a vivencia de cultura pop que eu tive. Existem pessoas que saíram da adolescência e que não fazem ideia de quem são os Goonies ou quais são os filmes do John Hughes e isso me choca um pouco. Mas voltando aos Goonies e esse livro espetacular.

Os Goonies é um filme de 1985 feito pelo Steven Spielberg que vai contar a historia de um grupo de adolescentes que moram nas docas Goon, todos estão prestes a ser despejados por que suas famílias não podem pagar a hipoteca e os ricaços da cidade querem tomar as casas para demolir e construir um campo de golfe. Então esses garotos e garotas acabam tendo uma ultima aventura ao encontrar um antigo mapa do tesouro de Willy Caolho.

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Sim, o plot é raso e um tanto absurdo, mas esse é o puro sonho de qualquer criança e adolescente. Ter uma grande aventura digna de cinema, sendo pirata ou explorador por um dia e essa simplicidade talvez seja o principal fator que atraiu tanto o publico. Aquela era uma época que todo cinema era do ponto de vista adulto e faltava uma linguagem que falasse diretamente conosco.

O aniversario de 30 anos do filme se aproximava e foi decido lançar um livro com a romantização do roteiro. Ou seja, uma pegar o roteiro do filme e transformar em um livro/novel/romance. Toda adaptação traz mudanças, seja vindo de livro para o cinema ou o caminho contrario.

No caso o livro traz muito mais detalhes que não foram presentes no filme. O livro é narrado em primeira pessoa pelo Mikey e vem com todo o pensamento que ele tinha dentro de si e que no filme às vezes não eram tão claros. Vamos descobrindo que o Mikey adora outono e Halloween, que ele cria uma conexão muito maior com o Willy que tinha sido demonstrado originalmente. A relação do Sloth e do Gordo no livro também é bem mais complexa do que foi visto no filme.

Existem dois momentos que eu queria muito ter visto no filme e só são presente no livro é quando a Andy faz o juramento Goonie e quando o grupo está boiando numa barca e temos monólogos do Dado, Steff, Bocão, Brand e Andy numa momento que faz muita referência ao Clube dos Cinco e é bem emocionante e meu momento do livro favorito.

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Eu acredito que esse livro consegue apresentar perfeitamente o que é Os Goonies e o que eles representam pra minha geração pra esse novo publico que não faz ideia. Além disso eu preciso aqui falar da Darkside, que não está me patrocinando, mas que fez um trabalho tão excelente na publicação desse livro que merece ser reconhecido. Temos a edição da foto que eu tenho, que é linda, com uma folha de extrema qualidade com um ar naturalmente amarelado, com a divisão dos capítulos em paginas negras com símbolos piratas, temos o mapa dentro do livro, foto do navio e essa capa que é linda. E tem a edição de luxo com capa dura que é um sonho e vem com o mapa pra ser enquadrado pra quem é fã de carteirinha.

Para quem é fã dos Goonies, o livro é uma obrigação. Pra quem nunca ouviu falar deles, procurem o filme tem no Netflix e leia esse livro que não irão se arrepender.

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Livros 2015: Batman Ano Um

março 15, 2015 at 7:07 pm (livros) (, , , )

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Eu sou nerd de berço, criada acreditando na Força e conhecendo os super heróis desde criancinha. Linha quadrinhos quando mais nova, mas fui entrando na adolescência e minhas leituras começaram a focar mais em livros e menos em quadrinhos, obvio que minha paixão pelo universo do HQ nunca foi embora.

Alimentava isso vendo animações, filmes, séries nesses universos. Fazia um tempo já que eu queria não apenas voltar a ler HQ, mas começar minha coleção. São tantas historias que eu quero ter que nunca sabia exatamente por onde começar, acho que se dependesse de mim teria sido pelo Universo Marvel, mas ano passado eu ganhei num amigo secreto Batman Ano Um.

Sim, eu queria muito ler essa historia que é já uma clássica. Não consigo me recordar de uma vez que Frank Miller tenha escrito algo que não tenha sido pelo menos fantástico, além disso, é o Batman. Sou marvette de carteirinha, mas não sou uma  xiita que acha que apenas as coisas da Marvel prestam, não, eu tenho total consciência de que não é assim, não mesmo. E Batman é um herói complexo, com um universo tão insanamente rico que sempre me fascinou.

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Batman Ano Um foi um quadrinho originalmente publicado em 1986, a DC estava fazendo mais um reboot dos seus heróis, era hora de atualizar as historias dos seus heróis. O problema estava que a origem de Batman já era perfeita do jeito que era, o personagem era atual, com uma historia e motivação que não precisavam de mudança. Ficou então decido que não se alteraria a origem do personagem, mas seria refinada, dada ainda mais complexidade e profundidade.

Com essa proposta Frank Miller se ofereceu para assumir o roteiro, porém não ficou carregado da arte, posto que foi assumido por David Mazzucchelli, eu confesso que não gosto da arte, não por que considere Mazzucchelli um desenhista ruim, não sou estupida, apenas o estilo que ele adota com os traços econômicos não é o que estilo que me agrada, sou uma fã de traços mais modernos.

Falando especificamente da historia. Em Batman Ano Um veremos o primeiro ano de ação de Bruce Wayne como o homem morcego, teremos também Jimmy Gordon chegando a cidade de Gotham sendo apenas um detetive e não o comissário que estamos habituados. Outros personagens importantes da mitologia de Batman que aparecem é Harvy Dent quando ainda era um promotor longe de se tornar o vilão Duas Caras e Selina Kyle e o que leva a moça a se tornar a Mulher Gato.

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A história é bem ágil, intensa e capaz de te deixar desconfortável. Temos corrupção pela cidade, Gordon não é o homem tão integro quanto gostaria. Batman ainda é imprudente e nem de longe o super-herói ultra preciso que lembramos e de longe o que mais me agradou foi termos uma Mulher Gato negra que se torna a personagem por querer proteger suas garotas contra toda aquela violência, abuso e misoginia que sofrem no lado mais pobre da cidade. E o que a tornaria uma “vilã” diferente do herói Batman é que ela vai matar e tortura e fazer cada homem daqueles sofrer e pagar na pele o que as mulheres sentem.

Batman Ano Um é um quadrinho que influenciou profundamente a historia de Batman. Foi o quadrinho base escolhido por Nolan para criar Batman Begings, para aqueles que assistem a série Gotham também é possível ver muitos traços daquele Jimmy Gordon na leitura feita pela série, mesmo que quadrinhos e série se passem em períodos diferentes, já que série se foca na época que Bruce tinha 13 anos, o Gordon é bem próximo nas duas mídias.

Para os fãs do Morcegão, Batman Ano Um é uma leitura obrigatória, para aqueles que são apaixonados por quadrinhos também. E caso alguém queira se iniciar nesse universo de leitura, acredito que essa seria uma excelente pedida.

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Livros 2015: Meu Amor, Meu Bem, Meu Querido // Orange Is The New Black

março 4, 2015 at 11:55 pm (livros) (, , )

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Finalmente terminei os dois primeiros livros de 2015, na realidade eu havia iniciado ambos em 2014. Tenho esse habito de sempre ler dois livros ao mesmo tempo, dizem que isso faz bem a mente e a memória, em todo caso sempre reservo um livro para ler em casa, seja em momentos de tédio ou antes de ir dormir, e outro para levar na bolsa para ler entre aulas ou enquanto espero algum amigo ou consulta ou algo do gênero.

 

Meu Amor, Meu Bem, Meu Querido.

de: Deb Caletti

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Esse livro eu havia ganhado de um amigo há anos atrás. Deveria lê-lo e escrever uma resenha, o problema é que na época ele se mostrou intragável. A história era lenta, arrastada parecendo não dar em lugar nenhum e de um modo geral chata. Não li mais que 40 páginas.

Ano passado decidi ler os livros que tenho e nunca li começando por ele, tomei meu tempo e finalmente terminei. Sim, o livro é chato e arrastado, o considero fracamente escrito, no entanto ao termina-lo não o considero ruim.

Ele aborda o mito de “garotas amam bad boys” através do romance de verão de Ruby McQueen. Logo no inicio ela conhece Travis, um garoto rico problema dono de uma moto, que é capaz de influencia-la da pior forma. Normalmente os livros romantizam esse tipo de relação, de alguma forma o amor dela vai ser capaz de reabilita-lo e torna-lo um homem melhor, eu odeio profundamente isso. No entanto o livro seguiu um caminho totalmente contrario, a Ruby teve consciência de que aquele garoto era problema e lhe fazia mal e tentou de todas as formas se manter longe dele, teve ajuda da mãe das Rainhas da Caçarola e na reta final as personagens, em sua maioria, discutem todo esse fascínio que garotas tem por bad boys e é dito que ainda hoje para mulheres não é dada a chance de se aventurar, elas ainda são educadas socialmente para se apaixonar e se aventurar é algo deixado aos garotos, no final das contas Ruby nunca se apaixonou pelo Travis, mas por sua moto, pela aventura que ele representava e que não lhe era permitido socialmente por ser mulher.

Isso torna o livro importante, eu apenas queria que a leitura dele fosse mais agradável, por que acho que milhares de garotas precisam ler sobre isso e entender que amar bad boys não é algo bom e que talvez elas só devessem se permitir se aventurar mais, serem mais sujeito em vez de a mocinha do lado do aventureiro.

 

Orange Is The New Black

De: Piper Kerman

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Esse livro eu ganhei num dos encontros do Café com Séries e reservei ele para ler na rua. Eu gosto de livros leves e casuais, aqueles que eu posso ler 5, 10 páginas ou até um capitulo de cada vez e passar semanas sem pegar que não vou sentir confusa tendo que lembrar mil coisas ou sem ficar com aquela ansiedade de saber o que vem depois. E esse livro é perfeito para isso.

Esse é o livro que deu origem a série do Netflix, no entanto não vá esperando que ele seja igual ao que se vê na série, as duas obras não poderiam ser mais diferentes. A série foca muito naquelas milhares de mulheres encarceradas e nas suas historias, o livro é sobre a Piper, sobre a vida que ela teve na cadeia, sobre as relações que ela construiu dentro da prisão e com as pessoas de fora enquanto presa.

Eu adorei o livro, ele é leve e você consegue ter uma dimensão de como é a vida de presa, o ponto alto mesmo é perceber as relações entre as presas, o quanto elas são importantes uma para outras e sem aquele senso de comunidade talvez fosse impossível sair sã daquela situação. O livro explora um lado que é pouquíssimo explorado na série, porém a série é mais completa e complexa, mas nem por isso o livro é ruim, eu até recomendo a leitura para todos fãs e não fãs de Orange Is The New Black.

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Livros Pra 2015

janeiro 3, 2015 at 9:36 pm (livros) (, )

livros

Todo ano eu tento achar uma nova forma de voltar a ler mais. Houve um ano da minha vida que eu cheguei a ler dois livros num dia. Por mais que eu não queira chegar nesse fluxo de leitura novamente, afinal existem outras atividades que eu preciso fazer alem de ler, eu quero voltar a ler mais. Então o plano esse ano é fazer reviews dos livros que eu ler e por isso criei a nova tag aqui no blog, tag super original e inimaginável, Livros.

Me conheço o suficiente para saber que não vou ler todos os livros dessa lista e possivelmente lerei muito do que não está nessa lista, mas ao menos o é um plano para começar.

Admirável Mundo Novo – Aldous Hurxley
Alice – Lewis Carroll
Meu Amor, Meu bem, Meu querido – Deb Caletti
O Livro do Amanhã – Tamara Goodwin
Morte Subita – J.K. Rowling
Os Magos – Lev Grossman
Insaciável – Meg Cabot
Garoto Encontra Garoto – David Levithan
Will e Will – John Green e David Levithan
O Sangue do Olimpo – Rick Riordan
A Lista Negra – Jennifer Brown
Se Eu Ficar – Gayle Forman
Maze Runner – James Dashner
Probabilidade Estatistica do Amor a Primeira Vista – Jennifer E. Smith
Não olhe Para Trás – Jennifer L. Armentrout
Louco Aos Poucos – Libby Bray
A Playlist da Minha Vida – Leila Sales
Ask The Pssengers – A.S. King
Empress of the World – Sara Ryan

P.S.: Os livros que tem link são os que eu ainda não possuo e se vocês quiserem me presentear fiquem a vontade, adoro receber livro de presente.

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