Sobre Uma Grande Influencia.

julho 31, 2013 at 5:46 pm (aleatorias)

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Eu sou fangirl, logo a minha opinião sobre aqueles que admiro tende a parecer um pouco exagerada e por muitas vezes elas o são mesmo, afinal o que é vida sem uma boa dose de hipérboles?

Entretanto existe uma pessoa que admiro e que tudo que digo sobre ela não é exagero. Joanne Katheleen Rowling é uma das mulheres que mais influenciou a minha vida, ela se encontra em uma posição muito próxima a da minha mãe quando a influencia na pessoa que eu me tornei.

Era 2001 quando eu li o primeiro livro da saga Harry Potter, li antes de ver qualquer filme e como uma criança de 12 anos fiquei fascinada por aquele universo magico que me era apresentado. Naquele momento em diante eu nunca mais parei de ler Harry Potter, sempre que eu preciso voltar a acreditar em algo, sempre que preciso de algum tipo de reconforto eu retorno às escritas de J.K. é como reencontrar velhos amigos.

Como criança eu não tinha dimensão do que havia naqueles livros, o sétimo e último livro foi lançado quando eu tinha 18 anos. Eu verdadeiramente cresci ao lado de Harry, Ron e Hermione. Eu sai junto do trio da fase de natais mágicos com doces da Dedos de Mel para tempos mais tempestuosos e conflitantes quando começamos a nos questionar sobre destino e quem somos. Eu enfrentei na pele o efeito dos dementadores e aprendi a conjurar meu próprio patrono. Eu sei o que é desejar, mais do que qualquer outra relíquia, a pedra da ressureição.

Os sete livros escritos por Rowling tratam mais do que de magia e feitiços, eles tratam da vida humana. De suas perdas e paixões, vividas ou não, de quem somos e de como nos tornamos essas pessoas. Trata do rito de passagem da infância para a vida adulta. Os livros tocam em assuntos como o preconceito, a estupida teoria da supremacia racial, de alcoolismo, de direitos humanos.

Há uma infinidade de temas contidos ali, mas a maior influencia que essa autora britânica teve na minha vida não está diretamente na pagina de seus livros. Harry Potter e J.K. me rendeu os melhores anos da minha vida, aqueles que foram a minha adolescência. A paixão por esses livros me deu os melhores amigos que alguém poderia ter tido, pessoas com quem vivi histórias poderia ter saído de séries de TV. Pessoas que hoje são minha família, minha irmã, pessoas que foram minhas primeiras crush, alguém que foi meu primeiro amor. Pessoas que sabem que dia 29 de Novembro fará 10 anos.

Não é exagero quando digo que J. K. Rowling foi uma das mulheres que mais influenciou a minha vida. E eu desejo feliz aniversario a ela e ao garoto que sobreviveu.

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Sobre a Surrealidade da Vida

julho 28, 2013 at 12:00 am (aleatorias)

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No mês anterior, junho, eu estava fotografando em Fortaleza a onda de protestos populares que ocorreu pelo Brasil inteiro e eles tiveram como estopim o aumento de 20 centavos na passagem de ônibus.

Eu como militante chata que sou sei perfeitamente bem que não foi apenas pelos 20 centavos, mas o que muita gente tende a ignorar é que os protestos foram sim pelos 20 centavos. Foi por tudo que anda errado no Brasil e pelos preços das passagens de transporte coletivo.

Um aumento de 0,20 na passagem significa no mínimo um aumento de gastos de 8 reais no mês, considerando que o individuo pegue apenas um ônibus para sair de casa e um para voltar  e que não saia dia de sábado e domingo. E boa parte da população vive com renda de 678 reais. Então os malditos 0,20 fazem diferença sim.

O que me fez tocar no assunto desses malditos decimais é que um mês depois eu não estou mais fotografando protestos (não que eles tenham parado), estou trabalhando fotografando um evento, o lançamento de um carro novo.

Eu estava sendo paga para fotografar um carro que eu não tenho a menor chance de comprar, mas o surreal não foi isso. O que realmente me deixou sem reação foi ver um pai comprar para o filho de 16 anos, que por lei no Brasil não pode nem dirigir ainda, um carro de 240 mil.

A maior parte da população brasileira não tem como lidar com um aumento de 0,20 centavos na passagem de transporte público e uma micro parcela pode acordar um dia e dizer que está tudo bem gastar 240 000 num presentinho pro filho.

A verdade, é que eu não consegui nem processar essa informação. Parece uma historia que alguém contou, como bem disse minha melhor amiga, eu fui parar numa série da CW e ninguém me avisou?

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Sobre A Maré Que Está Mudando

julho 26, 2013 at 9:17 pm (aleatorias)

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Sabe quando você está tão feliz que precisa gritar pro mundo isso? Sei que muitas pessoas tem essa estranha ideia de que é preciso se preservar, que felicidade demais atrai inveja e mal olhado e mil superstições. Eu não acredito em nada disso, todo o sentimento que eu sinto é preciso ser posto pra fora.

Eu tenho passado por uns anos de cão, por muito tempo eu apenas saia de uma situação ruim esperando a próxima ruim acontecer. Sentia como se a qualquer instante eu fosse me afogar no meu próprio desespero e perdi as contas de quantas vezes quis desistir de tudo, mas a gente faz a Dory e “Continue a nadar, continue a nadar, nadar nadar”.

E reajustando um clichê da internet, tudo muda como quem cai no sono, gradativamente e de forma repentina. A maré começou a virar e então eu me vejo dando certo, minha vida entrando no eixo que eu tanto queria e é uma sensação estranha.

No final das contas eu acho que não estou acostumada com esses momentos de genuína alegria, mas posso aprender, ainda sou nova. E eu queria agradecer a quem me aguentou nos piores momentos, nos piores humores, que acreditou em mim indo contra todas as expectativas, que me deu apoio, colo e abrigo.

 

P.S.: O coração aperta por saber que ela não está aqui pra me ver dar certo.

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Sobre Ter Uma Historia de Vida

julho 25, 2013 at 2:50 am (aleatorias)

escrevendo

 

 

Eu sei que andei bem afastado daqui do Ganhos e por mais que eu não deva explicações a ninguém, eu quero falar sobre o que me manteve afastada, entretanto eu ainda não irei falar sobre isso nesse post. Fica para uma próxima vez.

Estava hoje em uma conversa com uma grande amiga e ela me soltou: “Eles adoraram o teu trabalho e quando eu falei da tua historia de vida ficaram impressionados e estão cogitando te contratar fixa.”.

E nesse instante eu congelei por alguns segundos e pensei, que diabus de historia de vida é essa? Eu sei que todo mundo tem a sua historia, aquele conjunto de acontecimentos que levaram a pessoa ser como ela é hoje. Ainda assim imaginar que esse conjunto de fatos talvez aleatória que construiu quem eu sou hoje possa de alguma maneira impressionar positivamente outros me parece quase um absurdo.

Tenho 24 anos, sou mulher, sou negra, sou Queer (ou socialmente rotulada de bissexual), sou bipolar. Aos 20 anos fiquei 15 dias internada devido a um breakdown. Minha mãe faleceu em janeiro de 2011 de câncer, porém só viemos descobrir a causa pós autopsia por que do mal estar, internação e óbito tudo levou uma semana. Moro só com um irmão mais novo desde então.

Eu tenho uma historia, eu sei que tenho, mas tanta gente ao meu redor também tem. Talvez você que esteja me lendo tenha muito mais a contar do que eu. Então qual é a diferença?

Talvez a questão não seja ter ou deixar de ter uma historia, por que afinal todo mundo tem. O ponto seja que eu falo, eu não escondo, eu sou honesta sobre tudo que aconteceu e acontece.

A verdade é que todo mundo meio que sabe tudo sobre mim, pode não saber os detalhes, os nomes dos personagens, mas o enredo é sabido. Sabem quando minha vida caminha bem, quando ela caminha mal. Eu não consigo ser a feliz da timeline e tão pouco a eterna depressiva. Não faço pose em tumblr, também não só posto quando minha vida está em situação X.

Já notaram que algumas pessoas só aparecem quando estão serelepes e saltitantes? Ou só dão as caras quando estão quase cometendo suicídio e desaparecem por meses a fio? Eu não, eu sinto uma desesperada necessidade de falar de tudo o tempo inteiro. E sendo bem sincera, isso é o que mantei essa lucidez que eu tenho.

No final das contas, acho que não importa a historia que alguém tenha, mas a forma como ela conta.

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