De Moulin Rouge a Rent

maio 26, 2012 at 7:55 pm (aleatorias)

Troquei Moulin Rouge por Rent.

Sempre tive um caso com musicais, vi os clássicos todos quando criança, logo não lembro de nada deles. O primeiro musical que eu vi e me apaixonei conscientemente foi Moulin Rouge.

Devo ter assistido o filme mais de cinquenta vezes. Sei falas decoradas, números musicais e coreografias se tiverem. Meu primeiro celular tinha como toque um dos cancãs usado no filme.

Eu gostava de ver Satine morrendo por que me ajuda a pensar. Parte de mim gosta de fins trágicos, principalmente quando eu era adolescente. Eu amava e ainda amo a convicção de Christian em algo que ele nunca viveu.

E hoje parando pra pensar faz todo sentido isso. Eu tinha essa mesma convicção, coisa de adolescente mesmo, de quem tem todas as certezas do mundo só por imaginar. Quando você cresce e vive, vai tendo a certeza de que sabe ainda menos.

Eu perdi minhas convicções e não do jeito ruim de se pensar isso. Eu não tenho mais certeza de que não me casarei, de que não quero ser mãe. Já não tenho certeza de quem é o amor da minha vida, possivelmente é alguém que eu desconheço, provavelmente que não exista. Nos tempos de Moulin Rouge, eu tinha certeza de que era ele, hoje eu me sinto mais inclinada que de seria uma ela. Porém pode ser um ele também, não me importo com isso.

Hoje em dia eu não tenho mais a certeza de que vou enfrentar o mundo, escrever textos épicos e encontrar um amor idealizado. Hoje em dia eu só quero achar um jeito de pagar o aluguel.

Como eu disse, troquei Moulin Rouge por Rent.

Rent é um bando de artista falido lutando pra ser um de nós em vez de um deles. Em essência os dois filmes são de mesma temática, mas Rent é mais realista, mais palpável. Logico que o lindo ver o fantasioso mundo de Paris 1899, mas Nova York de 1989 se tornou para mim muito mais sedutor.

Vejo meus amigos quando assisto Rent, Tom Collins, Angel, Roger, Mimi, Maureen (insira suspiros aqui). Essa ideia de La Vie Boheme…

Sou muito mais Rent hoje em dia, fato. E gosto de ser assim. Com todos os defeitos e qualidade. Ver Rent me ajuda a pensar, me coloca no meu próprio eixo quando penso em desistir de tudo e me enfiar em trabalhos que odeio por motivos que não entendo.

Prefiro ser falida e feliz, me sinto mais honesta comigo mesma sendo assim.

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Sobre Limites

maio 14, 2012 at 3:49 am (aleatorias)

 

Apesar de ariana tenho uma natureza por demais avoada. Ou talvez isso seja uma característica ariana que não gostamos de assumir. Juntando isso a minha natural insegurança e temos meu problema em definir limites e relações.

Qual é o ponto de transição entre um conhecido, um colega, um companheiro e por fim um amigo? Em essência, acho bem desnecessário essa questão de rotular o que quer se seja, principalmente as relações. Entretanto por algumas questões sociais é preciso certas definições.

Qual é a forma correta de se desejar parabéns a alguém? Sei que quando estou apaixonada por alguém eu entrego um mixtape. Também é comum publicar textos em homenagem a pessoas que em marcam de alguma forma, falando sobre como se deu nossa relação, minha visão sobre a pessoa e outras coisas do gênero.

Alguns de quem não sou próxima, opto por ignorar, não por maldade ou falta de educação. É por não saber como fazer. Facebook é tão impessoal, parece que a pessoa apenas o faz por obrigação. Tweet é meio curto demais às vezes, SMS pode soar invasivo se não for habitual essa troca de mensagem.

Um email pode então parecer o mais adequado. Porem se mando uma frase ou duas, me sinto desperdiçando. Um paragrafo? Temos amizade o bastante para um paragrafo? Se faço uma das minha habituais piadas serei compreendida ou soarei importuna?

Deu pra entender a complicação? Não me sei porta, na maioria das situações eu não sei. Fico eternamente na dúvida de me portar exagerando ou demonstrando de menos. Deveria haver algum aplicativo para Androide que facilitasse e definisse o nível de relacionamento que as pessoas têm, o desejaria mais do que desejei o instagram.

 

P.S.: O que me motivou a escrever esse texto de hoje? Carla Gomes, minha editora e chefe de reportagem no NaTV está a aniversariar e não fazia ideia de como parabeniza-la.

Sinto que estou a quebrar um bom numero de protocolos, mas ela é uma pessoa que admiro do instante que conheci sua escrita e mais ainda à medida que fui conhecendo como pessoa. Inteligentíssima, é uma dessas pessoas que vale a pena conhecer.

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