Eu, A Escrita E Os Medos

setembro 25, 2016 at 11:29 pm (aleatorias)

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“I wanna draw something that means something to someone. You know, I wanna draw blind faith or a fading summer or just a moment of clarity. It’s like when you go and see a really great band live for the first time, you know, and nobody’s saying it but everybody’s thinking it: we have something to believe in again. I wanna draw that feeling. But I can’t and if I can’t be great at it, then I don’t want to ruin it. It’s too important to me.”

Peyton Sawyer – One Tree Hill

 

Eu já explico a citação do começo. Sempre gostei de escrever, quando eu ainda não era alfabetizada eu brincava de escrever, só rabiscando em folhas de papel e fingindo que ali havia histórias. Enquanto eu era alfabetizada, meus pais colocavam pra eu ler pro meu irmão mais novo e em algum ponto eu decido que em vez de ler eu iria contar minhas próprias historias.

Então o ato de escrever histórias que eu inventava sempre me foi muito natural. Obviamente eu sempre sonhei em escrever meu próprio livro e é aqui que entra a citação. Eu não queria simplesmente contar uma história. Eu queria que o que quer que eu escreva causasse um impacto em alguém, fosse significativo e importante. Assim como a Peyton em OTH se importava demais, eu me importo e isso me deixa em pânico. Por que eu acredito que eu nunca vou escrever bem o suficiente para o que eu quero.

Eu tenho histórias importantes e que eu acho que precisam ser contadas, eu só não me sinto pronta para escrevê-las. Então eu vou e volto nas minhas pesquisas e fico recriando cenários e cenas e reconstruindo personagens e seu universo e nunca de fato escrevendo a bendita da história.

Meu segundo grande medo é fazer Glee.

Eu estou falando sério. Eu tenho pânico de acordar no meio da noite e perceber que a história que estou contando se tornou Glee. Caso você não esteja familiarizado com o que significa se tornar Glee, aqui vai uma breve explicação: Glee é uma série norte americana idealizada por Ryan Murphy, a série tinha tudo para ser incrível e dar voz para grupos que não tinham representatividade na TV, mas Ryan Murphy é além de um péssimo roteiristas um megalomaníaco que tentou contar histórias de todas as minorias oprimidas existentes o que virou um pandemônio desconexos e sem sentido que no final era mais ofensivo que de fato representativo.

Eu tenho medo de fazer isso. Por que eu sou pandemônio desconexo e sem sentido. Eu grito bingo na opressão social, eu só não sofro capacitismo e transfobia. Como eu não tenho uma representação digna em canto algum e quero escrever pro meu eu mais novo não se sentir sozinha, perdida e inexistente as chances de criar um Glee são altíssimas.

Eu tenho histórias importantes pra contar. Histórias que o mundo precisa ouvir. Eu só tenho medo de não fazer corretamente e criar mais danos do que se eu ficasse calada.

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Precisamos Falar sobre #SetembroAmarelo

setembro 19, 2016 at 4:26 pm (aleatorias) (, )

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Entramos no mês de conscientização do Suicídio e ao contrario dos anos anteriores, dessa vez muitas pessoas aderiram à campanha. Infelizmente, nem sempre quem tá querendo ajudar tem procurado informações corretas sobre como ajudar e acaba caindo no pensamento de senso comum, pensamento esse que por vezes é nocivo a quem tem pensamento suicida, depressão ou outro transtorno psicológico.

Aqui vão alguns pontos simples, que a maioria das pessoas interpretam errado.

1 – Você Não Pode Estar Tão Mal, Tá Agindo Normal.

É muito comum pessoas acharem que eu finjo minhas doenças. Por que elas leem que eu tenho ansiedade, que eu tô em crise, querendo me mata, mas quando me encontram eu pareço “normal”. Eu cresci escondendo minhas emoções, eu fazia autoflagelamento de uma forma que minha mãe neurótica e hiperatenta não sabia. Eu sou suicida desde os 15 anos.

Eu treinei como esconder minhas emoções de todo mundo para que eu não fosse um fardo maior do que eu já sou. Eu posso estar com a ansiedade , sentindo taquicardia do meu coração pular do peito, mas você não vai notar nada. Por que eu não quero incomodar, não quero arruinar a saída de ninguém.

Já estive em festas dançando Beyonce balançando a mundo e pensando “Se eu tivesse me matado 3h atrás como pensei não ia precisar tá aqui”.

Então não é por quê a pessoa tá agindo normal que ela está bem.

2 – Isso Não É Sobre Você.

Todo mundo que tem uma pessoa próxima, especialmente se estiver em uma relação amorosa, com depressão/pensamento suicida/mental illness se sente responsável pela doença do outro. Como se houvesse algo que pudesse ter feito pra impedir ou para curar magicamente.

Literalmente, isso não é sobre você! Eu sou bipolar, eu tenho um desequilíbrio químico no meu cérebro, ninguém causou isso e ninguém vai poder mudar isso não importa o quanto me ame. O mesmo vale pra depressão. Doenças psicológicas não são falta de amor. Eu estaria assim com ou sem você.

Agora é extremamente ferrado eu ter que lidar com as suas emoções sobre a minha doença e a minha doença ao mesmo tempo. Eu não posso ficar cuidando das suas emoções e sentimentos quando estou em crise, por que o tempo que gasto com você é o tempo que eu não gastei ficando melhor e minha crise vai se agravando.

3 – “Não Se Mate, Eu Preciso de Você”.

Lembra o tópico anterior? Então, o suicídio continua não sendo sobre você. Eu sei que você quer achar um jeito de dar motivos para a pessoa não se matar, mas é muito provável que você esteja adicionando ainda mais pressão para alguém que já não está conseguindo lidar com a existente.

Muitas vezes o pensamento suicida não é sobre eu não tenho pelo que viver, mas sim sobre se sentir sobre carregado com tudo que acontece. De ter que atingir a expectativa de familiares, amigos sobre como sua vida. Pessoas com grande visibilidade em certos grupos que não lidam com a pressão de ser um exemplo.

Sabe a frase Não Desista, Alguém Pode Esta se Inspirando Em Você? Ela pode ser muito motivadora, mas ela também pode carregar o peso de pressão. Pra alguém que já está falando em cometer suicídio adicionar pressão não é uma boa opção.

4 – “Você Pode Falar Comigo”.

Novamente, lembra do ponto 2? Não é sobre você! Muitas vezes quem sobre de alguma mental illness não se sente confortável para conversa sobre. Nossa sociedade não aceita bem, somos fortemente tachados e julgados, então falar sobre isso é algo extremamente desconfortável.

Além disso, quando se está em crise é muito comum a pessoa se sentir um estorvo, sentir que está abusando ou sentir que está incomodando ao falar sobre isso. E um simples você pode falar comigo quando quiser não vai mudar isso.

É preciso criar um laço de confiança e manter esse laço para que a pessoa esteja disposta a se abrir com você. Ainda é preciso muita atenção a como você vai reagir e responder, por que tudo pode fragilizar e quebrar esse laço de confiança e consequentemente machucar quem tem mental illness.

5 – Por Favor, Seja Compreensível

Às vezes eu vou parecer bem, mas mentalmente eu vou estar mal e não vou conseguir fazer coisas simples como pegar um ônibus ou aparecer naquela saída que combinamos há uma semana. Muitas vezes eu não vou conseguir lidar com conversa com a maioria dos meus amigos, só com aqueles mais próximos.

Então se eu não estou respondendo suas ligações, mensagens é por que eu não estou em condições de lidar com isso agora, mesmo que eu esteja postando algo no facebook. Eu já vou estar me sentindo culpada suficiente, então por favor, seja um pouco compreensível e respeito o meu pedido de tempo/espaço.

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