Sobre Precisamos Falar Sobre Sexo

setembro 23, 2015 at 1:44 am (aleatorias) (, )

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Estava tranquilamente na minha vendo alguns vídeos no youtube percebi que existe um problema comum que afeta a maioria dos jovens. A falta de educação sexual, quando eu e refiro falta, não apenas a não existência de educação sexual, como também a educação sexual dada de forma errada. Outro ponto, quando eu digo jovens, não é apenas me referindo a adolescentes de 12 a 18 anos não, tem muita gente de 20 e tanto, talvez 30 com má informação sobre o tema.

Precisamos começar a falar de sexo. Eu dei sorte, tive bons professores de biologia desde o meu ensino fundamental que trataram bem questões como DST’s, métodos contraceptivos, sexo seguro e as mecânicas básicas do sexo entre homem e mulher cis. Além disso, meus pais sempre foram bem receptivos as minhas dúvidas, então cheguei a ter conversas sobre não apenas a mecânica do ato sexual, mas implicações psicológicas e emocionais que isso pode trazer, como lidar com pressão social ou pressão vindo dentro de uma relação, segurança emocional. Fui educada sabendo que sexo é algo bom e prazeroso onde as duas pessoas devem ter interesse em realizar, sabe o papo do consentimento. Exploro meu próprio corpo desde os 13 ou 14 anos, sexualmente eu sou uma pessoa bem confortável, não vejo nada no sexo como um grande tabu, duas pessoas de acordo é show de bola.

Agora eu tenho amigas adultas que viram Glee e vieram me perguntar se com um cara ejaculando numa jacuzzi realmente uma mulher poderia engravidar. Outra amiga não fazia ideia do que era HPV. Também teve o caso de uma que por não ter rolado penetração pênis/vagina, mas praticamente todo resto rolou ela estava em dúvida se era ou não virgem. Em contra partida havia quem achasse que se pode perder a virgindade num exame ginecológico.

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São absurdos desses que me deixam preocupada, fui perguntar alguns amigos e amigas e apenas outras duas pessoas tiveram boas aulas sobre sexo na escola e via de regra pais não falam nada, é na lei do se vira sozinha e aprende na marra. Ai sabe como esse pessoal aprende sexo? Jogando no google e acha que vídeo do XVideos ensina alguma coisa.  Pornô é tão educativo para sexo quanto achar que com 11 temporadas de Grey’s Anatomy você tem um diploma de medicina.

Quando eu fiz sexo pela primeira vez foi com um cara que eu não tinha o menor interesse. Sério, só fiz sexo com esse cara por que ele estava lá, poderia ter sido qualquer pessoa que não faria muita diferença. Mas sabe o que fez toda diferença? Eu quis fazer sexo, estava preparada pra fazer sexo emocionalmente e psicologicamente, eu sabia que aquela vez não iria significar nada, que o intuito era apenas obter prazer momentâneo e eu queria aquilo na hora.

Dado toda educação sexual que eu tive na minha vida eu consigo entender perfeitamente que ás vezes sexo é apenas sexo, suas pessoas querendo sentir prazer naquele momento, onde não há necessidade de envolvimento emocional. E esse tipo de pensamento ajuda muito a acabar com o slut shamming, se você não achar que sexo é um ato muito importante e sagrado que deve ser resguardado para pessoas que se amam e qualquer baboseira romântica absurda que tendo empurrar na gente você não vai julgar se a pessoa tá fazendo sexo por ai.

Mas a mesma educação sexual também me fez entender que eu não estava preparada para fazer sexo aos 15 anos com meu primeiro namorado, afinal e se ele terminasse comigo depois? Como eu iria me sentir, o que eu iria pensar? Algumas pessoas de 16 anos tem mais maturidade emocional para lidar com isso do que muitas pessoas de 30. Sexo é muito de cada caso ser um caso mesmo, ter uma boa educação sexual apenas ajuda muito.

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Além disso, é importante se falar de sexo como algo além de pênis na vagina. Existem tantas formas criativas e divertidas de se fazer sexo, pênis na vagina é possivelmente a parte mais chata e menos prazerosa do ponto de vista feminino. As escolas precisam falar sobre sexo oral, sexo anal, sexo entre dois homens e sexo entre duas mulheres por que sim, algumas DST’s podem ser transmitidas no sexo oral e no sexo anal, além disso existem lésbicas, gays e pessoas bi nas salas de aula e essas pessoas não tão tendo informação na forma delas de fazer sexo. Educação sexual tem que ser para todos.

Se você tem primo, sobrinho, afilhado, filho, filha, afilhada, sobrinha, prima ou é vizinho de alguma criança ou adolescente fale de sexo com eles. O momento certo de se falar sobre sexo com uma criança é quando ela pergunta, por que significa que ela tem duvidas, você não precisa fazer uma apresentação em power point do Kama Sutra, mas responda o que ela pergunta, não torne sexo um bicho de sete cabeças.

E mesmo sendo uma pessoa crescida fale de sexo com seus amigos sem a ideia de que isso é algo para se constranger, troca ideias e experiências, expanda seus horizontes. Infelizmente tá existindo uma geração que acha que sexo é o que tem em livros como 50 Tons de Cinza que é algo doentio, patológico e um retrato equivocado do que é BDSM.

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Sobre… Essa semana.

setembro 19, 2015 at 3:31 am (aleatorias)

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Você já teve uma semana ruim, eu quero dizer realmente ruim. Não uma semana onde você estava cansado de acordar cedo e ir trabalhar por que preferia estar na praia lendo um livro, não uma semana onde você ficou usando o meme queria estrela morta. Eu quero dizer uma semana realmente ruim.

Uma semana onde você dormiu e acordou chorando. Uma semana onde você não trocou de pijama, uma semana onde cruzar a porta de casa lhe causou taquicardia e tremores de ansiedade. Uma semana onde você se trancou no quarto e se isolou do mundo a ponto de assistir quatro temporadas completas por que você precisava desligar seu cérebro um pouco.

Obvio que nem todos os momentos foram ruins, aqui e ali você riu, aqui e ali você foi capaz de se sentir você mesma um pouco. Você pensou que isso é só uma semana ruim que vai passar, eu já passei por semanas piores, você até conseguiu racionalizar.

O pior de semanas como essas não é nada do que eu disse. O pior é algo que eu não sei explicar, é uma auto sabotagem. Por que você sabe que tá pesado e que ter alguma forma de apoio é o que você precisa. O problema é que conseguir verbalizar isso é complicado.

Você não pede por ajuda num sentido de que você quer se sentir mal por não ter ajuda, você quer no fundo da sua mente algo justifique todos esses maus pensamentos. Você quer que aquela vozinha dizendo que ninguém se importa com você seja verdade, você quer sentir que não faz a diferença realmente. Então você não pede por ajuda e tem raiva do mundo quando ninguém oferece, sendo que você andou mentindo o tempo inteiro, você colocou a sua melhor mentira, o seu sorriso falso mais verdadeiro para que ninguém percebesse.

Você vai dizer que não podia falar nada por que pessoa X estava feliz, estava tudo indo bem na vida dela que seria injusto você atrair essa pessoa para a bagunça que você se encontra e no final você sempre lidou com isso sozinha mesmo. Você vai dizer que não podia falar por que pessoa Y já tem tantos problemas por si só, jogar mais esse peso nas costas alheia, um peso que nem pertence a ela seria egoísmo seu, você consegue dar conta disso sozinha como sempre fez. Você vai dizer que não pode falar por que pessoa Z está afastada, seria muita sacanagem ir atrás dela agora apenas para desabafar, que tipo de amiga seria você.

É isso você é apenas uma pessoa que se importa demais com os outros e não quer incomodar ninguém, por isso você sorri e diz que tá tudo bem e vez seu melhor otimismo antes de chorar até dormir.

É injusto o que você está fazendo, você sabe que é injusto ter raiva dos outros por algo que você está fazendo. Você tem raiva de si mesma por ter essa raiva e você nem esta mais exigindo nada de ninguém, você só também não fala nada ou fala o superficial, aquela parte otimista que diz “eu dou um jeito nisso, eu sempre dou” enquanto você vai repetindo pra si, é só uma semana ruim, vai passar.

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Livros 2015: Os Quadrinhos Que Eu Li e Esqueci de Escrever.

setembro 9, 2015 at 8:25 pm (livros) (, , , , , , , , , , )

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Eu estava de boas relendo Laços e Lições pra escrever aqui pro blog quando me toquei que eu Arlequina e Miss Marvel e esqueci de escrever sobre os dois aqui. Ai eu pensei em juntar tudo, fazer uma postagem linda de quadrinhos e depois tentar ser uma pessoa menos procrastinadora e os livros, quadrinhos e mangás que eu terminar de ler escrever aqui. Aviso que provavelmente continuarei enrolando, mas pelo menos uma hora eu juro que escrevo.

 

Arlequina – Uma Estranha no Ninho.

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Arlequina é um dos títulos dos Novos 52, que é o penúltimo reboot do universo DC. Sim, você leu certo, penúltimo, por que vão rebootar de novo, mas se você nunca leu nada de quadrinhos da DC, acho que os Novos 52 são uma boa pedida. Estão tentando e falhando miseravelmente colecionar a mensal da Arlequina por motivos de é amor demais e por que com o filme do Esquadrão Suicida vindo ai eu decidi que era hora de ficar familiarizada com o que tá rolando no universo dela.

Uma Estranha no Ninho não é uma revista de origem, ela já é a Arlequina mesmo, ela já se livrou do Coringa, o que acontece é que agora ela vai sair de Gotham e se mudar para Nova York numa espécie de recomeço a lá Arlequina.

Esse primeiro volume contém 188 paginas, acredito que 3 ou 4 historias. A introdução da revista é bem divertida, cheia de metalinguagem, homenagem a vários quadrinistas. As historias começam muito boas, engraçadas e de rápida leitura, mas a qualidade foi caindo e quando você chega na ultima página tudo pegou um tom nonsense que não ficou tão bom. Ainda não comprei o segundo volume, mas em breve devo fazer isso.

Miss Marvel Volume 1

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A Panini já anunciou que vai lançar a revista da Miss Marvel num encadernado próprio ainda esse ano aqui no Brasil, acontece que eu sou péssima com esse lance de esperar. Acabei lendo o primeiro volume em inglês mesmo e estou completamente apaixonada pela Kamala Khan.

Vejam que ela é uma adolescente de origem paquistanesa vivendo nos Estados Unidos, apenas por isso eu já leria um quadrinho sobre ela, afinal dilemas e questão não faltam, agora ela é uma garota nerd fã de super heróis que ganha super poderes. Se você é um pouco familiarizado com o universo Marvel percebe logo no começo que ela é uma inumana. Quando ela ganha os super poderes decide que vai ser uma heroína e usa o nome de Miss Marvel em homenagem a sua heroína favorita, Karol Danver que é atualmente a Capitã Marvel.

Ela é basicamente o Peter Parker mulher e sem o drama de perder os pais e o tio Ben. Então é uma leitura muito divertida, você se apega muito fácil a Kamala, você se reconhece muito nela também e o quão incrível é você ter a ideia de milhares de pessoas no mundo tão se identificando e se reconhecendo uma garota paquistanesa. Isso é enorme.

Laços

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Laços é o segundo título publicado pelo projeto Graphic Novels MSP, que é uma releitura dos personagens do universo Turma da Mônica feita por novos autores nacionais. Essa edição é realizada pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi numa obra linda que agrada a todos, mas especialmente os fãs da turminha e dos filmes dos anos 80.

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O roteiro traz diversas referencias a filmes dos anos 80, Laços tem um clima muito similar a de os Goonies, é uma aventura que traz uma mensagem de amizade. A sequencia inicial da revista é uma clara referencia aos filmes do John Hughes, especificamente Curtindo a Vida Adoidado. Além disso, tem um easter egg divertidíssimo que é a inclusão da turma do Bolinha em alguns pontos da historia.

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O Victor ficou responsável por fazer o desenho principal da historia, onde a turminha está entre os 6 ou 7 anos. Já a Lu ficou encarregada dos Flashbacks, onde a turma é mais baby e ainda conta uma historia do próprio Mauricio de Sousa. E eu preciso dizer que ela rouba a cena completamente, o Vitor tem já um traço muito fofo, mas a Lu é infinitamente mais fofa no traço dela, você fica completamente apaixonada desejando ler tudo que essa mulher desenhar na vida.

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Caso alguém desconheça a historia. Em Laços o Floquinho, cachorro do Cebolinha sumiu, e a turminha resolve se juntar e ir atrás do cachorro custe o que custar. Então tem mesmo essa pegada de aventura e um pouco de ação, mas o que fica é a mensagem de amizade e companheirismo, principalmente a que você vê na relação do Cebolinha com o Cascão já que os dois personagens tem muito mais destaque aqui.

Lições.

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Lições é a “continuação” de Laços, por assim dizer. Vitor e Lu Cafaggi retornam a Graphic Novel MSP com uma nova historia pra Turma da Mônica. Eles ainda trazem a mesma fofura e graça do traço que tinham na edição anterior, mas dessa vez com menos aventura. Lições é uma historia muito mais emocional e confesso, chorei um pouco lendo.

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O foco continua sendo a amizade, acho que esse é sempre o foco quando se trata da turma da Mônica, mas dessa vez houve um destaque bem maior para Mônica e para a Magali, a relação delas foi explorada. Nessa historia a turminha tenta fugir do colégio por que esqueceu de fazer a lição de casa e nisso a Mônica acaba quebrando o braço, por isso os pais das crianças, incentivados pela diretora, decidem que eles precisam passar menos tempo juntos e a Mônica será transferida de colégio.

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Eu fui uma criança que mudava constantemente de escola quando criança e mudar de escola significa perder seus amigos. É horrível, a Lu quando esteve aqui em Fortaleza compartilhou que viveu uma situação dessa, de ter a melhor amiga transferida do colégio e acho que essa foi uma grande fonte de inspiração e o que trouxe o realismo de como as duas meninas se sentem.

O clima dos anos 80 ainda se mantem, temos aqui referencias a De Volta Para o Futuro e Te Pego La Fora. Enquanto lia eu sentia muito o clima de Clube dos Cinco, as historias independentes, aquela coisa meio existencialista do filme, conversando com os autores foi revelado que foi uma coincidência, não aconteceu uma referencia intencional como havia acontecido anteriormente. Talvez seja um reflexo da infância mesmo do Vitor.

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Eu não esperava gostar mais de Lições, por que Laços foi uma experiência incrível de leitura, mas acabei preferindo muito mais essa segunda historia e acho que é uma leitura que qualquer pessoa gostando ou não de quadrinhos, gostando ou não da Turma da Mônica deveria fazer.

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Livros 2015: Americanah

setembro 7, 2015 at 5:54 pm (livros) (, , )

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Americanah é o segundo livro da Chimamanda que eu leio esse ano, meu objetivo é ler todos. Na verdade eu o comecei imediatamente depois de terminar Hibisco Roxo. Já terminei faz um bom tempo na verdade. De fato de Americanah pra cá eu já li outras quatro publicações, mas enrolo para escrever sobre elas por que é meu jeitinho.

Como eu li seguido e Hibisco é impossível não fazer comparações, devo dizer que esse é um livro de leitura muito mais fácil e leve. Acredito que se você nunca leu Chimamanda na vida, esse é um excelente livro para começar e depois você pode migrar para os outros livros dela.

Eu disse que era mais leve, até por que ser mis pesado que Hibisco Roxo é bem difícil. Hibisco foi um livro que me atingiu de forma pesada e honestamente ainda está me revirando em muitos momentos e olha que faz um tempo já que eu li. Americanah também tem alguns momentos de revirar o estomago.

O livro vai narrar a vida de Ifemelu, uma jovem mulher adulta que migrou da Nigéria para os Estados Unidos e depois de passar alguns muitos anos em solo americano decide voltar ao seu país natal. O livro funciona numa narrativa não linear, você começa a leitura sabendo que Ifem vai voltar a Nigéria e começa a narrar parte da vida dela adolescente lá, depois ela narra sua ida aos Estados Unidos e você acaba tanto tempo nesse flashback que chega a esquecer que aquele não é o tempo corrente e quando ela faz breves retornos ao tempo presente você tem uma sensação meio wibbly wobbly timey wimey.

É preciso entender alguns pontos, a situação classe media de um país como a Nigéria e o Brasil não é uma situação de classe media nos Estados Unidos. Esse choque financeiro afeta muito realidade da Ifem logo após sua imigração, além disso ela é uma imigrante e tem pouquíssimas oportunidades, tecnicamente nem trabalhar lhe é autorizado. Logo ela fica numa situação financeira extremamente precária, que é uma realidade não apenas de pessoas de país africanos que imigram pra lá, mas eu mesmo, uma brasileira conheço historias similares. Atualmente pra gente não é tão necessário, estamos em uma situação a trancos e barrancos estável, no entanto meus pais na década de 80 quando faziam faculdade tiveram amigos fazendo o mesmo que Ifem. Tem uma historia que um primo de meu pai que estava nos Estados Unidos e chegou a ter semanas onde tudo que tinha era bolacha água com sal e água pra se alimentar e nem condições de comprar algo mais.

E uma situação dessa afeta profundamente o psicológico e emocional de uma pessoa. Ifemelu fez coisas das quais não se orgulha e a gente vê como isso a afeta, se abre um dialogo sobre como essa questão de imigração abre caminho para depressão ou outros distúrbios psicológicos. Bem como, abre a discussão de como o fato de pessoas vindas de países em desenvolvimento ou de camadas sociais baixas ou ainda pessoas não brancas tendem a rejeitar esse tipo de doença.

Depressão é doença de branco, o engraçado é que poucas pessoas lembram, mas colesterol alto e diabete também costumavam ser doenças de brancos. Eu sinto que negros não tem permissão de ter doenças que não são de fácil compreensão, transtorno psicológicos são sim doenças, mas estão num campo tão subjetivo, não existe uma causa, um vírus, uma bactéria que esteja causando isso, não existe nem um exame que diga por A + B que o paciente está depressivo. Como depressão muitas vezes soa como algo inventado para justificar vida difícil ou preguiça, negro tão tem direito a ter vida difícil ou preguiça, a vida é assim e você tem que fazer algo.

Além dessa questão de imigração, existe o senso de identidade racial. Ifem não se sentia negra na Nigeria, apenas tomou conhecimento disso ao pisar em solo americano. Pode soar meio absurdo, especialmente pra você leitor branco ou com visão branca da vida, mas pra mim fez todo sentido do mundo. Todo lugar do planeta tem racismo, acontece que em países onde a maioria da população é negra ele não parece obvio já que toda população sofre, você ainda não entende né? No tempos de colégio da Ifem, a garota bonita era a mestiça, a de pele mais clara, de cabelo de cachos abertos e não crespo, é inconscientemente a pessoa com traços mais brancos entre os negros.

Eu odeio brasileiro que diz “ainda bem que aqui no Brasil não tem essa coisa de casta racial como nos Estados Unidos somos menos preconceituosos”, querido isso é mentira. Aqui no Brasil a menos que a pessoa não tenha escapatória total em ter pele bem escura e cabelo bem crespo é muito comum a pessoa não se identificar como negro. Um termo que eu tenho nojo? Moreno limite, gente que usa esse termo diz que significa que é mais escuro que ele passa ser negro. Implicitamente tá dizendo que ele ainda tem valor como branco.

O mestiço no Brasil se vê como branco e pratica racismo com o negro, no Brasil existe o disparate de gente dizer que tem mãe ou pai negro, mas não se diz negro em momento algum. Por que se dizer negro é assumir ser pessoa que sofre opressão, que é mal visto socialmente e ninguém quer dizer. A pessoa não se reconhece negro a menos que seja obrigada, mas a pessoa sofre racismo sim, apenas não reconhece que é racismo e por isso que a questão racial no Brasil ainda está tão atrasada.

Esse é choque de realidade que a Ifem sobre ao se descobrir negra num país branco. Eu sofreria algo muito similar a isso indo aos Estados Unidos, o racismo que iria sofrer seria menos velado que o que já sofro aqui.

O livro ainda vi abordar objetificação racial, Ifem arruma por um período um namorado branco e o cara é um babaca riquinho que em momento algum reconhece seus privilégios e não percebe o racismo velado que pratica constantemente. Também tem a questão de empoderamento para mulheres negras através de assumir o cabelo cacheado ou crespo, esses trechos me trouxeram gargalhadas de identificação que nenhum livro nunca trouxe antes. Fora que Ifem é uma blogueira e os trechos do Blog dela que aparecem no livro são todos incrivelmente fantásticos.

Esse é um livro que eu recomendo por demais a todos lerem, fora que eu acho que é uma excelente porta de entrada para o mundo literário da Chimamanda Ngozi Adichie.

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