Sobre Eu, Conformismo e Otimismo.

fevereiro 27, 2013 at 3:47 am (aleatorias)

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Eu sou uma pessoa estranha, sei disso. Sou daquelas que não sabe se expressar verbalmente, falando. Eu escrevo torto e errado, mas escrevo e acho que expresso minhas ideias melhor assim, mesmo que ortográfica e gramaticalmente não saia lá um primor. Prefiro que fiquem com raiva de mim pela ausência de explicação do que me explicar e gerar um desapontamento.

Sei lidar com pessoas com raiva de mim, mas desapontar alguém é algo que me consome. Tomo como um elogio quando alguém diz “Parece que ela só enxerga a gente através da lente da câmera”. Posso tomar alguém de inspiração e escrever mil contos com ela em mente e ser incapaz de olha-la nos olhos.

Vivo erroneamente no subentendido, achando que não preciso dizer o quão perdidamente eu sou apaixonada por alguém para que a pessoa saiba. Não sou do tipo de batalha por amor, principalmente por me considerar uma confusão tão absurda que não posso tragar alguém para isso, se a pessoa quiser entrar de livre espontânea vontade talvez eu aceite.

Conheço minhas qualidades, eu acho, e tenho total certeza dos meus defeitos. Agora algo que não consigo aceitar é conformismo, essa ideia de aceitar que as coisas são como elas são. Não!

É como dizem em Wicked, algumas coisas eu não posso mudar, mas se não tentar eu nunca saberei. Eu não aceito essa historia de que para conquistarmos algo temos que parar de compartilhar planos, sonhos e desejos para que eles se realizem.

Podem me chamar de ingênua, no entanto não vou acreditar nesse mundo completamente invejoso onde todo mundo puxa tape e quer fazer mal e pisar na sua cabeça para conseguir o que bem quiser. Sou honesta, sou sincera e o que me perguntarem eu direi. E vou compartilhar meus sonhos, desejos, conquistas e ideias com meus amigos e não serei errada por isso.

Não irei deixar de me apaixonar por que tudo deu errado até agora e todas as probabilidades estão contras. Algumas vezes as pessoas gostam da gente da forma que queremos e outras vezes não, aprendemos a lidar com isso e continuamos. Existe gente demais no mundo pra eu imaginar que nada nunca vai dar certo.

Talvez eu seja bem mais otimista do que goste de assumir, gosto de manter uma pose de bad ass que otimismo não ajuda nisso.

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Sobre Do Que Ninguém Gosta De Falar.

fevereiro 23, 2013 at 2:27 pm (aleatorias, Opinião) ()

Degrassi_summer_2012

Eu tenho essa necessidade constante de começar a acompanhar novas séries. Então com os argumentos certos eu sou facilmente convencida. Lembro de ter visto o nome de Degrassi uma vez em 2010 e fiquei curiosa pela série, mas eram 10 temporadas e não achava link.

Então Sil resolveu que essa seria nossa grande maratona e eu fui na onda. Logo a série se mostrou fantástica em padrões normais, uma excelente série teen com ótimo uso de roteiro e continuidade.

Foi durante sua segunda temporada que a série mostrou ir muito além do “Boa Série Teen Padrão”. Essa é uma equipe que não tem medo de ousar, ela fala daquilo que ninguém tem coragem de falar e que é muito relevante pro seu publico. E ainda fazem isso com uma responsabilidade única.

Em Degrassi não existe um levianísmo de fazer uma storyline apenas para ser polemico, o publico alvo da série vai dos 12 aos 20 e poucos anos e a maioria dos adolescentes é sim influenciável pelos meios de comunicação. Uma historia leviana pode influenciar muito mal uma pessoa, a equipe que produz a série tem consciência disso e tem cuidado de evitar isso.

Na segunda temporada, que foi ao ar em 2002, discutiu o ódio os mulçumanos gerados após o ataque de 11 de Setembro. Falou sobre a descoberta da homossexualidade durante a adolescência e de como isso pode assustar. Na terceira foi a vez de falar sobre se assumir gay diante da sociedade e de crimes de ódio.

Drogas, alcoolismo, cutting, bipolaridade, tiroteio em escolas, bullying, transgender, abuso sexual e mortes repentinas já foram temas em Degrassi. Esses e muitos outros assuntos, mas o que me motivou a escrever esse texto foi o episódio transmitido ontem, 22 de favereiro de 2013, Bittersweet Symphony Pt. 2.

Os boatos de que um personagem cometeria suicídio surgiram junto do inicio da decima segunda temporada. Os sinais estavam lá, quem assistia a série notava o quão deprimido estava o personagem, porém ele era um dos personagens mais importantes, um dos mais queridos. Poderia até ser considerado um protagonista dessa temporada e ainda assim aconteceu.

O que mais impactou pra mim foi a frase dita no episódio anterior: “I’m tired. I just wish I could go to sleep and never wake up.”. Perdi as contas de quantas vezes disse isso. Perdi as contas de quantas vezes tive pensamentos suicidas, mas algo ou alguém sempre conseguia evitar que eu cometesse esse ato.

Glee fez o plot a seu modo o plot do suicídio adolescente, porém foi explorado de forma muito superficial. Acabou soando como algo que começou do nada e que terminou por não ter grandes consequências, afinal Karofsky saiu vivo.

Sei que não é assim, que na verdade Karofsky lidava com emoções conflitantes desde a segunda temporada e provavelmente tinha sinais de depressão, mas nada disso foi mostrado. Sem querer Glee acabou passando uma ideia de que as coisas podem se resolver se você fizer uma tentativa fracassada de suicídio.

De repente as pessoas passam a lhe aceitar ou se importa com você com confrontarem a ideia de perder você em definitivo. Não é assim, primeiro que você tem uma alta chance de conseguir de fato morrer. Além disso, quem se importa de verdade já se importa, talvez uma conversa franca, um verdadeiro pedido de ajuda já mostre isso, não é preciso chegar a medidas extremas.

Suicídio não é uma saída covarde, como eu cheguei por muitos anos a achar. É um ato desesperado de alguém completamente devastado, não é feito baseado em egoísmo. Quem chega a esse ponto acredita verdadeiramente que o mundo vai ser melhor sem ele. Não há como justificar.

Toda a equipe de Degrassi está de parabéns pelo trabalho feito, com cuidado, responsabilidade. Essa talvez seja uma das mais impactantes tramas da série e vem sendo trabalhada há muito tempo como pode ser visto nesse vídeo. (Contem Spoiler)

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Sobre Blablabla Feminista.

fevereiro 17, 2013 at 2:27 pm (aleatorias)

feminismo

Se você está lendo meu blog é bem provável que me tenha em alguma rede social, portanto sabe que sou parte de militâncias virtuais, que leio e compartilho coisas tanto do movimento LGBT e Feminista.

Também sei que muitos me acham uma chata de galochas pelo tanto que eu faço isso, porém esse é meu jeito. Eu falo em excesso sobre tudo. E me importo por demais com direitos, tanto meus quanto dos outros.

E no final das contas não é sobre isso que se trata o movimento feminista (e o LGBT)? Conquista de igualdade de direitos. Eu tô cansada de escutar discursos que reforçam a cultura do estupro. De saco cheio de gente regulando sexualidade, comportamento, conduta e vestimenta de quem quer que seja.

Eu poderia falar sobre diversos temas como a cultura do estupro onde a culpa é da vitima por ter bebido, por ter usado roupa curta, por ter saído de casa, por não ter trancado a porta ou pelo puro e simples fato de ter nascido. Poderia discutir aqui sobre a estupides das frases iniciadas com “mulher/homem de verdade”. Ainda existe o complexo piriguete/puta/vadia/vaca que é aplicado a TODAS as mulheres em algum momento da vida. Mas o que realmente me fez vir aqui escrever foi o enorme numero de textos que li pedindo o direito de ser mulherzinha.

Vejam que é tido socialmente, até mesmo para mulheres, que ser mulherzinha é algo ruim. Ser mulherzinha é ser exageradamente frágil, extremamente sentimental, possuir excessivo cuidado com a aparência física, ter traços e gestos delicados. E de alguma forma o feminismo parece ser contra isso e é nesse ponto que eu quero falar.

O feminismo não é contra ser mulherzinha, pelo contrario ele diz que não há nada de errado em ser mulherzinha. O feminismo não é essa absurda ideia de que mulher é um ser completamente autossuficiente que manda em tudo e não precisa de ninguém. O ser humano, homem e mulher, não é autossuficiente, vivemos em uma sociedade por um motivo, precisamos de outras pessoas. E a nossa luta é por igualdade e não superioridade.

Ser o mais forte o tempo todo cansa, não cansa só a mulher, o homem também fica cansado e também tem vontade de chorar e pedir colo. Todo mundo preciso disso. Quando você, mulher, está se desdobrando entre estudo e trabalho, pagar conta, arrumar casa, levar o carro na oficina você não está sendo homem de salto. Você está sendo uma pessoa, um ser humano adulto. E volto a dizer, o feminismo não tirou o direito de pedir colo é até capaz de ser o machismo barganhando: Quer ser independente, ter voz e razão. Controlar sua própria vida, pois então vai ser tratada como homem, não pode chorar, não pode fraquejar, vai ter que aguentar tudo calada e com pose de forte, você quem quis essa modernidade, para mim tudo estava bem do jeito que estava antes.

Então você que é contra o feminismo vem me perguntar sobre a questão da liberdade sexual que forçou as mulheres a “pegar sem se apegar”. Desculpa, mas eu devo ter perdido a palestra feminista que dizia pra gente pegar louca e desenfreadamente e ignorar completamente os sentimentos. A liberdade sexual não impede que o cara mande SMS ou ligue no dia seguinte, nem mesmo que a mulher espere isso, apenas que se a mulher quiser fazer sexo apenas por que está com tesão e não tiver interesse em manter relação afetiva-emocional ou mesmo contato com quem ela fez sexo, ela pode. Ela não vai ser um alien por isso, nem cometeu nenhum tipo de crime.

Entenda que o feminismo não está reprimindo os homens, se eles não conseguem lidar com mulheres que são independentes, seguras de si e que gostam de tomar a iniciativa, a culpa não é do feminismo, mas sim do machismo. E nem estou dizendo que todas as mulheres tem que ser assim, não vejo problema em um pouco de timidez e acho que todo mundo tem suas inseguranças.

Mas vai negar que feminista é contra beleza e cuidados e se arrumar? Vou! Somos contra a padronização da beleza, tanto feminina quanto masculina. Vi muita gente putinha com a propaganda da Gillete (Quero ver raspar), propaganda babaca? Sim, porém ela não é diferente de 90% das propagandas voltadas para o publico feminino.

Eu, pessoalmente, odeio pelos. Homem com barba eu não gosto nem que me beije no rosto por que minha pele é supersensível, fica vermelha, empolada e parece que estou com alergia. Fora que eu não gosto da sensação tátil de pelo. Isso é um gosto pessoal, nem por isso eu estou obrigando o mundo inteiro a se depilar. Tem quem goste de pelo e tem quem não goste.

Agora vocês que ficaram putinhos com a propaganda da Gillete e falaram que ninguém é obrigado a se depilar o que tem a dizer quando veem mulher sem ser depilada? Homem peludo pode, mulher peluda é automaticamente suja. Quero saber qual a relação automática entre não se depilar e deixar de tomar banho que fazem na cabeça das pessoas quando se trata de mulher.

Não somos contra a beleza, somos contra a padronização. Tem quem ache mulher magra bonita, tem quem ache mulher gorda bonita, tem quem goste do intermediário. Tem quem goste de mulher maquiada, tem quem goste com pouca maquiagem. E mais do que isso, mulher não é obrigada a seguir padrão nenhum, se ela não quer se maquiar não precisa, se não quer usar salto, não usa. Se não quer pintar os fios brancos, deixa eles aparecerem.

O feminismo, mais do que sobre a igualdade, é um movimento sobre a liberdade. Liberdade de ser o que se quiser, de não seguir padrões. Existem diversas formas de beleza, de vaidade e de sentimentalismo. Eu sou mulherzinha, você que tá me olhando torto e achando estranho eu dizer isso, eu sou mulherzinha sim, por que o feminismo me deu o direito de ser mulherzinha do meu jeito.

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