Sobre carinho

janeiro 29, 2011 at 5:14 pm (aleatorias)

 

Vou fazer algo aqui no blog que eu não costumo e nem gosto muito de fazer. Vou dar nomes aos bois. Gosto de manter o anonimato das pessoas, afinal esse é um espaço para falar da minha vida e não da vida de terceiros. Mas certos carinhos precisam ser contados.

Não é que esteja sendo fácil. Esse é um momento meio surreal, sinto como se a qualquer instante minha mãe fosse gritar do quarto uma desculpa esfarrapa para me fazer ir ao quarto dela apagar a luz ou que ao chegar a casa eu daria de cara com ela deitada na cama vendo Law&Order:SUV e soltando comentários de como aquele japinha (que eu imediatamente corrigiria falando que é coreano) é tão foda que chega ser sexy.

É uma situação meio surreal, acho que em partes a ficha ainda não caiu, em partes eu estou operando no piloto automático. No entanto o fato é que ontem eu não imaginaria que nesse estado, não é que eu esteja bem, mas eu não estou tão mal quanto se esperaria.

E eu devo isso a todas as pessoas ao meu redor. Se eu tivesse ganhado um real para cada vez que escutei “Apesar dessa distancia pode contar comigo” eu não teria problema financeiro algum. Esse é um equivoco muito comum das pessoas e que me diverte bastante, achar que presença física é algo importante. Entendam ter pessoas por quem você tem um carinho enorme por perto é ótimo, mas amizade não baseada em presença, é algo metafisico, é um sentimento. Amigo é aquela certeza, é alguém com quem a gente se importa e quer bem e não faz diferença se ele mora na mesma casa que você ou em outro continente. Você se importa com essa pessoa e ponto. E esse é o sentimento que eu tive por todos eles, mesmo aqueles que eu não vi pessoalmente, mesmo aqueles que são recém-conhecidos ou aqueles que são amigos de tempos antigos que a rotina afastou. Eu me importo com eles e eles mostraram mais do que nunca, que se importam comigo.

Então sim eu estou bem graças ao tweet carinho da Nanda, da Larissa. Por causa das DM’s do Dud’s e da T-chan. Eu estou bem por causa da Gleycy que mudou a manhã inteira dela, da mãe e do namorado pra poder estar comigo desde o velório até o sepultamento. Pela SMS da Wyll. Pela vontade da Débora de trazer um emblema da grifinória para que minha mãe fosse enterrado com ela. Pelo choro apegado do Marcelo e por ele concorda que deveríamos ter cantado lady Gaga, que era uma musica bem mais a cara da mãe. Eu estou melhor por todas as pessoas que se lembraram de usar uma peça roxa durante o velório, era a cor favorita dela.

Eu estou bem por causa dos abraços roubados da Carla e também por aquele carinhoso P.S. no final de uma review. Pela review dedicada do Sil e pelo comentário carinhoso do Leco. Eu estou melhor graças a tarde com a Lê e com a Rafaela, por causa da Jessy lembrando de um pequeno comentário que minha mãe fez sobre ela (Foi tua mãe que disse que eu parecia saída direto de as Brumas de Avalon).

Eu estou bem por que a Taís tem me distraído e feito rir nesses últimos dias. Por que a Maria sem obrigação alguma escutou todos os meus medos e preocupações, se colocou disponível mesmo viajando para uma casa de praia e sempre respondendo quando eu mandava um tweet pedindo por ela. Pela Mei e nossas conversas sinceras.

Eu estou bem por que o Sirius me lembrou que para mentes bem estruturadas a morte é apenas a aventura seguinte e aqueles que amamos nunca nos deixam.

Eu estou bem por todos vocês que mostraram mais do que nunca como minha mãe é querida. Que me desejaram melhoras, que se puseram a disposição, que falaram mesmo que a mais boba das coisas ou até aqueles que não encontraram o que falar, mas que estiveram por perto.

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Sobre quem não deveria ir embora

janeiro 27, 2011 at 2:49 am (aleatorias)

Não era pra ter sido assim. Era só uma bactéria muito resistente no estomago, era só uma obstrução intestinal. Era para os médicos terem a solução, eles sempre davam um jeito, sempre achavam uma resposta. Tem sido assim desde os meus 14 anos. No entanto dessa vez eu não era a paciente, eu era a pessoa acompanhando, quem perdia as noites de sono preocupada.

Eu tinha olhado o presente de aniversario que eu ia dar a ela na manhã que ela foi para a UTI. Ela ia fazer 42 anos, tinha só 41 anos, 20 anos a mais do que eu tenho. Ia dar o box da primeira temporada de Criminal Mind, temporada que ela nunca conseguiu ver completa. Era a série que ela mais gostava, era a série que eu deixava para ver com ela. Eu nunca disse isso a ela, mas era o momento que eu tinha com ela, só nosso. Só a gente chamava o Reid de Escovinha, ela dizia que ele parecia uma escova de limpar espingarda, que era o magrelinho mais fofo que ela já tinha visto.

Minha mãe era pessoa mais incrível que você poderia conhecer. Ela era a mãe que aceitava todos aqueles estranhos com capas, maquiagem e o que mais eu e meus amigos pudéssemos inventar, ela aceitava até mesmo aqueles que os pais não tinham coragem de aceitar. Praticamente todos os meus amigos tinham minha mãe como mãe, muitos deles vieram sair do armário com ela por se sentirem mais a vontade com ela do que com os próprios pais.

Ela deve ser a única mãe que dava sermão usando as palavras de Alvo Dumbledore ou que citava Star Wars, Arquivo X, House. Foi ela que me fez gostar de Barrados no Baile. Ela foi comigo nos primeiros shows de rock não por que estava preocupada comigo, mas por que gostava das bandas. Ela cortou o cabelo curto por causa de uma personagem da primeira temporada de The OC. O toque do celular dela era uma das musicas de Glee, Halo/Walking On Sunshine.

Ela tinha muitos defeitos, a maioria deles eu acabei herdando. Brigávamos constantemente, parte por minha culpa, parte por culpa dela. Mas ela era minha mãe e de um jeito ou de outro acabávamos nos entendendo, nem que para isso eu precisasse suborna-la com o cd do Mama Mia, o único musical que ela realmente gostava.

Queria tê-la levado para ver a montagem em São Paulo desse musical, queria ter dado os ingressos do show do U2 e do Roxette. Queria ter dado o cruzei pelas ilhas gregas que eu sempre prometi que daria.

Queria ter que falar dela sem usar verbos no pretérito. Queria que ela estivesse aqui comigo, esse era o ano que eu iria começar de novo, curso novo e mesmo que ela não concordasse com isso ela iria estar comigo na minha formatura, fazendo questão de ser minha madrinha só para poder irritar meu pai. Ela era dessas.

Eu a quero aqui por um motivo egoísta, eu não estava pronta para ficar sem ela.

 

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Sobre alguém para conversar

janeiro 20, 2011 at 9:23 pm (aleatorias)

 

 

Esses últimos meses tem sido caóticos, mas acho que os últimos dias conseguiram ser ainda pior.

Eu sempre tive muita pose, sempre banquei a garota durona que sabe lidar com tudo e que nunca se deixa abater por nada. Tudo pose e convenhamos que pose é apenas uma forma bonitinha de dizer mentira.

Sempre fui assustada, aquela que nunca deixou ninguém se aproximar. E quando as pessoas conseguiam quebrar essa barreira, eu ia e larga elas no canto e ia embora. Não podia deixar que me magoassem. Estou trabalhando nisso, não é algo fácil, mas estou trabalhando.

Algo que eu nem sei lidar direito são com os problemas, não exatamente os problemas, afinal a matemática me ensinou que todo problema possui solução, mesmo quando é inexistente é ainda assim uma solução. Eu não sei lidar com notícias ruins.

A questão é, estou passando por uma situação complicada, essa semana ela foi se tornando mais difícil a cada dia e hoje ela atingiu um nível que talvez eu não consiga suportar. Quando eu recebi a ligação hoje de manhã, passei o dia esperando uma notícia ruim, não que eu desejasse que ela acontecesse, mas quando se trata de mim, eu sou inevitavelmente pessimista. E a noticia ruim veio, mesmo eu esperando por ela o dia inteiro eu não estava preparada para ela.

O que eu devo fazer, como eu devo reagir. Eu caiu no colo de alguém e choro? Eu devo ir lavar a louça ou comer um pote de margarina? Eu não sei o que fazer, eu sempre fui ótima em reconforta as pessoas, até mesmo estranhos, mas me deixar ser reconfortada é uma ideia quase assustadora. Meu desejo inicial normalmente é me trancar no quarto já que eu não caibo mais no guarda-roupa.

No entanto essa vontade deu lugar à outra, eu queria mandar um e-mail, deixar um tweet… Eu apenas não sei que palavras usar, como se eu estivesse intrometendo minha vida para essas pessoas que por fatores físicos nem mesmo me conhecem, então que direito eu tenho de mandar meus dramas a essas pessoas?

Em 21 anos e ¾ eu descobri que tenho a necessidade de ter alguém para conversa e o pior, eu descobrir que eu não sei como pedir isso ou como fazer isso. Como se no meio da conversa eu fosse travar, soltar uma piada estupida ou desviar o assunto para aquela série nova que saiu.

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Sobre Produção

janeiro 16, 2011 at 3:17 am (aleatorias)

 

Hoje não tem foto bonitinha, mas é bem significativa para mim. Explico já.

 

Eu guardo tudo, tenho caixas contendo as coisas mais bobas que vão de papel de bombom, origamis e ingressos velhos de filmes que eu vi. Tudo é cheio de historia e lembranças. Eu sou esse tipo de pessoa. Estava revirando tendo achar as edições do zine de uma amiga, sempre me faz sentir bem ler algo que ela escreveu. Nunca tive a chance de dizer a ela que era minha calma particular, mas isso não é o papo de hoje.

Revirando isso eu achei papeis da época que eu “trabalhei” com teatro.  Eu fui criado no espiritismo, minha família inteira é. Hoje em dia não sou mais, por diversas conjunturas. Mas eu cheguei a ir a grupo de jovens espirita (mocidade) mais do que isso, eu fui de grupo teatral espirita. Começou no carnaval de 2006. A mãe de um amigo meu me inscreveu sem eu saber num retiro espirita junto com os filhos dela. Ficamos revoltados, lógico, mas já que estávamos lá, fomos fazer as oficinas que tinham que fazer. Nós três fizemos a oficina de teatro. No ultimo dia do retiro iriamos apresentar um esquete montada por nós.

Senta todo mundo pra discutir como seria o esquete, quem faria o que e todo esse lance de pré-produção. Espiritismo tem que levar ao clichê do cara que morre e tem que lidar com as atitudes que fez em vida e bla³. Dá um desconto tínhamos de 14 a 18 anos naquele grupo. Rolava aquele empasse de como fazer as cenas já que não teríamos cortinas nem espaço para mudança de elenco ou cenário. E eu reparei no meu grupo que havia gêmeos.

Por que a gente não faz aquela cena emblemática do espirito encarando o corpo morto no chão e depois sendo levado a “julgamento” pelos seus atos, temos gêmeos aqui, um é o espirito o outro o corpo. Quando ele morrer se junta um grupo de curiosos pra ver, quando a gente se afastar todo mundo vai ver corpo no chão e o espirito em choque tentando entender. E de quebra podemos fazer todas as cenas como se fosse flashback, o júri num plano e as cenas ocorrendo atrás como se fossem narradas.

Estava decidido, depois foi escrever o roteiro, ensaiar um pouco e estamos apresentando a esquete. Eu não tinha papel, era produção, bastidores mesmo. Quando a esquete começou todo mundo estava distraído e eu lembro da cara de espanto de todo mundo quando viram o espirito e o corpo em cena. Os comentários e os elogios que lançavam ao vento dessa cena.

Adorei essa sensação de terem gostado de algo que eu fiz. Tanto que entrei para equipe do MOARJE (Momento da Arte Juvenil Espirita) queria sentir a sensação que se tem quando as pessoas aplaudem o seu trabalho. Um mês montando texto, ensaiando peça. No dia a correria pra preparar o teatro, acerta as marcações, terminar cenário, cuidar de som e iluminação. Trabalho de cão, mas no final todo mundo aplaudiu de pé, riu das piadas que eu escrevi. Aquele dia foi incrível.

Às vezes sinto saudade disso, não do lance espirita, mas do teatro, de trabalhar com produção, roteiro, bastidores. Eu não sou a estrela do espetáculo, que recebe os holofotes, eu fico atrás, nos bastidores, gritando com todo mundo para acerta os detalhes do espetáculo, eu sou aquela que controla os pitis dos atores e atrizes. É uma das coisas que eu gosto, trabalho de bastidores.

 

A foto é de um dos ensaios na esquete que eu contei para vocês.

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Sobre Private Practice

janeiro 14, 2011 at 3:50 am (aleatorias)

 

Eu comecei a ver Private por que uma amiga adorava a Addison e o spin-off dela. Não acho de forma alguma que PP seja melhor que Grey’s Anatomy. Cansei de falar que por mim pegava uns 3 bons personagens de Private, mandava pra Seattle e fechava a clinica. No entanto o destino me colocou nas review de Private no NaTV e essa quarta temporada me rendeu uma grata surpresa. O sétimo episódio dessa temporada, Did You Hear What Happened To Charlotte King?, é um dos melhores episódios que eu já vi. Nível tiroteio na escola em One Tree Hill. E depois deles os episódios se tornaram tocantes pra mim.

Talvez seja a fase que eu me encontro. A linha A Flor Da Pele do Zeca Baleiro (Ando tão à flor da pele, Que qualquer beijo de novela me faz chorar,) acho que venho me deixando tocar mais do que o habitual pelas musicas, pelos filmes e principalmente pelas séries.

Estava assistindo o episódio de retorno de Private. Violet havia sido atacada no começo da temporada anterior, uma paciente psicótica atacou e tentou fazer uma cesariana caseira para roubar o bebê da terapeuta. Obvio que isso causou um trauma profundo na personagem. Nesse episódio de retorno ela conta que uma das formas que ela teve de se recuperar foi escrever sobre ela, sobre a vida dela e sobre todos os seus traumas, antigos, novos, bobos ou relevantes. E quando ela deu por si eram 837 paginas e que poderiam se torna um livro publicado se ela assim o quisesse.

A questão é, você quer que as pessoas, completos estranhos, tenham conhecimento de acontecimentos tão íntimos seus?

Eu sempre me pergunto isso quando escrevo aqui ou em qualquer outro lugar na internet. Eu quero que leiam sobre isso? O que vão achar de mim? E se aparecer algum maluco psicótico tipo o Psycho Derek de One Tree Hill?

Mas na minha cabeça se não existem comentários é por que ninguém leu. Sempre fui acostumada à invisibilidade, eu era a garota de óculos sentada no banco da escola lendo um livro por quem todos passavam e ninguém notava. Para mim na internet eu seria a mesma pessoa. Então eu sempre me assusto quando alguém diz que lê o que eu escrevo. Sempre me questiono se devo continuar escrevendo.

No episódio Violet decide que sim vai publicar seu livro quando Charlotte agradece por ela ter compartilhado uma historia traumática e delicada similar a que ela viveu, ou escutar a historia de Violet, Charlotte se sentiu menos sozinha no mundo.

Quando o Victor vem no MSN contar que se emocionou com o meu texto, quando eu leio um comentário tão doce quando o da Danni no ultimo texto, quando o Autor me diz: “ficou lindo, tocante e a sua cara”. Eu percebo que não quero parar de escrever, por que quando eu escrevo, mesmo acreditando que ninguém vai ler, eu deixo de me sentir sozinha. E se uma única pessoa ler e não se sentir mais tão sozinha vai ter valido a pena escrever.

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Sobre Grey’s Anatomy

janeiro 8, 2011 at 6:05 pm (aleatorias)

 

Um fato engraçado sobre mim, quando eu estou vendo o episódio eu já vou pensando no que comentar e não é apenas nas minhas reviews, mas é principalmente aquilo que eu vou deixar de comentário na review dos outros colaboradores do NaTV. Alguns casos são mais fáceis, pois eu já conheço o estilo de review que eles vão fazer e já sei como comentar.

Grey’s Anatomy é um desses casos, eu conheço o estilo de escrita do Silvestre. O quanto ele é emotivo em cada letra, você sente o quanto ele é apegado àquela série e aqueles personagens. Assim como quando eu assisto Grey’s tenho uma explosão de sentimentos, quando eu leio a review dele eu tenho a explosão de sentimentos que ele teve ao ver o mesmo episódio.

Talvez seja por isso que nos textos dele eu tenha uma facilidade em falar de mim. Eu acabo sempre me expondo, acho que até demais, nos comentários que deixo.  Mas este comentário em questão é tão pessoal e tão grande que acabou se tornando uma postagem no meu blog.

 

Eu tentei medicina por dois anos, me preparei durante 3 (segundo ano, terceiro ano e um ano de cursinho). E acredito que esse tenha sido o meu maior fracasso, eu não fui capaz nem mesmo de passar da primeira fase do vestibular. Veja bem, eu sempre fui uma das primeiras da turma, aquela que não tinha vida social, que não se relacionava por que estava estudando. No ano do cursinho era de 7 às 21h praticamente na escola e chegando a casa estudava até as 2 ou 3 da manhã.

Não adiantou, mesmo comendo os livros me faltaram umas 4 questões para passar para segunda fase. Eu já tinha uma vaga no curso de química, não iria aguentar outro ano como aquele, então eu disfarcei minha desistência na forma de uma escolha. Estava escolhendo a química. Todo mundo acreditou naquilo, confesso que até eu comecei a acreditar. No entanto não durou, eu que já tinha experiência no currículo, que tinha um projeto em fase de finalização num dos melhores laboratórios da universidade me vi largando tudo e desistindo.

Eu me tranquei no quarto por uns 5 meses, não recebia visitas, não saia, não fazia absolutamente nada. Arranquei toda a decoração do meu quarto. O quarto sempre foi uma forma de expressar quem eu sou, naquele momento eu não era nada. Absoluta e completamente nada.

Me internei, recebi alta e fui levando aquilo do único jeito que eu sabia, contando pequenas mentiras. A verdade é que o mundo não se importa se você está bem, se importa se você vai dizer que estar bem. Falando isso todo mundo vai acreditar, mesmo quando é uma mentira. Foi o que eu fiz, me livrei do mundo para poder ir me curando no meu tempo, do meu jeito sem importunos. Seria estupido vir aqui, onde sempre sou franca, e falar “Pronto, eu consegui, sou uma pessoa feliz e satisfeita!”. Não sou assim, estou longe de ser.

Porém eu venho me descobrindo. Sabe quando você e adolescente e tenta encontrar o seu lugar, o seu espaço, aquilo que você é. Eu sempre disse que sabia tudo sobre mim, que estava no controle, até o dia que meu mundo virou de ponta cabeça. Com que cara eu ia chegar e contar que estava aterrorizada e perdida quando todo mundo estava impressionado com como eu lidava bem com tudo que acontecia comigo? Eu fiz a pose e todos acreditaram.

Porém agora eu não quero mais fazer pose nenhuma, eu estou perdida, estou com medo, preciso de colo, de alguém que me escute, de alguém… Qualquer um.

O bom que no meio dessa loucura eu estou me encontrando aos poucos. Estou redescobrindo o quanto eu adoro escrever, estou descobrindo amigos em completos estranhos cujo rosto eu nunca vi pessoalmente, estou redescobrindo meu gosto pelos livros, filmes, séries, musicas. Estou descobrindo que eu adoro pesquisar, que eu adoro falar sobre tv, que eu gosto de opinar, mesmo que ninguém leia minha opinião sobre algo.

Eu não sou a Camila que acha que tem que fazer medicina e não faz por que tem medo. Eu seria uma péssima medica, me envolveria demais com os pacientes, eu não conseguiria ficar diante de um atirador que colocou em risco a vida de dezenas de pessoas e continuar fazendo uma cirurgia para salvar a vida dele.

Eu preciso me expressar, mesmo que ninguém preste atenção, mesmo que isso nunca vá mudar o mundo. Eu queria salvar o mundo uma vida de cada vez, eu quis mudar o mundo uma cabeça por vez. Agora eu vou tentar salvar a minha vida e cuidar da minha cabeça, é o melhor que eu posso fazer.

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