Sobre O Que Não Quero Falar

janeiro 2, 2016 at 5:46 pm (aleatorias)

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“There is no despair so absolute as that which comes from the first moments of our first great sorrow when we have not yet known what it is to have suffered and healed, to have despaired and recovered hope.” George Eliot

 

A citação que inicia o texto se tornou conhecida minha durante a adolescência. Escutei num episódio de One Tree Hill, uma das séries que moldou minha personalidade durante alguns anos. Na época eu tinha meu primeiro contato com a depressão. Na época não havia consciência de que era de fato depressão, tão pouco que minha depressão na verdade fazia  parte de um ciclo de bipolaridade.

Em todo caso, eu sabia que aos 17 anos aquela citação fazia sentido. Naquela época eu sentida um desespero profundo que simplesmente me deixava desesperançosa de tudo. No entanto a ideia de que aquilo era apenas o meu primeiro sofrimento verdadeiro e que a desesperança que sentia na mais era do que fruto da minha falta de vivencia. Eu ainda não sabia me curar. E por mais que tenha levado alguns anos, eu consegui recuperar essa esperança perdida. Eu voltava gradativamente a me sentir eu mesma de novo.

Alguns dias eram ruins e por vezes esses dias ruins duravam semanas e até meses, mas eu acabava retornando a citação, eu já havia superado meu maior sofrimento, o primeiro e sabia que era capaz de me reencontrar de novo no caminho.

Mas esse não é um texto esperançoso, motivacional para você ler e ganhar forças para passar por esse dia/semana/período difícil que está lidando. Sinto desaponta-lo, caro leitor, mas esse texto não é sobre você. Em geral quando escrevo sobre minhas experiências faço para aqueles que me leem. Quero dar uma pontada de esperança, sei lá fazer com que alguém que se sinta como eu tenha a sensação de não estar sozinho e ganhe alguma forma de força para continuar.

Esse texto eu estou escrevendo para mim, é meu desabafo. Não estou pedindo atenção, não quero receber palavras reconfortantes ou mesmo soluções para o que estou sentindo ou passando. Eu quero apenas colocar para fora como estou me sentindo.

Já faz tempo que não me sinto bem novamente. Estou tendo uma crise e ela é difícil de lidar, minha ansiedade está nas nuvens e eu mal consigo lidar com a existência de outras pessoas no planeta, sair de casa é um sacrifício que eu não consigo por em palavras para vocês. A maior parte do tempo a energia que eu tenho é suficiente para me fazer ficar deitada na cama de olhos abertos olhando para o teto e só isso é capaz de me deixar exausta por dias.

Essa não é a pior dor que já senti, honestamente não é. Entre os 17 e 19 anos a sensação era muito mais aterradora, além disso, hoje eu sei que eventualmente eu irei me sentir melhor. Isso me traz alguma esperança ou bem estar como no passado? De forma alguma.

Na verdade, causa a reação oposta. A ideia de que irei melhorar só me faz pensar em como tudo é insignificante. Eu esforço, tento isso e a aquilo, me foco no pensamento positivo, garanto permanecer produtiva e tudo para em algum ponto incerto eu me sentir melhor e até chego lá, mas inevitavelmente num futuro irei voltar a esse estado de tristeza que me deixa semi inválida, me deixa questionando se vale ou não a pena viver.

George Eliot atualmente me parece errado, a primeira dor não é a pior, talvez seja a segunda, a terceira ou qualquer número diferente. A pior dor é aquela que vem depois de você já ter se recuperando tantas vezes e ainda assim continuar se ferindo que você começa a se questionar se realmente vale a pena continuar.

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