Capitulo VI, Wonderwall

janeiro 31, 2010 at 6:43 am (ganhos e perdas)

Morena estava impaciente. Já fazia 15 dias desde que conversara com Lucas. Ela tentava manter a confiança de que ele apareceria. Continuava a pegar o bilhete, mesmo já tendo o decorado. Aquela era a prova de que ele existia, que haviam conversado e Morena tentava força sua mente a acreditar que aquilo provava que iriam voltar a se encontrar.

Talvez fosse mais fácil esperar o retorno de Lucas se Morena conversasse com Marcus. Porém algo a impedia, tinha a sensação de estar protegendo um segredo que não lhe pertencia.

Marcus estava preocupado. Morena sempre insistia para que ele lhe fizesse visitas noturnas, no entanto agora ela inventava desculpas por cima de desculpas para que ele não aparecesse. Algo havia mudado e Morena teria de contar o que fora.

– Bom dia, Tio!

– Vai continuar me chamando de tio quando estiver casado com Morena?

– Muito provavelmente sim. – Marcus ria da falsa indignação do Sr. Henrique.

– Então, bom dia.

– Morena já acordou?

– Já ou então temos um invasor andando pelo andar de cima. Sua mãe e Carlos estão bem?

– Ótimos, estão planejando uma viagem juntos por esses dias… Deveria aparecer mais lá em casa.

– Diga que vou passar lá hoje a noite então.

– Claro, posso subir?

Antes mesmo de escutar qualquer resposta Marcus já havia se encaminhado para a escada. O barulho do chuveiro confirmava que Morena já levantara.

Dando meia volta, se encaminhou à cozinha. Se queria obter alguma resposta o melhor a fazer era amansar a garota. Café da manhã no quarto geralmente funcionava muito bem.

Morena não conseguiu demorar o suficiente no banho para tirar Lucas da cabeça. Considerava ridículo o modo como ele se entranhara em sua mente. Ela só havia se sentido uma vez assim e não acabara nada bem.

– Marcus?

– Bom dia… Servida? – Marcus apontava para o chão do quarto. Onde havia um perfeito e incrível piquenique.

– Certo, essa alma quer reza.

– O que posso fazer, é mais fácil atrair moscas com mel do que com vinagre.

– Você fala e eu como.

– Feito… O que está acontecendo Morena. E não venha com o papo de que está tudo normal como sempre. Você não deixa eu vir aqui de noite, sua mente parece que estar em outro lugar quando conversa comigo e sempre fica com aquela expressão de que tem algo a contar, mas não sabe como.

Morena se concentrou na tigela de cereais que comia. Havia esquecido o quão Marcus era sensível a ela. Tentar achar as palavras certas para contar o que ele queria saber, sem expor demais Lucas e sem deixar que Marcus ficasse com raiva parecia uma operação quase impossível. Respirando fundo, ela baixou a vasilha e olhou nos olhos dele.

O que de longe foi uma péssima ideia. Por alguma razão encara-lo fez com que Morena perdesse o fôlego e ela sabia que se continuasse a olhá-lo acabaria revelando mais do que gostaria. Baixou novamente a cabeça, tentou se concentrar no rosto perfeito de Lucas. Levantando ela se encaminhou a janela do quarto. A vista da rua era um lugar mais seguro de se olhar, Morena imaginou.

– Marcus, é complicado. Eu juro que realmente gostaria de lhe contar tudo. Detalhe por detalhe, só que simplesmente eu não consigo. Não nem que eu não consiga, eu não posso lhe contar.

– Como assim você não pode? – Marcus se levantou, estava bem atras de Morena. Ela conseguia sentir o cheiro dele. – Sou eu, seu melhor amigo. Eu sei tudo sobre você e nada que você diga que seja capaz de mudar o modo como eu me sinto com relação a você.

Marcus virou Morena para conseguir encara-la. Ele sabia que ela estava assustada e dividida em lhe contar. Passando a palma da mão por sobre o rosto dela, observando o modo como ela se deixava levar por seu carinho.

Era fácil baixar a guarda com Marcus, ele sabia exatamente o que fazer para acalma-la. Ele havia sido o único a transpor os muros que ela construirá ao longo dos anos. O único, até Lucas aparecer. Aquela visita fora capaz de virar por completo o mundo de Morena. Segurando o pulso de Marcus, a garota respirou fundo e abriu os olhos.

– Sinto muito, dessa vez eu realmente não posso lhe contar o que está acontecendo. Mas prometo que vou resolver isso o mais rápido possível.

– Você sabe que pode me contar quando quiser… Basta chamar que eu venho.

– Meu cavaleiro de armadura.

A vontade era abraçá-la e beijá-la ali mesmo, sem mais motivos. No entanto refreio o impulso e se afastou o máximo de Morena que conseguiu. Se encaminhou pro som da garota. Na estante viu os livros que ela andava lendo.

– Divina comedia? Outra vez…

– Eu acho uma linda historia de amor.

– Dante e Bia…

– Melhor que Romeu e Julieta. Dante sabia o que queria. Não foi um miraculoso caso de uma noite que terminou em dois brutais assassinatos dois dias depois.

– Você realmente consegui acabar com qualquer romantismo que há em Shakespeare.

– Não há romantismo ali. Não pra mim. É fácil dizer que a garota que ele acabou de conhecer é o amor da sua vida quando se morre no dia seguinte e não precisa enfrentar nenhum problema que esse amor causa.

– Amor não é amor que se altere quando encontra alteração. Mas ele surge mesmo a beira da morte. O próprio Shakespeare disse isso.

– Ainda prefiro Dante e Bia.

– Por que?

– Ele desceu aos infernos e conquistou o paraíso com a única intenção de encontra-la. Encontrar Bia era o que importava, sofresse o que precisasse sofrer para conseguir isso. Vai dizer que isso não é romântico o bastante para você.

– E assim como Dante por Bia, por causa do teu sorriso. Eu sigo por inferno e volto ao paraíso. Só pra poder te ver, só pra te encontrar. A tua estrela é o que me guiará.

– O amor me move. Só por ele eu falo. Sem ter você o purgatório é um intervalo, entre o céu e a terra. Entre ter e o não te ter. Não a distância que me faça te esquecer.

– Essa música é a tua cara.

– É uma musica fofa, que fala sobre um ótimo casal.

– Não vou discutir casais da literatura contigo.

– Melhor mesmo. Sobre isso a gente nunca vai entrar em consenso. O que você anda ouvindo?

– Nada demais. Comprei um CD do One Republic, mas tenho escutado um velho CD meu.

Marcus ligou o som, mas antes mesmo que Hello pudesse começar a ser cantada ele reconheceu aquele disco. Encarando Morena, ambos sabiam que tipo de lembranças aquelas músicas traziam e ele não conseguia acreditar.

(What’s The Story ) Morning Glory?

– É um bom disco.

– Com um passado gritante… Você deixou de escutar Oasis por, sei lá dois anos. Para não correr o risco de lembrar do que, exatamente, este álbum lembra.

– Você está tendo uma reação exagerada.

– Exagerada? Eu vi você definhando diante dos meus olhos e eu não tinha como te salvar. Eu realmente cheguei a acreditar naquela época que eu ia te perde de vez. Tem alguma ideia de como isso me deixa desesperado?

– Mas eu continuo aqui.

– Só por favor me diga que essa confusão toda e o modo estranho como você está agindo não tem nada a ver com… com… com o Big – Assim que Marcus terminou a frase Morena desatou a rir.

– Big? Hahahahahahaha… Não, é serio que você chamou ele de Big?

– Não gosto de falar o nome dele… E eu lembrei daquela maratona de sex and the city que você fez eu assistir contigo.

– Achei que você tivesse gostado.

– Gostei, mas maratona de sex and the city não é exatamente o primeiro programa que um cara tem em mente.

– Então o que você quer fazer hoje? A escolha é completamente sua. Já sei ver uma partida de futebol bebendo cerveja.

– Um, eu não vou beber na frente do teu pai e dois, você sabe que eu detesto futebol.

– Tava brincando, mas falei serio sobre você escolher a nossa programação hoje.

– Certo, mas você não vai fugir do assunto.

– Não vou, não tem nada a ver com o Big. Eu voltei a escutar esse álbum por que eu descobri que ele já não tem mais importância.

– Você superou o Big?

– Acho que sim, acho que finalmente superei toda aquela bagunça. Agora esse álbum nada mais é do que um excelente disco que tem Wonderwall e Champagne Supernova.

– Realmente são duas excelentes músicas.

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Capitulo V, Mar e Tempestade

janeiro 28, 2010 at 3:48 am (ganhos e perdas)

Marcus nunca ficara tão nervoso. O início da semana significava que ele teria que ver Morena. Não sabia como seria a reação dela diante do que dissera no sábado, na realidade não sabia nem se ela chegara a ouvir.

Fazer Morena dormi era uma das coisas favoritas de Marcus. Ela aninhada em seus braços, as respirações sincronizadas.

– Ficar com você parece tão fácil e ao mesmo tempo tão difícil. Sei que poderia carregá-la em meus braços por toda eternidade e ainda assim não teria tempo o bastante. Talvez eu esteja fadado a ser o amor da sua vida disfarçado de melhor amigo.

Marcus estava disposto a fazer o que fosse preciso para manter Morena em sua vida, mesmo que para isso tivesse que se machucar.

Olhando as horas, estava em cima da hora. Vestiu-se as pressas, quando bateu a porta da casa viu Morena sentada nos degraus da entrada.

– Tudo bem?

– Não sei, Mark. Me responda você… – A voz dela trazia uma mistura de tristeza e nervosismo. O que não parecia nada bom para Marcus.

– Até onde eu saiba tudo vai bem.

– Olha, se no sábado eu fiz ou disse algo que te deixou chateado eu peço desculpa.

– Você nunca pedi desculpa, na verdade você nunca precisa me pedir desculpa. Você não fez e nem disse nada. Já disse, sou incapaz de sentir raiva de ti.

– Então por que não deu sinal de vida ontem?

– Estava cansado. Passei o dia dormindo – Mentiu ele esperando que Morena não notasse nada.

– Então estamos bem?

– Melhor impossível! – Falou puxando-a para um abraço. Apoiando o queixo sobre a cabeça dela e a envolvendo com os braços.

– Adoro o seu cheiro, sabia?

Lucas observava tudo. Agora que ficara próximo de Morena ter que deixa-la e observa de longe sua vida tornara-se uma tarefa bem mais dolorosa.

– Você devia deixa-la em paz.

– Já disse Is, não consigo.

– Eu vejo você sofrendo. – estendeu a mão para tocar lhe a face, mas refreou o impulso.

– Dor maior seria nunca mais estar com ela.

– Não quero que saia machucado.

– Meio tarde para isso. Minha decisão já foi tomada.

– Você ainda pode voltar atrás.

– Não irei…

– Uma pena, vai voltar lá hoje?

– Não posso, sem permissão para ir á terra. E minha energia está muito baixa.

– Pelo menos um pouco de juízo ainda lhe resta.

– Vou precisar da sua ajuda enquanto estiver por aqui.

– O que quer que eu faça?

– Ajude-me a descobrir como contar tudo a Morena.

– Retiro o que disse.

O dia se arrastava na visão de Morena. Ela desejava a noite com Lucas. Tentava achar formas de manter a mente ocupada, no entanto nada era eficiente o bastante.

Marcus esperava por Morena na entrada do prédio. Pela primeira vez eles não estudavam juntos. Observava ela caminhar em sua direção era hipnótico.

Parecia a primeira vez que Morena via Marcus. Ele já não era o garoto franzino e desengonçado da infância. Agora Marcus tinha os ombros largos, braços fortes. As mãos grandes seguravam a alça da bolsa atravessada sobre o peito. O cabelo liso caído descuidadamente sobre os olhos, a barba por fazer emoldurava um sorriso de menino.

– Eu havia esquecido como seus olhos eram verdes, me lembrando o mar. E o quão bonito você ficou com o tempo.

Marcus estava surpreso com o comentário, tentou disfarça o quanto estava sem jeito com essa reação de Morena.

– Como foi o primeiro dia?

– Normal, eu acho. Muita gente faltou com medo do trote.

– Ser calouro não é fácil. Sabia que eu ainda te procurei quando entrei na sala?

– Vou te contar um segredo – Morena baixou o tom  para quase um sussurro – Eu também te procurei.

Os dois riam enquanto se encaminhavam para a rua. Era um dia ensolarado, mesmo que quase estivesse acabando.

– Eu ainda não acredito que você não faz música.

– Pra mim música é algo natural. Não vou deixar transformarem numa ciência acadêmica. Eu não acredito que você resolveu fazer direito, tantos outros cursos disponíveis.

– Quero fazer algo pelo mundo.

– Faça medicina então.

– Não tenho vocação. Direito não é ruim, devia parar com essa implicância boba.

– Está bem, vou diminuir. Por você viu.

– Certo. Que horas eu apareço hoje?

– Hoje não vai dar. Vou sair, comprar umas coisas, nem sei que horas volto.

– Qualquer coisa me liga.

Morena odiava ter que mentir, mas no momento não queria ter que dividir nada sobre Lucas. Pegou a rua oposta a de Marcus, não sabia ao certo quanto tempo teria livre. Ainda assim resolveu ir a livraria.

O ambiente da livraria era o preferido de Morena. O cheiro do café expresso misturado com o dos livros, o barulho de conversa e livros sendo folheados, tudo acalmava a garota.

Subiu as escadas, parou diante da pratilheira preferida. Eram tantos livros que ainda não lera. Não conseguia se decidir por um único livro. A caminho do caixa, passando pela sessão de CD algo lhe chamou, um CD original do One Republic na promoção. Por esse preço, loucura seria não leva-lo, pensou ela.

Sentada a mesa da cafeteria, tomando um afogato Morena observava a loucura que cometera, três livros e um CD. Qual leria primeiro, ela tentava decidir entre mais um livro da Meg Cabot, outro livro da saga Diários do Vampiro e Peter Pan. Ela escolheu o segundo, havia algo no jeito de Stefan Salvatore que lhe lembrava Lucas.

Chegando em casa, subiu ao quarto sem falar nada. Guardou os livros na estante, colocou o CD no som sem que no entanto o toca-se. O jantar foi rápido e quase sem conversa. Sr. Henrique conhecia a filha bem o bastante para saber quando não se intrometer nos assuntos dela.

Morena tomou um banho demorado. Havia um nervosismo que não era natural dela. Escolheu com cuidado a roupa de dormi, fez algo que não fazia parte do seu ritual normal para dormi, colocou perfume. Ligou o som, não muito alto, mas o suficiente para embalar sua leitura. A janela estava aberta conforme Lucas pedira, ela se perguntava quando tempo esperaria até que ele aparecesse.

Ela caiu no sono em quanto lia. Porém ele não aparecera naquela noite e nem mesmo na seguinte. Morena continuava a inventar desculpas para que Marcus não aparecesse em seu quarto a noite e a deixar a janela aberta, mas á não possuía tanta certeza do retorno de Lucas. Talvez ela tenha sonhado aquela visita, talvez ele estivesse apenas de brincadeira com ela. Mil teorias permeavam a mente de Morena e tudo a deixava ainda mais inquieta.

– Você sabe que a menina está perdendo a fé em você.

– Eu vou dar uma passada lá hoje.

– Ainda não está forte o bastante.

– Vai ser rápido, ela nem me verá… Mas eu prometi que apareceria.

– Ela ainda vai acabar com você.

– Eu a escolhi Is, está feito.

– Você está lutando contra o destino… Não há forma de ganhar.

– Não quero ganhar, quero apenas ter um tempo com ela. E acho que para mim isso já é vitória suficiente.

– E depois como ela fica?

– Ela ficara bem, você mesma já viu o destino dela acontecer.

– Você está modificando a historia inteira…

– O que poso fazer, sou um tolo apaixonado e você sabe disso.

No domingo pela manhã quando Morena acordou, havia uma certeza que nunca mais veria aqueles olhos de tempestade outra vez. Lucas não a visitara como o prometido. Levantou da cama, pegou o livro jogado no chão e quando ia colocando em cima do criado-mudo viu uma rosa e um pequeno bilhete escrito a mão.

“ Desculpe, não podia passar muito tempo. Você dormia de modo tão belo que não quis acorda-la. Mas eu disse que apareceria, aqui está a prova disso. Eu peço que seja paciente, acredite em mim por favor. Ainda há muito que conversa”

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Capitulo IV, Cinza e vermelho

janeiro 20, 2010 at 2:16 am (ganhos e perdas)

Aquela manhã trouxe de volta a inquietação a Morena era uma pena Marcus ter que ir embora antes do sol raiar, seria bem reconfortante acordar dando de cara com o sorriso de bobo dele.

Ela tentou se demorar no banho, mas hoje o barulho, normalmente reconfortante, da água lhe irritava. Vestiu a primeira roupa que achou e desceu pro café. Era tradição na casa, aos domingos ela e o pai tomavam café da manhã juntos.

– Bom dia… Achei que hoje fosse tomar café sozinho.

– Tradição é tradição… Bom dia pai.

– Pede pro Marcos fazer menos barulho quando for embora. Tô acordado desde as 5 da manhã.

– Desculpa… Eu sei que é contra as regras.

– Normalmente ele sai mais cedo… Algo especial aconteceu ontem?

– Nada que mereça ser contado ao senhor, ou seja, ele não é nada além do meu melhor amigo ok!

– Então o que foi?

– Ele ficou me fazendo dormi, cantando umas músicas e demorou mais do que a gente imaginava. Nada demais…

Ela sabia que o pai não engolia essas explicações dela, mas ficava agradecida por ele não pressionar por respostas. Morena ficou imaginando que horas Marcus acordaria e quanto tempo levaria pra ele invadir o quarto dela. Normalmente aos domingos eles ensaiavam durante o dia todo…

Marcus ainda não pregara o olho. A noite viva na sua cabeça, não conseguia acreditar em tamanha covardia. Morena pedira que ele ficasse até ela dormi, era costume quando ela tinha a cabeça cheia. Ela estava deitada em seu peito, quieta e frágil como só ele era capaz de ver. Tudo que precisava fazer era puxar o rosto dela para cima e o beijo aconteceria, mas não conseguiu, cada vez que a vontade o dominava o máximo que se permitia fazer era dar um beijo na testa.

Não deveria ser tão difícil assim, ele pensava. Aquela era a garota que ele cresceu amando, era ele que Morena procurava quando chorava, na verdade ele era o único que tinha permissão de vê-la chorar. Fora ele que lhe dera o primeiro violão, depois de passar dois meses juntando cada centavo que podia quando tinham 9 anos. Ele tinha estado a vida todo lá pra Morena e ela tinha estado a vida toda pra ele. Então como podia ser tão difícil cruzar aquela maldita linha de amizade.

Já passava das 16 horas e nem a menor sombra de Marcus. Morena ficava impaciente quando não recebia um sinal de vida dele, isso não acontecia com frequência, na realidade só ocorrera duas vezes. Uma quando Morena estava passando o fim de semana na casa da avó e Marcus teve que ser operado de emergência, apendicite, e outra quando os dois passaram dois meses brigados por causa de um violão.

Eles tinham nove anos quando Milena, mãe de Morena, morreu. A menina ficava inconsolável. Sr. Henrique já não sabia o que fazer para alegrar a filha, quando um dia ela chegou pedindo para ter aulas de piano, Marcus havia começado as aulas não tinha nem 15 dias, pareceu uma boa ideia que os dois estudassem música juntos.

Morena tinha um dom natural e logo passara a tocar melhor do que Marcus. Os dois logo aprenderam violão, porém havia um problema. Lily possuía um único violão e os dois passaram a disputar aquele instrumento para ensaiar.

– Você passou o dia com o violão, agora é minha vez – Gritou Morena.

– Mas eu preciso praticar mais.

– Mesmo que você praticasse mil dias eu ainda seria melhor, então que tal deixar alguém que sabe tocar um pouco.

– O violão é meu…

– Não é não, é da tia Lily.

– Minha mãe! Se você quiser um violão pegue um com a sua mãe!

Marcus se arrependera antes mesmo que Morena pudesse sair do quarto. Não adiantara de nada os pedidos de desculpa que ele dera no caminho do quarto dele até o quarto dela. Morena se trancou e foi categorica em dizer que nunca mais iria olhar na cara dele outra vez.

Por dois meses Marcus cortara a grama de toda a vizinhança, levava os cachorros para passear e não gastara nem mesmo 10 centavos de sua mesada comprando bombons. Tudo isso para comprar um violão de presente.

Ele não conseguia entregar o presente pessoalmente a Morena, escrevera um carta e deixara junto ao violão na porta da casa dela, Tocara a campainha e se esconderia. O resto é historia, mas fica claro que eles nunca mais brigaram ou deixaram de se falar.

Morena não sabia se devia ou não bater na casa de Marcus, mesmo isso significasse andar menos de 10 metros entre uma casa e outra. O fato dele ter furado a tradição de passar o domingo fazendo música só podia significar problemas e a absurda insegurança dela só a fazia acreditar que devia ter estragado tudo de algum jeito, por mais que não se lembrasse como. Então ela esperaria ou ele resolver aparecer ou ela descobrir o que tinha feito de errado.

As batidas na janela despertaram Morena. Olhando o relógio de cabeceira, passava das 23 horas. Antes tarde do que nunca ela pensou. Levantou e abriu a janela. Antes que tivesse tempo de se perguntar onde Marcus havia se escondido uma voz a chamou.

– Strawberry, disse que ia voltar a te ver hoje não disse!

– Ok, isso está começando a me assustar. Como sabia onde eu morava?

– Eu te beijei a uma quadra daqui, esperava que se lembrasse. Afinal o primeiro beijo é um marco muito importante sabia.

– e deu sorte descobrindo a janela do meu quarto foi?

– A conversa pode ser mais agradável nos dois estando no mesmo recinto. Sem falar que daqui eu posso acabar acordando seu pai.

– Uma pena, meu pai não deixa nenhum garoto entrar pela porta a essa hora.

– Eu não ia entrar pela porta, por favor se afasta e eu lhe dou umas respostas. Eu sei que gosta dessa ideia.

Por mais que ela quisesse irritar aquele garoto a curiosidade era muito maior. Sem muito esforço ela se afastou. O modo como ele escalava a árvore e atravessava a janela parecia contrariar as leis da física.

– Você por algum acaso é do circo ou coisa parecida.

– Não saberia dizer se de onde eu sou se encaixa em coisa parecida.

– Então estranho posso saber seu nome, já que está no meu quarto eu tenho esse direito.

– Se quer tanto saber, pode me chamar de Lucas.

– Por que sumiu?

– Ontem ou a três anos? Para facilitar as coisas, a resposta é a mesma para os dois dias. Eu não tinha permissão de estar aqui.

– Permissão de quem? Seus pais?

– Não exatamente… Essa parte é complicada e eu preferia que não fizesse perguntas sobre nada relacionado a isso agora.

– Está bem…

– Você parece preocupada ou chateada… Algum problema com o Marcus?

– Você tem uma memória invejável… Você só viu uma vez o menino e já sabe o nome dele. – Lucas teve que conter o riso, se ela soubesse… – Normalmente ele passa o dia comigo, mas hoje ele não deu um sinal de vida. Não é normal.

– Você pode ir falar com ele… Ele não tem obrigação de lhe procurar, você pode muito bem fazer isso.

– Eu sei, mas tenho medo de ir lá e ele estar com raiva de mim. Não suportaria saber oficialmente que ele não quer falar comigo.

– Ele é importante assim?

– É, não sei o que seria de mim sem ele. A gente se conhece desde que nasceu, não há pessoa que me conheça melhor do que ele. E…

– E o que? O que há mais sobre vocês dois que não contou…

Era estranho, nem mesmo Marcus sabia desse segredo que Morena estava prestes a contar. Como aquele garoto tinha a capacidade de fazê-la se soltar assim, era a pergunta que rondava a mente dela. Analisando com calma, ela também não era de deixar estranhos, mesmo bonitos como ele, entrarem assim no seu quarto.

– Marcus é minha solução para qualquer problema. Como eu posso explicar… Sabe como a maioria das pessoas se torna viciada em álcool ou outras drogas, usando as como escape para os problemas que tem na vida. O Marcus é minha droga particular, descobri isso com nove anos. Minha mãe tinha acabado de morrer, eu estava sempre triste, via meu pai arrasado e preocupado com o que seria de mim.

– Você era uma garotinha bem observadora pra idade, mas desculpe pela interrupção. Continue.

– Pois é. Eu sempre ficava triste, mas quando o Marcus estava comigo eu ficava bem. Não sabia explicar, mas simplesmente esquecia que havia algo errado. Então passei a fazer de tudo para ficar o máximo de tempo possível com ele. Cheguei a inventar que queria ter aulas de piano e música, só por que eu sabia que ele estava tendo e que se eu pedisse isso papai me colocaria para ter aulas junto dele. Seria cômodo, tia lily poderia levar e buscar a gente sem meu pai ter que mexer na própria rotina.

– Além de observadora era uma ótima manipuladora heim – Ele falou rindo tão abertamente da historia que fez Morena perder a concentração. Aquele era o sorriso mais lindo que ela já havia visto.

– Me perdi na historia. Tenta não rir quando eu estiver falando.

– Por que?

– Me distrai absurdos.

– Desculpa, não tinha intensão.

– Não é sua culpa…

Lucas queria poder dizer que era, que ela o havia feito esquecer de controlar seus poderes, mas não havia jeito. Ela o chamaria de louco e o colocaria para fora antes que tivesse tempo de explicar e tudo estaria acabado.

– Mas então desde as aulas de piano você e o Marcus são inseparáveis?

– Na verdade não. Desde que ele me deu um violão que nos tornamos inseparáveis… É aquele ali na parede, não tenho mais coragem nem de tocar nele, uso só para ocasiões super especiais. Eu e Marcus havíamos brigado feia, eu fora exibida e o diminuirá, ele não aguentou calado e crianças são capazes de ser bem cruéis.

– Então ele lhe deu o violão…

– E uma carta escrita a mão, uma letra que mais parecia um garrancho. Não pedia desculpa, sabia que o que tinha feito era imperdoável, mas não queria que eu parasse de tocar, falava que eu realmente tinha talento.

– Ele parece bem sensível.

– O mais sensível do mundo… Não tinha como continuar com raiva dele, sendo sincera eu não aguentaria muito tempo sem ele.

– Você deveria ir falar com ele, tenho certeza de que ele não esta com raiva de você.

– Mas e você?

– Eu preciso ir embora… Não tenho muito tempo aqui.

– Promete que volta?

– Eu vou fazer o possível.

– Vem amanhã, tem muitas coisas que eu quero saber, acabei monopolizando a conversa.

– Amanhã eu não posso… Ainda essa semana eu apareço, deixe a janela aberta, talvez eu tenha que vir mais tarde do que hoje.

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Capitulo III, fly with me

janeiro 20, 2010 at 12:20 am (ganhos e perdas)

Lucas estava impaciente. Foram três anos esperando por essa data. Tudo teria que ser feito de modo muito rápido, não poderia chamar a atenção e nem cometer falhas. Ele estava arriscando sua vida, sua missão, seu destino por ela. Mas tinha certeza de que ela valia o risco.

– Você pode enganar os mais velhos, mas eu conheço essa tua cara Lucas.

– Is, me deixa…

– Você está sendo idiota… Ela nem sabe que você existe, vai acabar se metendo em problemas por alguém que não merece.

– Como você pode dizer que Morena não merece o risco?

– Por que nenhum deles merece, são todos iguais… Mesquinhos e egoístas, impuros e covardes. Ela não é exceção… Você deveria guarda nobres sentimos para seres mais nobres.

– Ela é especial Is, você sabe disso…

– Especial? Ela quebrou uma promessa com o melhor amigo, por conta de um garoto que ela nunca viu e que nunca lhe disse o nome… E por mais que eu saiba que é difícil resistir aos nossos encantos, não é desculpa o fato de ter sido você!

– Como você sabe que era eu? Ninguém deveria saber, eu não podia ter ido lá.

– Fique tranquilo, eu distrai todo mundo e ninguém notou que você estava ausente… Assim como ninguém vai notar hoje, você pode ir em paz. É uma atitude estupida isso que esta fazendo, mas eu lhe dou cobertura.

– Obrigado, não sei o que seria de mim sem você…

O 15º aniversario de Morena era uma memoria viva para Lucas. Vocês, diriam que eles seriam anjos da guarda. Mas a realidade não é exatamente essa, as coisas são complicadas. A forma mais simples de explicar seria resumir falando que cada humano possui um sentinela. Um ser que observa sua vida e que querendo pode interferir em seu benefício. A única regra que eles possuem é nunca se revelar ao seu protegido.

Existem períodos em que os sentinelas podem descer a terra, a primeira vez que Lucas fez isso era no exato dia em que Morena completava 15 anos.

Era uma noite clara, não ventava, o clima era suave… Morena estava nervosa por que dentro de 40 minutos Marcus apareceria para lhe dar um beijo e cumprir a promessa feita anos antes.

– Nervosa?

Morena se assustou com aquela voz vinda deus sabe de onde. Do alto da árvore desce um jovem rapaz, feições perfeitas. Nariz bem marcado, queixo fino, olhos castanhos densos e enevoados, cachos caprichosos davam o toque final. Era impossível imaginar que um garoto daqueles pudesse existir fora das folhas de revista, mas lá estava ele falando com ela.

– Então moça… Nervosa?

– Por que  a pergunta?

– Não é uma noite fria e você está atritando as mãos que a qualquer instante devem entrar em combustão… Imaginei que estivesse nervosa, achei que um pouco de companhia poderia agradar e lhe distrair…

– Qual o seu nome?

– Nome… Isso faz alguma diferença? Uma rosa deixara de ser uma rosa se eu chamá-la de margarida? Acho que não, então na minha opinião nomes não são importantes.

– O que é importante então?

– Qual é o seu cheiro favorito? Que cor lhe atrai? Que som lhe acalma, que livro você está lendo, que musica você escuta antes de dormi, que barulho lhe dá medo, qual foi o momento mais feliz da sua vida e o mais triste? Qual o gosto do seu primeiro beijo? Isso diz muito mais do que um nome.

– Você é estranho sabia disso?

– E você reparou que não dá uma resposta, só faz perguntas?

– E que problema tem isso ?

– Problema nenhum, mas diz muita coisa sobre você e antes que você pergunte eu só responderei no momento em que você parar de perguntar tanto e responder um pouco e espero que não lhe incomode muito essa minha decisão.

– Incomoda, mas sei viver com isso…

– E aquelas perguntas que eu lhe falei, alguma chance de escutar essas respostas?

– Cheiro de limpo, sabe quando você acaba de sair do banho e fica aquele vapor no ar e se mistura com o sabonete, esse é o meu favorito. Cinza me atrai, não é explicita parece que esconde algo. O barulho das botas do meu pai na escada de casa, sempre me acalma. Quando tinha 5 ou 6 anos eu ficava deitada no chão do quarto esperando ele chegar só pra ouvir melhor o barulho dele subindo as escadas. Estou lendo a divina comédia e sempre durmo escutando true colors, o barulho do trovão me assusta. O momento mais feliz foi quando eu ganhei meu primeiro violão e o mais triste foi quando eu entendi que minha mãe nunca mais iria me por no colo e contar uma historia.

– Ficou faltando qual foi o gosto do seu primeiro beijo.

– É impossível dar uma resposta que não conhece…

– Então ninguém nunca lhe beijo? Por que, esta se guardando para alguém especial?

– Não, acho que para que alguém me beijasse eu teria que atrair a atenção e para isso eu teria que ser vista e para ser vista eu teria que deixar de ser invisível…

– Você não é invisível!

– Mas não sou inter… – Antes que pudesse terminar a frase aquele estranho garoto se inclinara e lhe beijara, tomando seu rosto delicadamente nas mãos, pressionando com suavidade seus lábios nos dela. Ela foi se deixando envolver pelo gosto enebriante que emanava daquela boca. Foi como se o tempo parasse, como se o espaço desaparecesse e só restava aquelas duas pessoas vagando na imensidão do nada.

– Você tem gosto de strawberry

Antes que consegui forma um raciocínio lógico sobre tudo que acontecera, o misterioso garoto foi embora.

Três anos se passaram desde que Lucas beijara Morena a primeira vez, ele sabia que ela havia mudado muito nesse período, mas ele sabia que ela ainda pensava naquele estranho que lhe roubara o primeiro beijo. E isso significava que ela ainda não desistira do amor, por mais que insistisse em dizer isso.

Marcus estava reclinado numa árvore, Morena deitada em suas pernas. Observando aquilo, ele tinha certeza de que eles viveriam juntos para sempre, era fácil, fácil até demais eles ficarem juntos, era a sintonia perfeita. Com três anos de atraso, mas hoje Marcus finalmente teria o beijo que sempre desejara.

– Quanto tempo strawberry…

Aquela voz, aquele nome… Morena não queria abrir os olhos com medo de que isso fosse um sonho e no instante que abrisse os olhos acordaria na sua cama. Seria possível que o misterioso garoto finalmente retornara? Como isso poderia ser possível. Com medo ela abriu os olhos e lá estava ele com um sorriso torto e ao mesmo tempo sincero.

– O que você está fazendo aqui?

– Não perdeu o hábito de fazer perguntas pelo visto… Achei que fosse ficar feliz em me ver.

– Sinto muito, é que eu não sou muito de ficar feliz em rever caras que me beijam e desaparecem, sabe como é né?

– Se servi de alguma coisa, eu não queria ir embora, eu precisava ir. Existem complicações que infelizmente eu não posso revelar agora para você, eu espero poder contar um dia, porém se você puder ter um pouco de paciência comigo… Vai perceber que podemos nos dar muito bem. Por favor, me dá essa chance?

– Nega quer que eu ponha esse maluco pra correr?

– Mesmo que eu quisesse você não seria capaz disso… Marcus esse é o misterioso garoto, misterioso garoto esse é Marcus, meu melhor amigo.

– Muito prazer em conhecê-lo!

– Esse é o tal cara que roubou teu primeiro beijo?

– O próprio… Viu como ele existe de verdade, não é uma alucinação que eu tive.

Marcus não sabia o que era pior, se era o fato de ter achado que o misterioso garoto era uma desculpa que Morena havia dado para não beijá-lo ou se era o fato de descobrir que o garoto existia justamente quando ele achou que teria a chance de finalmente ter o que aquele garoto lhe roubara a três anos.

Como ele poderia competir com um garoto como aquele, que parecia ser o sonho de qualquer garota ali. Ele que era apenas o vizinho, o amigo de infância, um garoto total e completamente normal aos olhos de Morena e de qualquer outra garota que pudesse imaginar. Às vezes o mundo parecia muito injusto com ele.

Lucas não queria magoar os sentimentos de Marcus, no entanto ele não poderia esperar por um momento que o rapaz se afastasse de Morena e correr o risco de perder o tempo dele em terra. A competição não lhe agradava em nada, porém aquele era o único caminho. Ele sabia que Marcus nunca abriria mão de Morena, afinal os dois eram apaixonados pela garota quase que pelo mesmo tempo.

– Strawberry, você ainda não disse se eu vou ter a minha chance? Eu preciso ir embora, no entanto amanhã eu posso voltar e ter mais tempo para conversa com você, apenas me diga onde posso encontrá-la e eu estarei lá e dessa vez eu prometo, vou lhe dar todas as respostas que tiver permissão de dar e não irei embora sem avisar…

Antes que Morena conseguisse pensar na resposta Lucas já havia desaparecido sem deixar sinal. Ela bem que gostaria de conseguir pensar de forma mais rápida, mas aquele garoto deixava tudo impossível.

– Carinha estranho aquele, faz perguntas e nem espera respostas… Ainda bem que você não vai vê-lo outra vez.

– Eu bem que gostaria…

– Como é? Não pode estar falando sério, aquilo é uma pessoa mentalmente perturbada, melhor pra você não se aproximar dele outra vez… E eu falo sério.

Lucas respirava com dificuldade, hoje não era seu dia de descer a terra e fazer isso consumia mais energia do que ele teria imaginado.Seu peito estava apertado, ele gostaria de ter tido um pouco mais de tempo com Morena.

– Imprudente… Aquela menina ainda vai causar o seu fim sabia.

– Não tem problema, se eu morrer nos braços dela vou estar feliz…

– E ela inconsolável… Se você tivesse um pouco de juízo que fosse deixaria ela viver em Paz com Marcus, ele é capaz de fazê-la feliz e é melhor para ela do que você.

– O que posso dizer… Acho que os humanos não são os únicos egoístas no universo.

– Idiota, me dê a mão… Eu tenho energia de sobra, nunca desço. – Is segurou a mão de Lucas gentilmente, ele não entendia exatamente a razão dela ajudá-lo, porém sempre lhe fora muito grato. – Um dia desses eu não vou estar por perto para lhe salvar.

– E esse vai ser o meu fim…

– Idiota…

Is se afastou bruscamente dele. Ela odiava o modo como Lucas considerava tudo uma brincadeira, a única coisa séria para ele era a ilusão de viver junto a Morena. Tudo seria muito melhor se Marcus conseguisse o que queria, por que se Morena estivesse indiscutivelmente feliz Lucas deixaria ela viver a vida que havia sido traçada para ela e quem sabe assim Is conseguisse o que desejava em segredo.

Passava de duas da manhã e Morena estava completamente impaciente, o show não foi nem de longe o que ela havia imaginado. E por pior que fosse, sabia que a culpa era dela, não era capaz de acreditar como aquele garoto conseguia afeta-la…

Batidas na janela…

– Morena, abre aqui antes que eu caia e quebre o pescoço.

– Você podia muito bem parar de subir nessa árvore..

– Me deixa entrar logo ou vai carregar a culpa da minha morte?

– Idiota!

Morena abriu a janela e se afastou para que Marcus conseguisse deslizar para o quarto. Fazia anos que essa cena se repetia. Quando eles tinham 14 anos Sr. Henrique proibira Marcus de passar as noites no quarto dela, coisas poderiam acontecer era a desculpa que ele dava sobre o assunto. Desde então Marcus saia a meia noite da casa de Morena e meia noite e dez ele pulava a janela e só saia quando um dos dois começava a pegar no sono. Morena ria, por que todo mundo sabia que isso acontecia e talvez essa fosse a razão da proibição do pai dela, talvez achasse que assim algo entre eles dois aconteceria mais rápido.

– Achei que fosse estar com raiva de mim hoje.

– Eu nunca tenho raiva de ti, Morena…

– É, mas eu estraguei o nosso show…

– Por isso que eu vim… Quero aquela dança que você me prometeu

– Meu pai vai acorda e vir bater aqui no quarto com o barulho

– Você é capaz de arrumar uma desculpa melhor que essa… Se não quiser dançar eu entendo.

– Não é isso, amor. As coisas são complicadas, eu tô com a cabeça longe… odeio aquele menino.

– Não odeia não… Esse é o problema, não esta acostumada a ter alguém mexendo com você assim, normalmente é você que causa esse efeito nos outros.

– Nem é…

– Não, imagina se fosse… Toda festa tu manipula algum cara, faz tuas brincadeiras.

– Nada daquilo é sério e você sabe que no fundo eu não sou uma caçadora de verdade. Tudo não passa de encenação. No final das contas nenhum daqueles caras realmente se interessava por mim, eles nem me conhecem.

– Queria muito que você parasse de ter medo de mostrar quem você realmente é.

– Pra que? Pra acontecer o que aconteceu com o Big? Prefiro morrer sozinha!

– Você nunca vai morrer sozinha, eu sempre vou estar do teu lado, mesmo quando você for um velha chata, rabugenta e enrugadinha… Eu vou estar do teu lado.

– Bem que podiam existir mais caras como você…

Marcus se aproximou, a abraçou com uma suavidade que apenas ele possuía. Eles tinham o encaixe perfeito, isso era inegável. Os braços dele envolta do corpo dela, o rosto dela encostado no peito largo dele. Estando assim, ela tinha certeza que o que a mantinha viva era o cheiro que saia dele. Por que tudo não podia ser assim tão fácil.

– Fly with me! – Ele sussurrou no ouvido dela de um modo que ela não pudesse dizer não. A pegou pela mão, conduziu ao som – Você escolhe a música hoje.

– Forever young.

Puxando outra vez para junto de si, Marcus a abraçou e lhe beijou a testa com delicadeza. Ela sentiu que os problemas sumiam a medida que ele a conduzia naquela dança.

– Ou você para de olha-los ou deixa eles viverem em paz…

– Você sabe muito bem que não tenho força para fazer nenhum dos dois.

– Masoquista e um tremendo idiota.

– E sua sinceridade é reconfortante Is.

– Ela vai ser feliz… Não interfira mais nisso… Eu sei que é capaz de fazer isso

– Bem que eu gostaria de ter essa força que você pensa que eu tenho.

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Capitulo II, O inicio (dessa vez o verdadeiro)

janeiro 20, 2010 at 12:12 am (ganhos e perdas)

Marcos estava nervoso, depois de três anos Morena aceitara que podia se diverti outra vez. 20 horas, ele se encontrava na frente da casa dela, roupas casuais, o perfume que ele sabia ser o favorito dela no mundo. Bem que gostaria de lhe dar flores, mas seria um grande exagero da parte dele, na realidade Morena nem ao menos sabia da importância daquela noite. Finalmente Marcus iria se declarar, eles viviam juntos desde criança.

Os pais eram amigos do tempo de faculdade, Sr. Henrique, pai de Morena fora o padrinho de Marcus e praticamente era seu pai desde seu nascimento, seu pai biológico era um grande mistério. Quando Milena, mãe de Morena, morreu era difícil saber quem estava mais inconsolável se era Henrique ou Lily. Os rumores foram grandes, Henrique e Lily se conheciam desde a adolescência, estavam solteiros e tendo que criar duas crianças de quase a mesma idade, porém isso não foi o bastante para que ficassem juntos e se considerarmos como Carlos fazia a mãe de Marcus feliz. Estava tudo certo.

Marcos lembrava de cada momento de Morena, seu primeiro beijo, primeiro namoro, primeira desilusão amorosa. Ele sempre esteve lá escondido, escutando e esperando o dia em que ela iria retribuir os sentimentos. Parece bobagem e uma certa dose de covardia, ele mesmo assumia isso. Mas aquela era a mulher da vida dele, pelo menos ele passou os últimos 18 anos da sua vida imaginado isso. Quem mais no mundo poderia fazê-la feliz? Quem conhecia suas manias, neuroses e excentricidades… Ele era o “the one” teria que ser ele e hoje a noite ela perceberia isso.

A noite estava perfeita, um vento suave, o céu estrelado e o show da banda favorita deles dois. Na hora certa, quando começasse a tocar you and me, ele a puxaria para um abraço e dançariam aquela música lente ao som do piano e seria fácil demais beijá-la e ela teria que encarar os fatos, eles se amavam.

Morena estava impaciente, ela esperava há meses por aquele show. Escutar suas músicas favoritas ao lado de sua pessoa favorita. Aquela seria uma noite especial. Melhor que isso só se ela se apaixonasse, mas ela largou essa ilusão fazia um bom tempo. Amor são para os fracos, não acredite em príncipe encantados, garotos te descartam e você é completamente capaz de ser feliz do jeito que está, ela repetia para si mesma.

No inicio ela desejou se apaixonar por Marcus, ele ficou ao lado dela em todos os momentos. Ele dera um soco em um rapaz uma vez que perguntara se Morena era tão fácil quanto haviam falado por ai. Pensar que ela jurava ter se apaixonado por quem começou todo esse boato.

Ela sabia que Marcus não era um desses caras, na verdade ele nunca comentou muita coisa com ela sobre sua vida amorosa. Ela sabia que umas veteranas haviam beijado ele na sexta série ao saberem que ele nunca havia beijado ninguém e também sabia que ele era apaixonado por uma misteriosa garota desde a sétima serie, todas as músicas que eles faziam de algum modo eram inspiradas nessa misteriosa garota.

Marcos e Morena criavam música, ela era uma excelente instrumentista e ele um incrível compositor. Eles se completavam na música, ainda não havia surgido uma canção que eles não fossem capazes de aprender a tocar e segundo o pai de Morena isso só poderia significar casamento, que deveria ser adiado o máximo possível segundo o mesmo.

Durante o início da adolescência Morena chegou a pensar seriamente nisso. Quando tinham 12 anos eles haviam feito uma promessa, se até os dois completarem 15 anos nenhum tivesse beijado outra pessoa, eles iriam ter o primeiro beijo à meia noite dos quinze anos dela. Meio bobo ela assume agora, mas na época lhe parecia romântico. Eles esperariam e teriam o primeiro beijo juntos, numa data que nunca seria esquecida. Se manteriam amigos por um tempo, mas seria impossível negar o amor que existia ali e então eles namorariam, casariam um dia e final feliz. Mas as aulas começaram e o primeiro beijo dele foi roubado, o dela parecia não interessar a ninguém e permaneceu assim até a véspera do seu 15º aniversario. Marcos a procurou em casa, perguntando se ela estava pronta para completarem a promessa feita, ele queria manter sua parte do trato desde que ela estivesse de acordo. E essa atitude pareceu acender uma faísca em Morena, afinal ela poderia encontrar o príncipe encantado no seu primeiro beijo. Foi uma pena Marcos ter se atrasado aquele dia e o primeiro beijo ter sido dado a outra pessoa.

Eram 20 horas e 10 minutos, a campainha tocando… Tinha que se Marcos, o show logo começaria. Se eles pudessem saber como aquela única noite iria mudar o ruma de tantas historias, talvez eles preferissem ficar em casa. Mas eu pessoalmente acho que teria sido um grande desperdício de tempo. Pois para mim ver o desenrolar do que estou prestes a lhes contar foi interessantíssimo e tudo começou mais ou menos assim…

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Capitulo I, Aquilo que antecedeu o inicio

janeiro 20, 2010 at 12:11 am (ganhos e perdas)

Antes do início existia uma menina. E por hora tudo que precisamos saber é que seu nome é Morena. Não importa as feições de seu rosto ou os segredos que seu coração possui. Importa que ela existe e que está manhã sua vida iria mudar de alguma forma.

O dia logo iria acabar, mas era melhor assim. Fora um péssimo dia aquele, pela primeira vez ela sentiu o que era uma desilusão. Há três meses seu coração se transformara em um tolo. A menina acreditou ter se apaixonado.

Ele não era perfeito, na verdade ele era um simples humano. E talvez por possuir essa simplicidade que ela se apaixonara. Antes que vocês comecem a pergunta incansavelmente qual era o nome deste rapaz, devo confessar que não sei. Nunca o vi, ele pertencia unicamente a Morena.

No entanto como foi dito algumas linhas a cima. Ela sofrera a primeira desilusão em sua vida. Descobriu que nem sempre um beijo representa a mesma coisa para os dois lados envolvidos. Sim ela havia beijado aquele rapaz, o tal do humano. Infelizmente ele não beijara Morena, na verdade beijara, mas ao mesmo tempo não. Como poderei dizer de modo que vocês entendam? Ela abriu as portas de sua alma ao garoto, ela se entregou e quis conhecer o mundo que estava escondido por de trás dos verdes olhos, porém o rapaz contentou-se em não ultrapassar os lábios dela e deixar o físico puramente físico.

Para ser sincero, agora ele procurava realizar o “físico” com outras mais. Enquanto que Morena se privava de inúmeros admiradores, não que esses admiradores fossem visíveis, mas eles existiam em algum lugar daquele mundo onde viviam. E hoje Morena fechara seu coração a qualquer um que pudesse querer entrar.

O amor é burro, incompetente e acima de tudo uma droga, dizia ela.

Do alto Lucas lamentava tudo que acontecera naquele longo dia. Sua vida se resumia a observa e cuidar de Morena, mas ela nunca deveria saber disso. Eram as regras que ele tinha que obedecer, o mundo nem sempre é justo ele lembrava.

Pobre Morena iria se amargurar por um tempo. E isto iria magoar Lucas mais do que a qualquer outro ser, pois ele talvez fosse o único que conhece quem ela realmente é.

Três anos se passaram até o começo da nossa história.

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janeiro 20, 2010 at 12:08 am (ganhos e perdas)

Ela havia chorado desde que o sol nascera naquele dia. E a noite já estava alta, mas seu coração ainda soluçava. Tinha perdido seu único elo com o outro mundo. O mundo que ela nunca compreendera, porém sempre amara.

Ventava muito, a noite possuía um ar choroso também. Sentiu como se o universo lamentasse aquela perda. As estrelas não brilharam em consideração, exceto uma. Num tempo em que até os homens duvidaram que existisse, aquela pequena estrela brilhante no céu se tornou o seu segredo, a sua protegida, o seu mistério. Fora aquela estrela que lhe revelara a existência do outro mundo.

Morena desejou poder voltar à época da inocência em que seria fácil ser transporta para o outro mundo, mas hoje era difícil o seu retorno. Havia sido traída por quem menos esperava. O espelho estilhaçado no canto do quarto fora resquício da ultima grande discussão.

Esta história é de como Morena conheceu o outro mundo, como ela ganhou aquela estrela, como ela ganhou aquele elo e por pior que seja. Essa também é a historia de sua traição e de como ela perdeu.

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