Pretty Little Liars Farewell

janeiro 11, 2017 at 7:05 am (aleatorias)

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One last time

Teach ‘em how to say goodbye

 

São mais de 3 da manhã eu não consegui dormir, o que é uma grata mudança considerando que tenho dormido em torno de 15 horas por dia. Eu me sinto miserável, acho que todos me odeio e bem eles têm motivo para isso afinal não sou nada além de um amontoado de células que é um desperdício de espaço.

Caso não tenha percebido, estou deprimida e me odiando no momento. O que não é exatamente uma novidade na minha vida. Eu só não sei dizer se isso se dá por uma nova crise bipolar, se a culpa é do meu recente diagnosticado hipotireoidismo, se é a minha completa e desastrosa situação financeira ou se é o fato de ser janeiro e significar aniversario de morte da mãe vindo ao longe. Tudo que eu sei é que eu acordo sem querer existir, mal tenho me alimentado, tomado banho ou saído do meu quarto.

A única coisa que pareço conseguir fazer é maratonar Pretty Little Liars. A série foi lançada em 2010 e a internação e falecimento da minha mãe se deu exatamente entre os episódios 14 e 15 da primeira temporada. Então a série foi uma dessas obsessões que me acompanhou durante o período de luto. Pra ajudar na época eu estava começando a compreender minha própria sexualidade e uma das protagonistas tem um acordo sobre isso.

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Ajudou muito que a não hetero do grupo também não fosse branca, também fosse filha de militar, também tivesse uma mãe controladora e super protetora. Vocês entenderam né? O nível de identificação é tanto que meu irmão chegou a perguntar se eu não estava sendo stalkeada pela criadora da série.

Eu sei que PLL é um péssimo show, o roteiro é esburacado e algumas vezes sem sentido. As atuações são entre ruins e canastronas, apesar de que aqui e ali temos bons atores. Eu não ligo, eu gosto de séries cretinas e calhordas e honestamente? Em sete anos eu não poderia me importar menos com as respostas aos mistérios que a série criou. Se nunca tivessem revelado quem é –A eu estava em paz de espirito. Sei lá, eu acreditava que era uma entidade sobrenatural e ia preenchendo os buracos da historia na minha mente.

O que eu gosto e o que me fez voltar todos esses anos sempre foi a relação entre as protagonistas. Não importa quanto tempo faça ou o quão absurdo seja o que está acontecendo, elas estão ali, juntas. E especialmente quando eu tô nesse lugar autodepreciativo, a ideia de uma amizade tão incondicional e compreensiva quanto a delas é reconfortantes. Entre psicopatas, mensagens anônimas e chantagens cinco meninas conseguiram achar formas de confiar tão abertamente umas nas outras a ponto de colocar suas vidas em jogo. Pode haver uma esperança pra mim.

Agora a série vai acabar. Em abril, mês do meu aniversário, começam a sair os últimos 10 episódios. Eu já chorei no ultimo dia de filmagem, chorei no texto de despedida do noivo (agora marido) da Troian, chorei nos vídeos das tatuagens que as protagonistas fizeram. Na verdade, tentei escrever esse texto aqui 4 vezes e não conseguia por que começava a chorar.

PLL é meu cobertor de segurança, eu já reassisti essa série toda umas 4 vezes. Eu sei cenas decoradas, eu sei todas as conexões de acontecimentos tão bem quanto saberia se eu mesma tive escrito a série. Sempre que eu estou me sentindo isolada, sozinha ou simplesmente preciso me sentir em casa eu volto pra essa série. Esse show é errado, ruim, mal feito e completamente problemático, porém cheio de boa intenção. Tipo eu.

O que eu vou fazer quando não tiver episódios novos? Pra onde eu vou voltar?

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Sobre Resignar

janeiro 4, 2017 at 2:54 pm (aleatorias)

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Janeiro é sempre um mês bitter pra mim, aniversario de morte da minha mãe no final do mês e eu acabo revivendo todo caos que foi o percurso do mês até sua morte. Então é muito comum eu virar a hot mess. Esse ano eu tenho ainda mais motivos para isso.

Em quase 10 anos eu não tomava tanta medicação quando tomei esses dias. Lítio para bipolaridade, medicação pro hipotireoidismo, remédio para dor de cabeça, refluxo, AAS por que minhas mãos estão inchando devido a minha doença no sangue.

Mês passado, com um mês pro aniversário de morte da mãe, minha ginecologista encontrou uma mancha no colo do meu útero e lá vai investigar, depois foi confirmado que estou com hipotireoidismo e não sei o motivo, podendo ser o lítio e lá vai ter que trocar medicação. Não fiz e nem mesmo marquei os exames necessários durante as festas de fim de ano, eu não iria aguentar.

Em 2015 tive o período mais difícil durante as festividades, a ponto de no dia 26 de dezembro eu preparar uma forca e esboçar minha carta suicida. Eu não queria me colocar numa posição que me levasse de volta a isso, então me dei 15 dias de férias, eu não iria pensar sobre isso e encarar a possível realidade.

Desde meus 15 anos eu não esperava passar dos 30, quando você é suicida e vive mais em hospitais que em casa, esse pensamento faz todo sentido. A cada dia eu estou mais e mais próxima do meu prazo de validade e é um pensamento sufocante. Hoje em dia meu quadro psicológico e emocional está muito mais sobre controle que quando tinha 15 anos, então eu ocasionalmente penso e faço planos para pós 30 anos, mas quando algo como tudo que contei aqui acontece é muito fácil minha mente voltar ao ponto de minha morte antes dos 30 é uma certeza.

Resignar significa aceitar sem revolta. Não adianta quebrar meu quarto, jogar cadeira pela janela, chorar (não que eu tenha parado), esmurrar parede isso não vai mudar o diagnostico sobre o meu útero. Eu só posso aceitar o que quer que esteja no meu caminho.

E apesar de admirar minha mãe em muitos aspectos da vida dela, eu não quero terminar como ela. Definhando sem nem ao menos tentar tratamento por medo de fazer alguns exames.

P.S.: Desde então eu tenho tido uma vontade de reassistir Chasing Life.

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