Violetas…

março 17, 2015 at 2:21 am (Contos) (, )

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Ela estava atrasada, ela sempre estava atrasada e vinha com aquele sorriso nos lábios, aquele que eu sabia que nunca seria capaz de resistir, que dizia silenciosamente um pedido de desculpa que já havia dado no instante que meus olhos batessem em sua presença. Oh céus, como ela conseguia me deixar boba, eu imaginava que a essa altura, nessa idade eu já teria aprendido, mas não.

– Desculpa… – Ela disse sem jeito.

– Tudo bem. – Respondi lhe dando uma piscada cumplice de olho.

– Eu não sabia o que te dar de presente… Então comprei isso. – Ela me mostrava um adorável buque de violetas, não consegui controlar o sorriso. – O que foi?

– Nada, apenas lembrei de um fato sobre essas flores.

– Qual? – Eu não queria responder, não ali na frente de todos, seria impossível explicar sem me revelar demais. Eu não queria que isso acontecesse bem não na frente de todos, em partes não na frente dela também. Estava bem como estava, eu aceitava a impossibilidade desse relacionamento. Saber que ainda tinha capacidade de sentir todos esses sentimentos por alguém estava sendo o suficiente por hora. Ainda não me sentia pronta para me arriscar por alguém novamente.

– Nada, eu lhe conto depois o que é… Não aqui e não agora.

– Por favor… –Lá vinha ela com aqueles olhares e sorrisos, ela já deveria saber que eu não conseguiria resistir. Eu nunca conseguia.

– Bem… Entre 1910 e 1950 essas flores eram usadas como símbolo…

– Para representar o interesse entre lésbicas e mulheres bissexuais. Dar um buque de violetas era a forma que as mulheres achavam de se cortejar naquela época. – Ela sabia, eu não acreditava, ela sabia.

– É. Você sabe.

– Sim…

– Isso quer dizer…

– Sim.

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My One Tree Hill

agosto 19, 2010 at 3:56 pm (Contos)

Gosto de muitas coisa. Existem 3 coisas que eu gosto mais: Escrever, séries e música.

Às vezes eu consigo unir uma outro coisa. Há um tempo atrás eu tive vontade de ser roteiristas, acho que todo fã de séries vez por outra tem essa vontade. Não dei seguimento assim, mas uma vez ou outra eu me vejo escrevendo um roteiro. Algumas vezes é uma serie nova (tenho pelo menos 3 ideias engavetadas) outras vezes é uma releitura, aquela cena que não ficou do meu agrado eu refaço.

Refiz duas cenas da season finale da quinta temporada de One Tree Hill. São duas cenas Leyton (Lucas e Peyton), eles nem são meu casal favorito. Na verdade eu detesto esse casal, detesto o Lucas, mas a Peyton é uma das minhas personagens favoritas no mundo da TV. Só que isso é assunto para outro texto.

Vamos as cenas

Trilha Sonora: Leave out all the rest

Aquela semana fora difícil, não importava o que Haley disse ou fizesse. Nada mudava a sensação que ficara em Peyton depois de escutar “Eu te odeio, queria que nunca tivesse voltado”. Havia se enfiado no trabalho, mas o coração andava machucado, ele estivera assim pelos últimos três anos, porém nunca dessa forma.

– E esse é mesmo o cara que disse que conhecia a Ellie. Ah, Mia, se você vê-lo hoje à noite pode fazê-lo me ligar? Ei, eu preciso ir, ok? Tchau.

Lá estava Lucas, ela conhecia aquela cara de arrependido, mas aquilo não era o bastante. Sabia o que iria significar aquela conversa, rezou para que pudessem adiar aquilo por mais um tempo, não esperava que ainda fosse doer tanto.

– Eu não te odeio.  Eu lembro da primeira vez que te vi… Com braços magrelos e cabelos bagunçados. Foi difícil me desprender de você, Peyton. Você sabe, foi difícil perder você, e foi difícil te ver de novo. E ainda é muito difícil.

Ela lhe olhou com os olhos cheios d’água. De fato eles haviam acabado. Não imaginou que presenciar um fim pudesse ser tão doloroso.

– Eu sei. Você não me odeia, mas já não me ama mais. Isso se um dia aquilo que tivemos foi amor.

– Foi amor, não duvide do que fomos. Aquilo foi verdadeiro e sincero do contrario não seria tão difícil hoje nos encarar.

– Amor não é amor que se altere quando encontra alteração. Lucas, nós não aguentamos o primeiro grande obstáculo. Você foi e ainda é uma grande parte da minha vida. Eu achei que sempre o teria ao meu lado.

– Pensamos muito coisa.

– Você sempre esteve para me salvar e seria impossível não se apaixonar por alguém assim. No entanto você não pode me salvar de mim mesma. Você não pode lutar minhas batalhas. Chegamos ao ponto que não temos mais para onde ir. E eu não sou quem você é talvez nem seja quem você precisa.

– Peyton…

– Não Lucas, me deixa terminar… Eu sei que causei magoas, mas não é isso que eu quero deixar quando chegar minha hora. Por favor, esqueça os erros que cometi, esqueça todas as magoas que você aprendeu a esconder tão bem.

– Eu não guardo lembranças ou magoas de você.

– Guarda como disse. Senão não seria tão difícil nos encarar. Enquanto eu durmo, eu tenho esse sonho em que nós estamos juntos naquele hotel em L.A., e você me pedia em casamento e todas às vezes, eu digo sim.

– É só um sonho, certo?

– É o meu sonho. Talvez sempre venha a ser.

– Eu sempre vou sentir a falta de quem fomos, mas…

– Eu sei, acabou.

– Não a nada de errado com você, Peyton. Nunca houve, nós só nos perdemos no meio do caminho.

– Quem sabe um dia possamos nos encontrar outra vez.

– Quem sabe…

– Um dia.

Trilha Sonora: Pixie Lott – apologize

– Alo?

– Hey, sou eu. Olha eu estou no aeroporto e tenho duas passagens para Vegas. Você quer casar comigo está noite? – Não houve resposta apenas a respiração do outro lado da linha – É a nossa segunda chance, não deixa que erros antigos se repitam, estou te esperando… Nosso voo sai daqui a duas horas.

Peyton estava estática do outro lado da linha. Nem notara já havia desligado o telefone. Lucas acabara de pedi-la em casamento, mais que isso pedira para ir agora para Vegas.

Lucas estava inquieto, será que ela aceitaria? Será que ela chegaria a tempo de pegar o voo… Andava de um lado para o outro, levando breves sustos sempre que a porta do aeroporto se abria.

Abriu mais uma vez… E aquela foi à visão mais linda que ele já teve, desde a final do campeonato que eles ganharam, Peyton vinha apressada, caminhava em sua direção. E aquilo lhe trouxera uma felicidade inconfundível, mas que durou pouco tempo. Ela não trazia bagagem. Ainda assim ela trazia um sorriso infantil, um sorriso que ele amava ver e que não aparecia há alguns anos.

– Luke?

– Sem bagagem… Outro não ou você acha que não precisaremos de roupas lá?

– É bom ver você com um pouco de humor… Você estava realmente falando serio?

– Eu estou num aeroporto não estou… Estava lhe esperando também.

– Luke eu sempre te amei, provavelmente eu sempre vou te amar. Mas você precisa parar com isso de amar uma garota agora e cinco minutos depois amar outra.

– Peyton, eu achei que fosse seu sonho casar comigo.

– E é… Eu preciso de você como um coração precisa bater.

– Mas?

– Não é justo comigo, até hoje de manhã você estava sofrendo de amores pela Lindsay… Se for para ficarmos juntos que seja de uma vez, sem duvidas. Não apenas para ocupar um buraco no seu coração. Eu quero que você seja feliz… Se você ama a Lindsay como disse que amava então vá atrás dela, não tente procurar consolo em outra pessoa.

– E se a Lindsay tiver sido um consolo por que eu não tinha você? – Peyton estava a beira das lágrimas, como era difícil fazer o que tinha que fazer.

– Alguns anos atrás, o Jake fez um gesto que só agora eu compreendo como foi lindo. Ele pediu que eu seguisse meu coração… E meu coração me levou até você. Agora eu irei lhe pedir para fazer o mesmo.

– Peyton…

– Eu sei que você tem duvidas, vá para Vegas… Pense um pouco, é bom ficar só às vezes Lucas, se quando você voltar eu ainda estiver no seu coração. Eu mesma farei o pedido de casamento.

– Eu estava certo, o seu destino é ser grandiosa Peyton Sawyer… – Lucas se aproximou, segurou o rosto daquela menina com delicadeza e olhou aqueles olhos que o encantavam e beijou-lhe.

Por um segundo Peyton sentiu que se perdia, que perdia a consciência. Desejou negar tudo que havia dito e aceitar de uma vez aquele louco pedido de casamento. Esquecer os se nãos da vida, esquecer que aquilo poderia ser mais um impulso dele. Mas resistiu.

– Vai Lucas…

– Peyton… Desculpa

– É tarde demais para desculpar… Vai e se você voltar eu estarei aqui.

– O garoto viu um cometa, e sentiu que sua vida toda começou a ter sentido.
E quando ele foi embora, esperou a vida inteira para que ele voltasse novamente…

– Era mais do que um cometa, pelo que trouxe para a vida dele, direção, beleza, significado. Tiveram muitos que não puderam entender, e às vezes ela passou por eles. – Lucas riu por ver que ela sabia completar sua frase – Mas até nas suas piores horas, ele sabia em seu coração que algum dia, iria voltar para ele. E seu mundo estaria completo de novo. E sua crença no amor e na arte divina renasceria em seu coração.

– Você já sabe que eu vou voltar…

– Eu espero que volte, mas se não voltar saberei que vai estar feliz e isso já é um bom começo.

Ele se virou como medo de que se olhasse mais uma vez aquele sorriso desistisse de ir atrás do que seu coração desejava. Lucas embarcou esperando poder voltar em breve.


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A Espera

agosto 12, 2010 at 6:03 pm (Contos)

Início de agosto, as férias quase no fim e lá estava eu sendo levada a passar os últimos dias naquele fim de mundo, Mistic River era uma cidade pequena cheia de lendas. Não que eu acreditasse nisso.

Minha pele era branca demais, meu cabelo naturalmente era escuro demais e nem ao menos a sorte de nascer com os olhos azuis ou verdes eu tive. Lá estava eu encostada no vidro frio da janela do trem, escutando minhas músicas nas alturas. Quando ele passou pela minha cabine. Um garoto com uma beleza de fazer o coração parar, possuía uma elegância quase irreal, a pele branca com uma quantidade charmosa de sardas próximo ao nariz,  o cabelo despretensiosamente caído quase lhe cobrindo os olhos. Quando ele me encarou, os olhos mais lindos que eu já vira, de um verde onde seria capaz de me afogar. O imprevisível aconteceu, ele sorriu para mim como se quisesse que o seguisse.

Sem pensar em minhas ações, lá estava eu seguindo aquele estranho pelos vagões. No último ele entrou, segurou a porta. De frente para mim, mantinha o sorriso capaz de iluminar uma cidade.

– Você devia se segurar, o trem logo vai parar.

– Não estamos perto de chegar. Agora que vai dar 18 horas!

– O trem sempre para às 18. – Foi só o tempo dele terminar a frase e o trem parou antes mesmo que eu pudesse me segurar e lá fora eu ao chão. Ele se aproximou como se tivesse a intensão de me segurar, no entanto se refreou.

– Não posso tocar você…

– Pode se quiser, lhe dou permissão.

– Não devo, nem ao menos sabemos os nomes um do outro.

– Lilian.

-Significa pureza, inocência. Me chamo Laurent. Comigo você não precisa ter medo.

– Não tenho– O que era verdade, aquele rapaz me dava uma calma que nunca tive antes.

– Você já teve a sensação de passar a eternidade esperando por alguém? Era por você que estive aqui esperando esse tempo todo.

– Por favor, toque em mim! – Eu suplicava, precisava sentir que tudo aquilo era real, que ele estava ali comigo.

– Feche os olhos e confie em mim.

Sem dar resposta, fechei os olhos e senti as costas de seus dedos contornarem o desenho do meu rosto, se fixarem em meu queixo sustentando-o e com a suavidade senti seus lábios tocarem os meus, sem pressa de uma forma que me fez perde os sentidos. Quando acordei o trem já havia chegado a estação, vovó acenava para que eu descesse e Laurent havia sumido. Quando saia da estação um quadro me chamou a atenção, não poderia ser. Reconhecia aqueles verdes olhos.

– Vó, quem é na pintura?

– O filho dos homens que construíram essa estação, uma belo rapaz não é. Pena ter morrido tão jovem.

– Ele morreu? Quando?

– Nesse mesmo dia em 1847, dizem que ele estava nesse trem quando ocorreu a fatalidade e que continua lá esperando por algo que o liberte.

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