Quantas pessoas podem olhar para traz e dizer “Esse foi o momento que mudou tudo.”?

novembro 29, 2013 at 3:55 pm (Uncategorized)

hp

 

10 anos atrás eu tinha 14 anos, eu era uma adolescente que achava que sabia todas as respostas do mundo, que achava que sabia exatamente o que queria da vida e que tinha tudo planejado. Há 10 anos eu não fazia ideia do quanto estava reescrevendo a minha própria historia.

Eu era só uma adolescente muito fã de Harry Potter e por uma sucessão de escolhas aleatórias do destino estava organizando o lançamento do quinto livro, Harry Potter e a Ordem da Fenix, com alguns amigos na livraria Saraiva. Éramos cinco adolescentes que achavam que sabiam o que estavam fazendo e meio que sabíamos sem saber.

Era 29 de Novembro de 2003, um dia que eu nunca vou esquecer. Quando se é mais novo e finalmente se encontra outras pessoas tão passionais por algo quanto você o único pensamento que se tem é “nós vamos ser amigos para sempre”. E na maioria dos casos isso é mentira, eu não sei nem dizer quantas pessoas da minha infância e adolescência eu perdi contato. Não apenas perdi contato, pessoas que eu quero esquecer que conheci, isso é parte da vida. Nem toda as amizades duram para sempre.

Mas a verdade é que algumas duram. Algumas pessoas causam um impacto tão grande na nossa vida que não importa se faz 5 anos que não nos vemos, se deixamos de nos falar por motivos aleatórios que apareceram em nossas vidas. A verdade é que eu ainda lembro das pessoas que eu conheci naquele 29 de Novembro e essas memorias me fazem rir, aquelas pessoas me ajudaram a construir a garota que eu sou hoje, aos 24 anos e que não sabe resposta nenhuma.

Por que naquele dia eu não fazia ideia de que realmente teriam pessoas que seriam minhas amigas dez anos depois, que seriam minha família dez anos depois.

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Sobre everthing

julho 16, 2011 at 11:36 pm (Uncategorized)

Tenho estado confusa e perdida mais do que o normal. Reconheço que minha natureza é uma sucessividade de indefinições. E é bonito quando se diz ou escreve isso, mas é particularmente complicado o sê-lo.

Acho que de algum modo me escondia de mim mesma na imagem de minha mãe. Parando para pensar com calma talvez eu a usasse como desculpa. A suposta ideia de não querer decepciona-la e tentar ser a filha perfeita com quem ela sempre sonhou.

O que é bem contraditório, afinal, eu amo a imperfeição de tudo. Sou bem apegada aos meus defeitos. Retornando a ideia anterior. Eu não me percebia, eu não explorava aquilo que eu poderia ser ou querer.

Faço publicidade e propaganda agora. E amo fazer esse curso. Amo a ideia de trabalhar com fotografia. Amo a ideia de vir a trabalhar com TV ou cinema. E de fato sempre amei isso, mas eu guardei essas ideias por tanto tempo em um baú no fundo da memória tentando buscar alternativas socialmente aceitáveis.

Tenho ouvindo muito mais música ultimamente. Das mais diversas. Janis Joplin, The Doors, The Beatles, Legião Urbana, Maria Gadú, The Glee Cast, David Bowie, Kid Abelha, Engenheiros do Hawaii, Muse, Demi Lovato e outro zilhão de artistas que de algum modo considero geniais e que falam por mim.

Tenho lido muito também. Tenho lido bastante Fernando Pessoa e todos os heterônimos, tenho lido diversos livros comprados e guardados aqui em minhas estantes. Tenho visto muitos filmes, muitos filmes. Alguns tocantes. Muitos filmes novos que me emocionam e me fazem pensar e muitos filmes antigos que eu sempre amei e sempre irei rever.

Como se espera de mim tenho visto bastantes séries, algumas que nunca vi tanto antigas quanto novas produções. E tenho me apegado a uma ou outra, a um personagem ou outro, uma fala solta. Tenho revisto muitos episódios, aqueles que eu sei as falas decoradas, que tenho uma ideia da sensação que vão me deixar e de como vão me fazer pensar a cerca de mim mesma.

Tenho tentado me encontrar dentro de meus gostos. Tentando perceber tudo aquilo que eu um dia deixei passar sem perceber.

Disse que tenho ouvido muito Legião Urbana, Renato sempre pareceu falar diretamente comigo.

“Quero me encontrar Mas não sei onde estou”.

Tenho gostado de uma infinidade de citações, em musicas, em livros, em blog alheio.

Relendo meu velho livro de literatura do ensino médio, achei um poeta modernista português que me encantou em seu poema. O poema é grande, mas recomendo que todos o leiam. Dispersão, de Massaud Moisés. Um trecho do poema:

 

Perdi-me dentro de mim

Por que eu era labirinto

E hoje, quando me sinto,

É com saudade de mim.

 

Como disse, tenho me sentido mais perdida de que o habitual. Talvez esse seja um preço a ser pago quando se é finalmente sincera consigo mesma.

Confesso que toda essa coisa de ser sincera comigo me assusta um pouco. Não pelas coisas que tem acontecido, meu medo é que me reduzam a algo a qual eu não estou reduzida.

Não quero ser definida por quem beijo ou deixo de beijar. Para onde saiu e com quem saiu. O que ouço, leio, vejo ou visto. Não quero ser delimitada, definida, rotulada, explicada.

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Capitulo VII, Explicações

janeiro 31, 2010 at 9:58 pm (Uncategorized)

Morena andara pensando tanto em Lucas que havia esquecido como tudo era bom com Marcus. Estar com ele era algo natural demais, eles sabiam o que falar e como agir um com o outro. Aquela tarde realmente era do que ela precisava. Quando a noite chegou já se sentia muito mais calma do que conseguia lembrar.

Era quase 23 horas quando Marcus se despediu. Morena ligou o som, deitada na cama ela aproveitou o ritmo das guitarras. Achou que nunca seria capaz de ouvir aquele som outra vez.

Batida nas janelas.

Marcus não poderia ter voltado. Ele realmente estava cansado e teria que acorda cedo amanhã.

Batidas nas janelas.

Se eu fingir que dormi, ele volta pra casa. Melhor para ele é dormi um pouco.

– Eu acho que pedi para você sempre deixar as janelas abertas.

Aquela voz não pertencia a Marcus. Também não poderia ser mais melodiosa, agora que a escutava tinha noção de como as lembranças eram ingratas com aquele som.

– Achei que tivesse me esquecido.

– Nem mesmo se eu quisesse eu seria capaz de lhe esquecer.

– Posso entrar?

Mesmo estando contrariada com o desaparecimento de Lucas nos últimos dias, havia algo naquele rapaz que Morena não conseguia resistir. Havia algo nele que impossibilitava a garota de dizer não. Então, lá estava Morena abrindo a janela para que Lucas entrasse em seu quarto.

Ele não poderia ser mais impressionante. Saindo da janela ele estava exatamente a 10 centímetros do rosto de Morena, as alturas em uma perfeita combinação. Ele inclinou a cabeça suavemente encarando os olhos dela. Chegava a assustar o modo como aqueles olhos castanhos eram penetrantes, parecia que ele estava dentro da mente de Morena, na verdade ela teve a sensação de que ele havia ido muito além da mente dela. E como se ele soubesse o que ela pensava e quisesse provar que estava certa ele lhe lançou o sorriso mais cativante que ela já vira.

– Você está fazendo de novo. Me fazendo perder o raciocínio.

– Desculpe, vou me recompor. – Lucas se afastou de Morena, sem olha-la – Devo confessar que parte disso é culpa sua. Você me deixa a vontade demais com o que sou.

– A vontade com o que é?

– Esqueça o que eu disse… Oasis? Você não escuta esse disco há uns 3 anos quase.

– Estava mais do que no tempo de voltar a escutar, não acha?

– O que causou essa mudança repentina…

– Você na verdade… Espera ai, como você sabia que eu não escutava esse disco a tanto tempo.

Mais uma vez Marcus falara mais do que deveria. Era difícil controlar a linguá quando não havia nenhuma força superior o restringindo de falar algo que o colocaria em situação complicada. Ainda mais quando encarava o rosto angelical de Morena. Se a garota soubesse conseguiria obter qualquer resposta dele. Talvez tivesse chegado o momento de informa o possível a Morena.

– Por favor não se assuste com o que vou falar. Mas eu sei muito mais sobre você do que imagina.

– Como assim? – Pedir para que Morena não se assustasse só a deixava ainda mais receosa.

– Aquela vez que conversamos quando tinha 15 anos não foi a primeira vez que eu lhe vi. Eu a observo tem muito tempo na verdade.

– Você é algum tipo de perseguidor ou coisa assim.

– De certo modo sim, mas não sou do tipo louco e assustador. Eu a observo há muito tempo e sei de coisas que mais ninguém sabe a seu respeito. Há 3 anos eu tive a imprudência de me aproximar de você e eu perdi o controle dos meus atos e lhe beijei. Isso não poderia acontecer de forma alguma. Foi errado, mas não me arrependo de tê-lo feito.

– Se foi tão errado por que você voltou?

– Por que eu descobri que não não conseguia mais existir sem ter você. Então resolvi lutar contra o destino e ficar com você o tempo que fosse possível. Era um risco aceitável, eu tinha que conhecê-la.

Lucas caminhou pelo quarto sem olhar Morena por nenhum instante. Parado na estante de livros dela, ele tentava organizar as ideias. Esperando uma reação, qualquer que fosse dela. Sabia que aquilo era muita coisa para ser assimilado de uma única vez, porém o tempo deles parecia se esgotar mais rápido do que ele esperava.

– Então você está quebrando as regras para ficar comigo.

– Basicamente sim.

– Você por algum acaso é uma espécie da vampiro vegetariano?

– Não! – Olhando os quatro livros pretos na estante, ele riu. – Acho que você anda lendo ficção demais. A propósito eu não brilho no sol.

– Por que teve que sumir? Por algum a caso foi obrigado a fazer uma viagem de emergência para o Alasca?

– Não,por mais que eu não brilhe no sol. Eu tenho condições especiais, então não posso ficar lhe fazendo visitas sempre. Eu vou tentar fazê-las mais frequentes agora. Mas algumas vezes eu terei que passar um período longe. E acredite isso vai ser muito mais doloroso para mim do que para você.

– Condições especiais? Você sobre de alguma doença mortal grave?

– Não. Eu não posso lhe explicar agora, é complicado. Assim que for possível eu lhe darei todas as respostas.

Morena caminhou até a cama. Aquele parecia ser o garoto mais complicado e misterioso que ela já encontrara. Mas ela podia ver nos olhos dele uma sinceridade genuína, realmente ele não tinha opções. Tinha que manter aquele segredo e se era assim, até ela descobrir tudo que ele escondia, ela também guardaria aquele segredo.

Lucas sentou ao lado de Morena, puxou a e fez ela recostar a cabeça em seu ombro. Ele não precisava dizer nada. Nenhum deles precisava. Ali parecia haver um entendimento que ia além da compreensão humana. Morena se sentiu protegida de uma forma que nunca achou que fosse possível sentir.

– Impressionante como você não se assusta comigo e com as coisas que eu disse.

– Mesmo que eu quisesse me assustar. Eu não consigo. Há algo em você que me acalma, que me dá a sensação de segurança.Se o mundo acabasse não haveria outro lugar que eu gostaria de estar além dos seus braços.

Lucas assentiu. Como era difícil estar com Morena quando só ele sabia o que o futuro dela e agora dele também reservava. Quando fosse o tempo, ele explicaria tudo. O modo como ele aceitara a própria escolha e que não se importava com a decisão que Morena teria que fazer agora. Lutar contra o destino não era algo agradável ele sabia. Respirando fundo e mantendo a convicção de que era aquilo que ele deseja, beijou a testa de Morena.

– Você é sempre cheia de perguntas. Não há nada que queira saber sobre mim?

– Você vai responder o que eu quiser?

– Sim, dentro do permitido. Há coisas que não posso revelar.

– Esta bem. Cor favorita?

– Mel, a cor dos seus olhos a luz do sol. Você não faz ideia de como são lindos.

– Música?

– Meu gosto musical é muito muito variado. Mas eu diria que minha música favorita é Maybe I’m Amazed do Paul McCartney.

– Essa música é linda mesmo. Adoro o cover que a Jem faz dessa música. Livro favorito?

– Acho que não consigo escolher um único livro. Shakespeare escrevia textos ótimos, mas era um cara muito louco, muito exagerado. Victor Hugo apesar do que se pode pensar era realmente uma boa companhia.

– Engraçado, você fala de escritores como se tivesse os conhecido. – Morena pode ver a expressão de Lucas retendo informações. – Certo, isso é mais um dos seus segredos. Por hora eu não vou perguntar por eles. Porém vai ter que prometer me contar tudo um dia.

– Eu prometo. Você parece cansada…

– Hoje o dia foi longo.

– Quer que eu vá embora para você descansar?

– Não… fique mais um pouco.

– Façamos assim. Eu fico aqui até você dormi e amanhã eu volto e conversamos mais um pouco.

– Você volta mesmo?

– Volto. Sem dúvida alguma.

– Então acordo feito.

– O que você faz para dormi?

– Eu leio um livro e escuto música.

– escolha o disco e o livro… Hoje eu lerei para você.

Morena fechou os olhos tentando escolher com precisão o que escutaria Lucas ler. Levantou-se da cama, foi até mesa ao lado do som. Escolheu Underage Thinking do Teddy Geiger, colocou For you I will para tocar. Foi a estante de livros e pegou uma copilação dos poemas de Florbela espanca.

– Aqui, pode escolher qualquer poema para ler.

Lucas observou o pequeno livro de capa de couro. Aproximou o nariz da borda e inspirou fundo, o cheiro do tempo naquele livro não poderia ser mais impressionante.

– Foi da sua mãe não é?

– Foi, ganhei do papai quando completei 15 anos. Era o favorito da mãe por alguma razão que ele não quis me dizer. – Lucas ficou calado, mas ele sabia exatamente qual era a historia por tras daquele livro.

– Deite-se, vou começar a ler.

Morena se deitou, Lucas a beijou na testa mais uma vez antes de sentar ao pé da cama e começar a recitar:

“Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és se quer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio do Fim!…”

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Hello world!

janeiro 20, 2010 at 12:03 am (Uncategorized)

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