Sobre Marchar com Orgulho.

junho 15, 2015 at 3:16 am (aleatorias) (, , , , , )

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“I was afraid of this parade because I wanted so badly to be party of it. So Today, I’m marching for that part of me that was once too afraid to march. And for all the people who can’t march, the people living lives like I did.  Today, I march to remember that I’m not just a me. I’m also a we. And we march with pride.”

Eu passei o fim de semana vendo Orange Is The New Black e Sense8 por que eu sou bem esse tipo de pessoa. E como sou uma pessoa bem ego maníaca que é capaz de transformar quase tudo sobre si mesma eu fiquei pensando sobre mim e o longo caminho que eu tive até minha descoberta e auto aceitação.

Logo quando eu me assumi repetia que não tinha vivido no armário, bem isso é uma mentira deslavada que eu tentava me convencer, eu até acreditei nela na época. Talvez eu tenha amadurecido de lá pra cá, talvez seja o efeito da terapia ou um combinado da terapia me fazendo amadurecer, who knows.

Eu sempre gostei de meninas, sempre. Eu fico revisitando minhas memórias de infância e notando quão queer eu era. Acontece que infelizmente não é comum alguém virar pra uma garotinha e falar é normal gostar de meninas tá. E a zuera começa quando você se vê gostando de meninos, eu devia ter uns 10 anos quando me interessei por um garoto conscientemente, acho que por garota foi aos 12 anos. E se já é confuso entender sentimentos por um dos gêneros, imagina entender quando você sente por dois?

Por garotas eu passei muito tempo dizendo a mim mesma que eu só queria ser amiga delas, mas a verdade é que eu estava completamente encantada, da mesma forma que ficava com garotos.

Eu ia crescendo e esses sentimentos cresciam comigo e honestamente, chegou um ponto que aquilo me assustou. Eu sempre carreguei essa ideia de que deveria ser a filha perfeita, que minha mãe merecia mais de mim. Gostar de garotas não estava nessa cartilha, então eu suprimi o máximo, eu deixei de viver um amor que dez anos depois eu ainda não consegui esquecer por que eu não queria viver assim. Eu tinha medo, da rejeição social, medo de não corresponder às expectativas que os outros tinham de mim, às expectativas que eu criava para mim mesma.

Eu coloquei essa cena de Sense8 por que ela representa muito que eu senti quando me assumi. Se você não sabe o que é Sense8 aqui vai uma explicação básica. É uma série do Netflix onde 8 pessoas de diferentes lugares e com diferentes historias se encontram mentalmente conectadas, Nomi é uma mulher lésbica trans que como você pode ver passou por muitos momentos complicados e ela conseguiu encontrar nesses momentos a força para ter orgulho de ser quem ela é. Lito é um ator mexicano que é gay e está no armário. Por serem mentalmente conectados, é como se eles fossem uma pessoa só, então isso é como se fosse alguém conversando consigo mesma.

Eu vi muito essa cena sendo meu eu atual conversando com meu eu de 19 ou 20 anos. Isso foi o que fez a série tocante, são esses momentos que acontecem constantemente que tornaram a série poderosa.

O titulo dessa postagem é referencia a outra cena poderosíssima da Nomi, eu meio que cai de amores e admiração pela personagem. Algumas pessoas talvez não compreendam toda a militância que existe em mim, muitas pensam que eu brigo demais, que eu me incomodo demais com tudo. Ironicamente muitas pessoas me encaram como intolerante.

Sim, eu brigo. Sim, eu reclamo. Sim, eu tenho pouca paciência pra sua piadinha racista/homofobica/misógina/bifobica/transfobica/qualquer outra forma de preconceito e opressão. Esse tipo de piada, de comentário e de comportamento é que reforça e válida o pensamento social que fizeram eu e outros milhares terem medo de ser quem são. Foram os “Não sou suas negas”, as “Mulher tem que se dar o respeito”, ‘Ser gay tudo bem, mas precisa se expor assim?’ que sustentam esses milhares de preconceitos.

Eu brigo tanto, eu me exponho tanto por que eu sei que existem pessoas que não podem ou não conseguem fazer o mesmo. Talvez eu tivesse me aceito mais fácil se quando criança existisse um desenho como Lenda de Korra onde a protagonista termina com uma garota. Ou talvez se eu visse pessoas falando abertamente de bissexualidade nas séries como aconteceu em Chasing Life. Se houvesse casais como Lena e Stef, Jude e Connor, Nomi e Amanita.

Quem sabe eu teria tido um caminho mais fácil de auto aceitação se a minha versão mais nova tivesse convivido com a minha versão atual. Eu sou assim militante pela Camila mais nova que eu fui, pelas Camilas mais novas que ainda existem e sou assim pra evitar que existam mais Camilas mais novas no futuro.

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Vamos Falar Sobre Emison

junho 1, 2015 at 12:18 am (aleatorias) (, , , )

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Eu estava muito casualmente conversando com uma amiga no twitter sobre Emison, casal formado por Emily e Alison de PLL, e estava argumentando sobre os motivos que eu tenho para shippar as duas juntas.

Eu em momento algum vou dizer que a Alison é a sweet cinnamon roll to pure for this world. Ela não é, ela é uma mean bitch girl, ela vai destruir a sua vida se você cruzar o caminho dela e eu meio que amo isso nela.

Eu reconheço que é problemático e abusivo a relação dela com a Hanna, acredito que com a Spencer também, mas eu não tô aqui discutindo isso, mas a relação dela com a Emily.

Alison é uma mentirosa compulsiva quase, ela foi criada por uma mulher levemente desequilibrada acreditando que mentir era a única forma de se conseguir o que se quer, então ela acabou baseando todas as relação dela nessas mentiras. O que acontece que é quando ela está com a Emily, ela mente, de fato mente, mas ela está mentindo a pessoa que ela gostaria de ser.

Com as outras liars ela mentia para conseguir que as meninas fossem quem ela queria, com a Emily a dinâmica é inversa. Ali mente para ser quem a Ems idealizava. Não existia uma situação de poder necessariamente ali como existia com as outras meninas.

E ai alguém pode trazer a vez que a Emily se declarou e a Alison deu um fora nela. Eu já fiz isso, eu já dei um fora numa amiga de quem eu gostava por que eu estava tão assustada com a ideia de gostar de garotas que eu entrei numa espiral profunda de negação. Acontece, é infelizmente mais comum do que se imagina. Especialmente se for uma pessoa tão controladora quanto a Ali que vive em função do status social que ela vai ter num cidadezinha de interior com Rosewood.

Houve o momento que a Alison finge a própria morte. A loira agora se encontra sozinha, fugindo sabe-se lá de quem, deixando uma vida inteira pra traz e por conta disso ela acaba revivendo todas as relações que ela deixou para traz, o que inclui a Emily. Isso faz com que a perspectiva do que é importante para ela se altere, o status social não é tão importante quando o bem estar dela e das outras meninas, quanto dar vazão aos sentimentos e historias que ela havia deixado. Prova disso é na finale da segunda temporada quando ela beija a Emily.

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Aquela conversa e aquele beijo nunca foram para consolar ou acalentar Emily, mas foi o momento em que Alison se permitiu reconhecer tudo que sentia pela amiga, aquele foi um beijo pra ela, pra compensar os beijos anteriores onde ela dizia que eram apenas pra praticar, aquele foi o primeiro beijo que ela aceitou querer aquele beijo.

Enquanto que Ali tentava se apegar ao que sentia e viveu pra passar pelos anos que ela estava fugida, Emily precisava achar caminhos de superar o que sentia e viveu com a amiga. Pra ela, a Alison estava morta e aquilo era apenas doloroso demais. Tanto que o desaparecimento inicial da Ali fez Spencer e Hanna desabrocharem se tornando as garotas no controle, você nota que Emily foi se apagando. Dá pra notar isso vendo as personalidades delas nos flashback e na primeira temporada.

Acontece que agora Emily sabe que Alison estava viva. Nas poucas, bota poucas, ocasiões onde as duas puderam discutir a relação que elas têm a Ali de alguma forma afirma o que eu tenho dito até aqui. Acontece que Emily tem a sua memoria comprometida, afinal ela tentou achar caminhos para superar o que sentia, além de constantemente ouvir todos falando mal da Alison e aquilo a faz questionar se o que ela conhecia era realmente a garota ou uma projeção que ela havia feito. E Alison nunca soube como era uma relação sem segundos interesses, ela não sabe baixar a guarda.

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Eu não acho que Emison seja uma relação perfeita, elas precisam de um longo caminho para se acertar e tudo começa com algumas horas de conversa franca e paciência. Acontece que eu acredito genuinamente no sentimento que elas tem uma pela outra e que a Alison quer ser o melhor para a Emily. E por diversas razões pessoais, eu acredito que a Emily nunca superou realmente o que sente pela amiga, acredito que ela poderia ter sido feliz com a Maya ou com a Samara e até mesmo com a Paige, mas existe algo sobre a Alison que sempre vai ficar na cabeça dela até elas tentarem.

E esses são alguns dos motivos que eu sou Emison shipper.

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