Sobre Uma Questão de Dualidade

novembro 26, 2014 at 2:36 pm (aleatorias)

yin e yang

Eu estou fazendo psicanalise, depois de muitos anos reclamando absurdos sobre psicólogos, psicologia e todo esse universo, eu finalmente encontrei alguém com quem eu fico confortável e as sessões semanais têm sido muito proveitosas.

Semana passada foi a primeira vez que eu falei sobre ser bissexual e um dado momento e minha psicanalista ficamos rindo e brincando sobre isso e o fato de ser bipolar, parece que o dois meio que regi minha vida, enfim, piadas idiotas que me fazem rir.

Ai hoje estava num grupo do facebook e perguntaram sobre palavra favorita, a minha é agridoce e ignorando algumas analises sobre o que essa palavra diz sobre minha personalidade, ali está à dualidade de novo. Agridoce é algo que é simultaneamente salgado e doce. E então eu lembrei uma das minhas cenas de declaração favorita em Pretty Little Liars.

 

“I like to live life in a grey area, but the way I feel about you is crytal clear”

 

Essa é uma frase dita pela Maya, uma personagem bissexual e além de ser uma declaração muito bonitinha, é algo que faz sentido se eu falar. Eu gosto de estar na zona cinza, de não “ter que me decidir”. Eu gosto de estar no meio, de não ser completamente A ou B, branco ou preto. E às vezes eu me pergunto por que tanta dualidade na minha vida, será que eu simplesmente tenho fascínio por algo mais complexos? Será que eu tenho problemas com definições restritas?

Não, apenas sei que me sinto confortável com ideias que não são restritas, eu não gosto de me limitar, é como se eu tive certo medo de perder algo que pode ser incrível. Eu sou uma pessoa incerta, no sentido de não ter muitas certezas, eu funciono na base da tentativa e do erro, será que eu gosto disso? Okay, agora vamos tentar aquilo outro e aos poucos eu vou encontrando aquilo que me deixa confortável.

Bem, ser bipolar não é exatamente algo que me deixa confortável, mas é minha realidade e eu estou aceitando ela, minha bissexualidade também não é um capricho, o que posso fazer se acho homens e mulheres sexualmente atraentes? Quanto ao agridoce, é uma palavra de sonoridade linda eu acho, não sei explicar objetivamente o porquê de tê-la como minha palavra favorita, eu apenas tenho.

Anúncios

Link permanente Deixe um comentário

Sobre o Direito de Surtar

novembro 7, 2014 at 12:30 am (aleatorias)

vestibular_prova

2014, eu estou com 25 anos e estou me preparando para mais uma prova de ENEM. Basicamente eu tenho feito todas as provas, entre vestibular e ENEM, para ingressar no meio universitário desde 2006.

O pior é que eu consegui ingressar duas vezes, a primeira em 2007 para o curso de Quimica da UECE e depois em Publicidade e Propaganda na Estácio Fic. E eu sai de ambas instituições por diferentes motivos. Eu tenho alguns problemas de ansiedade e talvez eles estejam relacionados a minha bipolaridade ou não, não sei. A questão é que desde o meu primeiro vestibular eu não me sentia com abalada por uma prova, o pior é que agora eu tenho total certeza de que não tem nada a ver com a prova em si. Eu sei minha capacidade mental, é toda uma questão emocional/psicológica que minha psicanalista vai achar maravilhoso discutir na sessão de amanhã.

Eu acreditava que aos 25 anos eu estaria com minha vida resolvida e sim, eu sei que isso é algo completamente irrealista da minha parte. Entretanto eu achava que eu ao menos já teria me formado, estaria trabalhando e seria de fato um adulto ativo. E eu não poderia me sentir o mais posto disso.

De 2006 até 2014 eu passei por, acredito quando eu digo que dói muito mais em mim do que em você que está lendo isso, uma jornada e que ela não nem um pouco fácil. Levou uma vida para que eu fosse capaz de aceitar a pessoa que eu sou e estar dessa condição de quase conforto em minha própria pele. Eu digo quase.

Seria mentiroso da minha parte dizer que eu estou inteiramente confortável com tudo sobre mim, que eu sou out and proud. Ainda tenho graves problemas de intimidade, eu honestamente não confio em ninguém e por mais que pareça que eu compartilho muito de mim, dos meus pensamentos e sentimentos, a verdade é que eu não compartilho nada. Além é claro que possui uma absurda insegurança.

Até hoje eu nunca fui capaz de falar abertamente dos motivos que fizeram eu desistir de Química e graças a isso eu tive que ouvir de amigos íntimos e de familiares, como minha mãe, que eu não sou formada por preguiça, por comodismo ou puramente falta de vontade.

A UECE e sobre tudo o curso de Química são representações do meu pior, de uma Camila que eu nunca mais quero voltar a ser. De uma Camila que estava tão desesperada por validação e aprovação que fazia tudo para agradar os outros, especialmente negligencia a si mesma. Eu não quis cursa aquele curso, eu na véspera da matricula chorei pra minha mãe pedindo para não me inscrever e fazer outro curso e até hoje eu lembro do olhar de desapontamento que ela tinha quando me falou que não havia se esforçado tanto para me por num Farias Brito pra que eu fosse cursa Historia o que diabus eu achasse que queria agora por de algum cara.

Minha mãe nunca me deu muito credito pelas minhas opiniões e pensamentos, ela sempre achou que eu fosse uma pessoa facilmente influenciável que reproduzia a opinião de qualquer um que eu quisesse impressionar, mal sabia ela que a principal pessoa que eu queria agradar e impressionar era ela.

Eu engoli o choro, coloquei meu sorriso falso mais convincente e fui me matricular. Eu fez a cena tão bem feita que eu convencia a mim mesma de querer aquilo. Naquele ano eu dei a filha que minha mãe sempre quis ter e que eu nunca fui. Eu tinha amigos “normais” com gostos “normais” que faziam atividades “normais”. Até mesmo namorado eu tive durante o meu tempo na Química e a verdade é que eu nunca me senti tão miserável como naquela época.

Eu detestava tudo, as festas de faculdade com músicas que eu nunca gostei de ouvir, as pessoas que conversavam temas que eu não suportava e que tinha opiniões que iam de contra tudo que eu acreditava. E só eu sei aa tortura que foi aquele namoro ridículo e sem proposito com um cara que eu não gostava, não me importava e ainda por cima era tudo que eu hoje detesto.

Eu sei que a UECE e a Química não tem culpa de nada disso que eu passei, que na verdade eu é que permiti tudo isso acontecer não sendo honesta comigo mesmo e com as minhas vontades, mas ainda assim elas uma forma de lembrar disso tudo e assim como eu nunca mais quero voltar a ser a aquela Camila, eu nunca mais quero voltar a pisar naquele campus.

E talvez o que mais me assuste sobre o ENEM é que eu ainda não tenho total convicção de quem eu sou e muito menos do que eu quero. Eu tenho medo de me jogar em uma nova UECE e cada ano que passa eu sinto que eu tenho menos tempo para acertar, que minhas chances estão diminuindo e que eu vou acabar não sendo absolutamente nada e fazendo nada. O que eu sei, é um tanto ridículo e exagerado. Objetivamente eu sei que eu não sou uma completa inútil e que eu já realizei algumas coisas e que eu não ser a pessoa que vai curar o câncer ou a próxima J.K. Rowling não é algo que deveria tirar meu sono à noite.

Mas eu estou fazendo terapia, tentando me recuperar de um crise ou principio de crise que eu tive entre o final do ano passado e o inicio desse e com altos níveis de ansiedade, eu estou no direito de não ser objetiva e surtar completamente por causa das minhas inseguranças.

Link permanente Deixe um comentário