Uma Talvez Confusa Descoberta Sexual

março 15, 2017 at 11:02 pm (aleatorias) (, , , )

É diferente para cada pessoa, sei bem disso. Algumas pessoas juram que nasceram sabendo e outros passaram por um processo mais traumático que o meu. Esse é o relato pessoal de como eu descobri e entrei em acordo com a minha sexualidade.

Pra valer mesmo tudo começou quando eu tinha 9 anos. Minha escola depois do fim do recreio colocava as turmas em fila para que uma a uma subissem para salas, ele era um ano mais velho que eu. O que foi um problema por dois motivos, primeiro que eu era exageradamente tímida e nunca teria coragem de falar com ele e segundo que no ano seguinte ele iria estudar no prédio do outro lado da rua e eu nem mesmo poderia vê-lo. Minha crush parecia não ter futuro, até eu chegar na  quinta série e a sorte ter me sorrido, ele havia repetido de ano e estava na minha turma.

Minha memória falha miseravelmente em como, mas eu e ele nos tornamos bons amigos nos 4 anos que estudamos juntos e depois. Nunca tivemos nada, nunca tive o ímpeto de iniciar nada, a convivência de amizade bastava, na época não entendia o que isso significava, hoje em dia sei.

Curiosamente com 11 anos também foi a primeira vez que me interessei por uma garota. Ela era loira, pequena e tinha olhos verdes, não entendia meus sentimentos então achei que queria muito ser  amiga dela. O objetivo havia sido alcançado até chegar as férias de julho e ela voltar com outra melhor amiga. Fiquei tomada de ciúmes achando que não aceitava ser trocada. Verdade que isso teve parte, mas o principal foi não compreender que a atenção que queria dela não era a de amizade.

Muitos nos depois, já com 15 fui ter meu primeiro beijo, meu primeiro namorado, segundo namorado. A parte do beijo tinha sido divertida, os namoros não foram. Na época eu comecei a achar que havia algo errado comigo por que meus namoros não  duravam nem 2 meses e eu precisava terminar por não aguentar os caras mais.

Nessa mesma época eu tive uma professora de Química que era simplesmente parecidíssima com a Kelly Key e eu achava ambas lindíssimas. Ela entrava em sala de aula e eu esquecia até meu nome, o que era irônico, compartilhávamos o nome. Minha adolescência estava sendo achar que tinha vindo com peças faltando por não tolerar namorar rapazes e estar sexualmente frustrada graças a minha professora. Tinha o cenário perfeito para dizer que era lésbica se não fosse pelo rapaz com quem ficara em janeiro de 2005.

Ficara com ele algumas vezes e aquele era o primeiro garoto que de fato for capaz de me fazer sentir algo a mais. Hoje em dia sei dizer que era tesão que eu sentia, na época achei que era amor. Acho que o maior problema da adolescência, ao menos pra mim como menina, tudo era muito romantizado, até por mim mesma. De qualquer jeito, o desejo de agarrar aquele garoto ao final dos treinos de handbol não facilitou nada entender a minha sexualidade.

Tudo era uma eterna confusão e nada fazia sentido, exceto quanto eu estava com Ela. Bastava estar ali no mesmo espaço que eu, estar em uma ligação de 3 horas e o mundo fazia sentido. Ela era minha melhor amiga, numa daquelas amizades super intensas que fazia minha mãe se questionar.

Eu a amei sem saber por um ano inteiro, sem entender meus sentimentos. E por mais um ano eu guardei meu segredo com medo de perde-la. No fim tudo acabou. Restou o pânico em mim, até bem pouco tempo atrás bastava eu suspeitar tê-la visto que o coração disparava, o ar sumia dos pulmões, as mãos tremiam. Uma vez eu quase desmaio em cima de uma amiga ao vê-la passar do outro lado da praça de alimentação de um shopping.

A ultima vez que achei ter me apaixonado por um homem foi há 10 anos atrás em um encontro de estudantes e sendo bem honesta o que manteve meu interesse foi o tesão. Ainda hoje ele é o melhor beijo que eu já tive. A medida que eu o conhecia ia vendo quão agradável era a conversa e a conexão era fácil e o melhor de tudo não  havia pressão de relacionamento e isso fez o nosso contato durar anos e ele na época ter se tornado o ideal que procurava de homem.

O que só fui compreender recentemente é que eu nunca fui defeituosa por não querer namorar homens, mas ainda deseja-los. Eu não sinto desejo romântico por homem. Aprecio a beleza estética, tenha atração física e desejo sexual, sinto carinho e apego, no entanto não consigo ter o ímpeto de me comprometer com homens ou o desejo de namorar, casar e constituir família com eles.

Entre os anos de conversa com o ultimo homem por quem achei ter me apaixonado algo aconteceu. Eu tive apendicite e no laboratório onde meu apêndice foi ser analisado trabalhava uma garota que havia estudado comigo no terceiro ano. Parece bizarro e uma forma nada fofa do destino agir. Ela entrou em contato, queria sair comigo e quando descobri que ela era lésbica, bem, algo se mexeu em mim.

Desde Ela nenhuma garota mexia comigo. O que tornava muito fácil ignorar minha sexualidade. Essa colega de escola não tornava nada fácil com suas sardas perfeitamente colocadas na altura do nariz e um charme na voz capaz de me fazer pular de um prédio.

Eu a quis mais do que desejei qualquer outro homem. Enquanto era apenas uma garota capaz de fingir, mentir para mim mesma, agora não podia mais. Estava incerta sobre muitas coisas menos sobre querer estar com ela e não ser justo manter isso no armário.

Nunca cheguei a ter algo sério com a colega de escola, na época eu achei que ela era muito mais do que de fato foi. Para me aceitar precisava que meus sentimentos fossem muito maiores do que eram de fato.

A colega de sala sempre terá um lugar especial, de muitas formas ela foi a minha primeira, o impulso pra me aceitar. Marlene King usa uma expressão para falar de um casal que escreveu que eu adoro, ela é um pedaço da jornada, mas não é o destino final.

Aqui parece que minhas descobertas se tornavam consciente com forme aconteciam, não poderia estar mais longe da verdade. Como disse em alguns pontos, muitos detalhes só passaram a fazer sentido anos demais estudando sexualidade e tendo um olhar mais maduro sobre minhas memorias. E muito provavelmente seja assim para tantas outras pessoas, então compartilhem suas memorias ou apenas repensem elas, talvez descubram novas informações divertidas e se quiserem me contar eu adoro ouvir relatos.

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Pretty Little Liars Farewell

janeiro 11, 2017 at 7:05 am (aleatorias)

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One last time

Teach ‘em how to say goodbye

 

São mais de 3 da manhã eu não consegui dormir, o que é uma grata mudança considerando que tenho dormido em torno de 15 horas por dia. Eu me sinto miserável, acho que todos me odeio e bem eles têm motivo para isso afinal não sou nada além de um amontoado de células que é um desperdício de espaço.

Caso não tenha percebido, estou deprimida e me odiando no momento. O que não é exatamente uma novidade na minha vida. Eu só não sei dizer se isso se dá por uma nova crise bipolar, se a culpa é do meu recente diagnosticado hipotireoidismo, se é a minha completa e desastrosa situação financeira ou se é o fato de ser janeiro e significar aniversario de morte da mãe vindo ao longe. Tudo que eu sei é que eu acordo sem querer existir, mal tenho me alimentado, tomado banho ou saído do meu quarto.

A única coisa que pareço conseguir fazer é maratonar Pretty Little Liars. A série foi lançada em 2010 e a internação e falecimento da minha mãe se deu exatamente entre os episódios 14 e 15 da primeira temporada. Então a série foi uma dessas obsessões que me acompanhou durante o período de luto. Pra ajudar na época eu estava começando a compreender minha própria sexualidade e uma das protagonistas tem um acordo sobre isso.

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Ajudou muito que a não hetero do grupo também não fosse branca, também fosse filha de militar, também tivesse uma mãe controladora e super protetora. Vocês entenderam né? O nível de identificação é tanto que meu irmão chegou a perguntar se eu não estava sendo stalkeada pela criadora da série.

Eu sei que PLL é um péssimo show, o roteiro é esburacado e algumas vezes sem sentido. As atuações são entre ruins e canastronas, apesar de que aqui e ali temos bons atores. Eu não ligo, eu gosto de séries cretinas e calhordas e honestamente? Em sete anos eu não poderia me importar menos com as respostas aos mistérios que a série criou. Se nunca tivessem revelado quem é –A eu estava em paz de espirito. Sei lá, eu acreditava que era uma entidade sobrenatural e ia preenchendo os buracos da historia na minha mente.

O que eu gosto e o que me fez voltar todos esses anos sempre foi a relação entre as protagonistas. Não importa quanto tempo faça ou o quão absurdo seja o que está acontecendo, elas estão ali, juntas. E especialmente quando eu tô nesse lugar autodepreciativo, a ideia de uma amizade tão incondicional e compreensiva quanto a delas é reconfortantes. Entre psicopatas, mensagens anônimas e chantagens cinco meninas conseguiram achar formas de confiar tão abertamente umas nas outras a ponto de colocar suas vidas em jogo. Pode haver uma esperança pra mim.

Agora a série vai acabar. Em abril, mês do meu aniversário, começam a sair os últimos 10 episódios. Eu já chorei no ultimo dia de filmagem, chorei no texto de despedida do noivo (agora marido) da Troian, chorei nos vídeos das tatuagens que as protagonistas fizeram. Na verdade, tentei escrever esse texto aqui 4 vezes e não conseguia por que começava a chorar.

PLL é meu cobertor de segurança, eu já reassisti essa série toda umas 4 vezes. Eu sei cenas decoradas, eu sei todas as conexões de acontecimentos tão bem quanto saberia se eu mesma tive escrito a série. Sempre que eu estou me sentindo isolada, sozinha ou simplesmente preciso me sentir em casa eu volto pra essa série. Esse show é errado, ruim, mal feito e completamente problemático, porém cheio de boa intenção. Tipo eu.

O que eu vou fazer quando não tiver episódios novos? Pra onde eu vou voltar?

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Sobre Resignar

janeiro 4, 2017 at 2:54 pm (aleatorias)

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Janeiro é sempre um mês bitter pra mim, aniversario de morte da minha mãe no final do mês e eu acabo revivendo todo caos que foi o percurso do mês até sua morte. Então é muito comum eu virar a hot mess. Esse ano eu tenho ainda mais motivos para isso.

Em quase 10 anos eu não tomava tanta medicação quando tomei esses dias. Lítio para bipolaridade, medicação pro hipotireoidismo, remédio para dor de cabeça, refluxo, AAS por que minhas mãos estão inchando devido a minha doença no sangue.

Mês passado, com um mês pro aniversário de morte da mãe, minha ginecologista encontrou uma mancha no colo do meu útero e lá vai investigar, depois foi confirmado que estou com hipotireoidismo e não sei o motivo, podendo ser o lítio e lá vai ter que trocar medicação. Não fiz e nem mesmo marquei os exames necessários durante as festas de fim de ano, eu não iria aguentar.

Em 2015 tive o período mais difícil durante as festividades, a ponto de no dia 26 de dezembro eu preparar uma forca e esboçar minha carta suicida. Eu não queria me colocar numa posição que me levasse de volta a isso, então me dei 15 dias de férias, eu não iria pensar sobre isso e encarar a possível realidade.

Desde meus 15 anos eu não esperava passar dos 30, quando você é suicida e vive mais em hospitais que em casa, esse pensamento faz todo sentido. A cada dia eu estou mais e mais próxima do meu prazo de validade e é um pensamento sufocante. Hoje em dia meu quadro psicológico e emocional está muito mais sobre controle que quando tinha 15 anos, então eu ocasionalmente penso e faço planos para pós 30 anos, mas quando algo como tudo que contei aqui acontece é muito fácil minha mente voltar ao ponto de minha morte antes dos 30 é uma certeza.

Resignar significa aceitar sem revolta. Não adianta quebrar meu quarto, jogar cadeira pela janela, chorar (não que eu tenha parado), esmurrar parede isso não vai mudar o diagnostico sobre o meu útero. Eu só posso aceitar o que quer que esteja no meu caminho.

E apesar de admirar minha mãe em muitos aspectos da vida dela, eu não quero terminar como ela. Definhando sem nem ao menos tentar tratamento por medo de fazer alguns exames.

P.S.: Desde então eu tenho tido uma vontade de reassistir Chasing Life.

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Militâncias e Minha Saúde Mental.

outubro 17, 2016 at 1:18 pm (aleatorias)

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Ser uma mulher negra bi ativa nas causas sociais e ter um transtorno psicológico, no meu caso sou bipolar, é uma grande merda. Por que você pensa que a galera de militância e movimento social vai ter alguma empatia, ter algum tipo de tato ou um mínimo de respeito pelo seu local de fala e não vão sair soltando um bando de asneira estupida que faz você piorar por que eles não têm nenhuma vivencia da sua experiência com isso.

Ai você descobre que a realidade é de outro jeito.

Vamos encarar um principio simples. NENHUMA OPRESSÃO SOCIAL ESTÁ CAUSANDO A MINHA DOENÇA. Você acha que racismo dá câncer? Que machismo e misoginia levam à diabete? LGBTfobia foi o responsável pela sua asma? Não! Então por que diabus você acha que alguma opressão social está causando ansiedade/depressão/transtorno de humor?

Mental Illness ou transtornos psicológicos são tão doenças quanto asma, diabetes ou câncer. Essas doenças tem uma causa física, não está sob o meu controle ou do meio ao meu redor. Não foi a morte da minha mãe que causou isso, não foi meu péssimo relacionamento com meu pai, não foi um sistema opressor que causou. Mesmo que o mundo não fosse racista, machista e lgbtfobico como é eu ainda seria bipolar.

Então Camila, você tá dizendo que opressões sociais não influenciam na saúde mental das pessoas?

Não foi isso que eu disse. Eu disse que elas não causam as doenças, mas ser um negro de periferia com câncer é algo bem diferente de ser um branco classe média alta com câncer. A forma como somos visto socialmente afeta o nosso tratamento.

Como mulher negra eu já sou naturalmente considerada agressiva, histérica e louca. Então quando estou em crise na fase de mania e minhas emoções estão exaltadas, é comum ignorarem o meu comportamento como sintoma por cair no estereotipo da negra barraqueira. A maioria dos transtornos mentais é considerada doença de branco/rico, como se não fossem doenças reais, mas sim sinal de fraqueza ou incapacidade, o que gera que a comunidade negra ignore esse tipo de doença tornando ainda pior o diagnostico e tratamento correto, bem como reforçando estereótipos nocivos.

Mas e onde entra os movimentos sociais? A galera toda cheia de boa intenção acha que por entender de opressão social entende como é sofrer de ansiedade/depressão/transtorno de humor. Eu nunca iria virar pra alguém com bronquite asmática e falar que a crise dela é como mulheres se sentem diante da sociedade patriarcal. Parece bem estupido né? Então o que faz uma boa ideia comprar meu sentimento suicida com alguma opressão social?

Mas Camila, eu me sinto impotente diante dessa sociedade patriarcal cissexista lgbtfobica com vontade de tirar minha vida e sem forças para sair da cama alguns dias. Pow, vei, que barra, procura um psicólogo que cê tá apresentando sintomas de depressão e achar que isso é natural de quem é consciente de causas sociais só vai agravar seu quadro.

Tirando um pouco do meu humor natural para lidar com tudo. Eu sei que pessoas diferentes têm reações diferentes aos transtornos psicológicos que apresentam. Talvez para algumas pessoas o gatilho para toda depressão que ela sente sejam situações de racismo e eu nunca vou dizer que essa pessoa tá errada, por que eu não sou ela e eu não vivi na pele dela pra saber. Mas pelo que te for mais sagrado, vamos, por favor, parar de usar frases como “o racismo não nos mata, nos enlouquece”. Ninguém que tem transtorno psicológico está enlouquecendo, eu não sou louca, só sou bipolar. Esse tipo de frase perpetua o péssimo estereótipo da loucura e depois reduz as coisas a uma situação sociológica. E isso gera com que muita gente com ansiedade/depressão/transtorno de humor se afaste dos movimentos sociais por não se sentirem ouvidos e muito menos acolhidos.

Se você não sabe como ajudar e vai acabar soltando esse tipo de frase, só não fale comigo e me deixe no meu canto. Por quê muito me ajuda quem não me atrapalha.

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Eu, A Escrita E Os Medos

setembro 25, 2016 at 11:29 pm (aleatorias)

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“I wanna draw something that means something to someone. You know, I wanna draw blind faith or a fading summer or just a moment of clarity. It’s like when you go and see a really great band live for the first time, you know, and nobody’s saying it but everybody’s thinking it: we have something to believe in again. I wanna draw that feeling. But I can’t and if I can’t be great at it, then I don’t want to ruin it. It’s too important to me.”

Peyton Sawyer – One Tree Hill

 

Eu já explico a citação do começo. Sempre gostei de escrever, quando eu ainda não era alfabetizada eu brincava de escrever, só rabiscando em folhas de papel e fingindo que ali havia histórias. Enquanto eu era alfabetizada, meus pais colocavam pra eu ler pro meu irmão mais novo e em algum ponto eu decido que em vez de ler eu iria contar minhas próprias historias.

Então o ato de escrever histórias que eu inventava sempre me foi muito natural. Obviamente eu sempre sonhei em escrever meu próprio livro e é aqui que entra a citação. Eu não queria simplesmente contar uma história. Eu queria que o que quer que eu escreva causasse um impacto em alguém, fosse significativo e importante. Assim como a Peyton em OTH se importava demais, eu me importo e isso me deixa em pânico. Por que eu acredito que eu nunca vou escrever bem o suficiente para o que eu quero.

Eu tenho histórias importantes e que eu acho que precisam ser contadas, eu só não me sinto pronta para escrevê-las. Então eu vou e volto nas minhas pesquisas e fico recriando cenários e cenas e reconstruindo personagens e seu universo e nunca de fato escrevendo a bendita da história.

Meu segundo grande medo é fazer Glee.

Eu estou falando sério. Eu tenho pânico de acordar no meio da noite e perceber que a história que estou contando se tornou Glee. Caso você não esteja familiarizado com o que significa se tornar Glee, aqui vai uma breve explicação: Glee é uma série norte americana idealizada por Ryan Murphy, a série tinha tudo para ser incrível e dar voz para grupos que não tinham representatividade na TV, mas Ryan Murphy é além de um péssimo roteiristas um megalomaníaco que tentou contar histórias de todas as minorias oprimidas existentes o que virou um pandemônio desconexos e sem sentido que no final era mais ofensivo que de fato representativo.

Eu tenho medo de fazer isso. Por que eu sou pandemônio desconexo e sem sentido. Eu grito bingo na opressão social, eu só não sofro capacitismo e transfobia. Como eu não tenho uma representação digna em canto algum e quero escrever pro meu eu mais novo não se sentir sozinha, perdida e inexistente as chances de criar um Glee são altíssimas.

Eu tenho histórias importantes pra contar. Histórias que o mundo precisa ouvir. Eu só tenho medo de não fazer corretamente e criar mais danos do que se eu ficasse calada.

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Precisamos Falar sobre #SetembroAmarelo

setembro 19, 2016 at 4:26 pm (aleatorias) (, )

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Entramos no mês de conscientização do Suicídio e ao contrario dos anos anteriores, dessa vez muitas pessoas aderiram à campanha. Infelizmente, nem sempre quem tá querendo ajudar tem procurado informações corretas sobre como ajudar e acaba caindo no pensamento de senso comum, pensamento esse que por vezes é nocivo a quem tem pensamento suicida, depressão ou outro transtorno psicológico.

Aqui vão alguns pontos simples, que a maioria das pessoas interpretam errado.

1 – Você Não Pode Estar Tão Mal, Tá Agindo Normal.

É muito comum pessoas acharem que eu finjo minhas doenças. Por que elas leem que eu tenho ansiedade, que eu tô em crise, querendo me mata, mas quando me encontram eu pareço “normal”. Eu cresci escondendo minhas emoções, eu fazia autoflagelamento de uma forma que minha mãe neurótica e hiperatenta não sabia. Eu sou suicida desde os 15 anos.

Eu treinei como esconder minhas emoções de todo mundo para que eu não fosse um fardo maior do que eu já sou. Eu posso estar com a ansiedade , sentindo taquicardia do meu coração pular do peito, mas você não vai notar nada. Por que eu não quero incomodar, não quero arruinar a saída de ninguém.

Já estive em festas dançando Beyonce balançando a mundo e pensando “Se eu tivesse me matado 3h atrás como pensei não ia precisar tá aqui”.

Então não é por quê a pessoa tá agindo normal que ela está bem.

2 – Isso Não É Sobre Você.

Todo mundo que tem uma pessoa próxima, especialmente se estiver em uma relação amorosa, com depressão/pensamento suicida/mental illness se sente responsável pela doença do outro. Como se houvesse algo que pudesse ter feito pra impedir ou para curar magicamente.

Literalmente, isso não é sobre você! Eu sou bipolar, eu tenho um desequilíbrio químico no meu cérebro, ninguém causou isso e ninguém vai poder mudar isso não importa o quanto me ame. O mesmo vale pra depressão. Doenças psicológicas não são falta de amor. Eu estaria assim com ou sem você.

Agora é extremamente ferrado eu ter que lidar com as suas emoções sobre a minha doença e a minha doença ao mesmo tempo. Eu não posso ficar cuidando das suas emoções e sentimentos quando estou em crise, por que o tempo que gasto com você é o tempo que eu não gastei ficando melhor e minha crise vai se agravando.

3 – “Não Se Mate, Eu Preciso de Você”.

Lembra o tópico anterior? Então, o suicídio continua não sendo sobre você. Eu sei que você quer achar um jeito de dar motivos para a pessoa não se matar, mas é muito provável que você esteja adicionando ainda mais pressão para alguém que já não está conseguindo lidar com a existente.

Muitas vezes o pensamento suicida não é sobre eu não tenho pelo que viver, mas sim sobre se sentir sobre carregado com tudo que acontece. De ter que atingir a expectativa de familiares, amigos sobre como sua vida. Pessoas com grande visibilidade em certos grupos que não lidam com a pressão de ser um exemplo.

Sabe a frase Não Desista, Alguém Pode Esta se Inspirando Em Você? Ela pode ser muito motivadora, mas ela também pode carregar o peso de pressão. Pra alguém que já está falando em cometer suicídio adicionar pressão não é uma boa opção.

4 – “Você Pode Falar Comigo”.

Novamente, lembra do ponto 2? Não é sobre você! Muitas vezes quem sobre de alguma mental illness não se sente confortável para conversa sobre. Nossa sociedade não aceita bem, somos fortemente tachados e julgados, então falar sobre isso é algo extremamente desconfortável.

Além disso, quando se está em crise é muito comum a pessoa se sentir um estorvo, sentir que está abusando ou sentir que está incomodando ao falar sobre isso. E um simples você pode falar comigo quando quiser não vai mudar isso.

É preciso criar um laço de confiança e manter esse laço para que a pessoa esteja disposta a se abrir com você. Ainda é preciso muita atenção a como você vai reagir e responder, por que tudo pode fragilizar e quebrar esse laço de confiança e consequentemente machucar quem tem mental illness.

5 – Por Favor, Seja Compreensível

Às vezes eu vou parecer bem, mas mentalmente eu vou estar mal e não vou conseguir fazer coisas simples como pegar um ônibus ou aparecer naquela saída que combinamos há uma semana. Muitas vezes eu não vou conseguir lidar com conversa com a maioria dos meus amigos, só com aqueles mais próximos.

Então se eu não estou respondendo suas ligações, mensagens é por que eu não estou em condições de lidar com isso agora, mesmo que eu esteja postando algo no facebook. Eu já vou estar me sentindo culpada suficiente, então por favor, seja um pouco compreensível e respeito o meu pedido de tempo/espaço.

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Carta Aberta A Uma Ex Bem Escrota.

agosto 23, 2016 at 3:28 pm (aleatorias)

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Eu tentei ser uma pessoa evoluída e não me prender a raiva que eu sentia de você, tentei me convencer que você cometeu erros e que isso não necessariamente significava que você era uma má pessoa. Tentei me convencer que não lhe desejava o mal.

Quer saber, parei com isso.

Eu lhe odeio, com todo o peso que a palavra odiar pode carregar. Eu espero que a sua vida seja uma merda, que você se sinta mal e culpada quando lembrar de mim, que aa remota lembrança do que você fez te faça querer se matar, afinal todas vezes que eu peno em você, o que tem sido muito, fazem eu querer me matar, então isso parece apenas justo.

Entenda que eu não guardo nenhuma empatia ou mesmo simpatia pela sua pessoa. Aquela ultima semana sua aqui em casa teve a incrível capacidade de arruinar todas as memorias que eu tenho de você. E agora eu só consigo pensar que você é uma pessoa mesquinha, covarde, fraca, mentirosa, dissimulada que tem uma profunda necessidade de ser amada e por isso você mente e finge ser tudo que não é. Tudo nessa pose de pessoa complexas, profunda e interessante que discute justiça social sem entender e fala sobre terapia como algo revolucionário que lhe mudou. Será que você tem mesmo a capacidade de compreender o que você discute na terapia e sobre o que você escreve, por que depois do ocorrido eu só vejo um monte de palavras vazias que você decorou sem nunca internalizar e aplicar a si mesma.

Você nunca me amou. E essa é a parte que mais me dói, foi você quem disse eu te amo primeiro e praticamente exigiu que eu lhe respondesse de volta numa situação extremamente constrangedora. Ainda mais considerando que eu nunca disse isso para ninguém e não me sinto confortável em dizê-lo. Só que você sabia não me amar, você sabia que amava o meu sentimento por você, você amava a atenção, a devoção que eu tinha. Eu era algo que agradava seu ego, eu era algo que fazia você se sentir relevante em toda a irrelevância da sua vida.

Eu li o seu blog. O blog que você mentiu dizendo não mais usar enquanto estávamos juntas e que estava ali. Mais uma prova da sua extrema necessidade de se esconder, de dissimular e nunca se revelar. Enquanto eu lhe entreguei minha alma aberta, escancarada e traduzida. E lendo o seu blog me ficou a duvida sobre exatamente qual foi a sua mentira maior. Vir passar uma semana na casa da ex e desmarcar planos pra ir pro motel com uma estranha e depois fingir que aquilo foi um bela historia de amor que você não pode viver. Ou vir pra casa da sua ex passar uma semana mentindo que era por que queria vê-la e na verdade tudo era sobre a nova paixão efervescente e interessante que você descobriu e escondeu dela. Nos dois casos você ainda é uma pessoa desprezível, então estamos num beco sem saída.

E por que fazer essa carta aberta? Desde a sua vinda minha vida desmoronou. Pode ser algo meramente simbólico, e aqui quero dizer como eu odeio que ainda tenha tanto de ti em mim, afinal é a sua cara tratar situações como simbólicas. Ou talvez seja uma mera coincidência insuportável do destino. De todo jeito essa carta aberta é uma forma de colocar pra você toda raiva que eu sinto, quem sabe eu consiga exorcizar você. Quem sabe depois de publicar isso, eu consiga seguir em frente e finalmente esquecer que você uma vez existiu.

 

Espero que seus dias sejam todos horríveis

Com muito ódio.

Camila.

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Opções de Presentes Que Você Pode Me Dar

março 7, 2016 at 9:18 pm (aleatorias)

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Falta 1 mês pro meu aniversario e se você não sabe o que me presentear, seus problemas acabaram, aqui segue uma listinha marota do que eu adoraria ganhar de presente. Spoiler: Livros e Quadrinhos.

 

Livros

Meio Sol Amarelo

O Sol É Para Todos

A Amiga Genial

Um Teto Todo Seu

Mrs. Dalloway

O Valor do Riso e Outros Ensaios

A Marca na Parede e Outros Contos

Orlando

One Man Guy

Dois Garotos Se Beijando 

O Que Restou de Mim

Simon Vs A Agenda Homo Sapiens

A Playlist de Hayden

P.S.: Ainda Amo Você

Peter Pan

Os Dois Mundos de Astrid Jones 

Por Favor, Ignore Vera Dietz

Amor Amargo

Nuvens de Ketchup 

Quase Uma Rockstar

O que Há de Estranho Em Mim

Fangirl

Caixa de Pássaros

Objetos Cortantes

Quem É Você Alaska 

 

Quadrinhos

Turma Da Mata: Muralha

Piteco: Inga 

Chico Bento: Pavor Espaciar 

Louco: Fuga

Astronauta: Singularidade 

Astronauta: Magnetar 

Batman: A piada Mortal 

Hora da Aventura com Fiona and Cake

Ms Marvel – Nada Normal 

Talco de Vidro 

Qualquer Coisa do Portfolio da Giovana Medeiros 

Qualquer Coisa do Portfolio da Netuno Press 

Bear Vol 1

Bear Vol 2

Azul É A Cor Mais Quente

Retalhos

Pílulas Azuis

Na Vida Real

O Fantasma de Anya

Mulheres. Retratos de Respeito, Amor-próprio, Direitos e Dignidade

P.S.: Aceitou perfumes, óleos para o corpo, hidratantes e utensílios para a cozinha.

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Sobre O Que Não Quero Falar

janeiro 2, 2016 at 5:46 pm (aleatorias)

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“There is no despair so absolute as that which comes from the first moments of our first great sorrow when we have not yet known what it is to have suffered and healed, to have despaired and recovered hope.” George Eliot

 

A citação que inicia o texto se tornou conhecida minha durante a adolescência. Escutei num episódio de One Tree Hill, uma das séries que moldou minha personalidade durante alguns anos. Na época eu tinha meu primeiro contato com a depressão. Na época não havia consciência de que era de fato depressão, tão pouco que minha depressão na verdade fazia  parte de um ciclo de bipolaridade.

Em todo caso, eu sabia que aos 17 anos aquela citação fazia sentido. Naquela época eu sentida um desespero profundo que simplesmente me deixava desesperançosa de tudo. No entanto a ideia de que aquilo era apenas o meu primeiro sofrimento verdadeiro e que a desesperança que sentia na mais era do que fruto da minha falta de vivencia. Eu ainda não sabia me curar. E por mais que tenha levado alguns anos, eu consegui recuperar essa esperança perdida. Eu voltava gradativamente a me sentir eu mesma de novo.

Alguns dias eram ruins e por vezes esses dias ruins duravam semanas e até meses, mas eu acabava retornando a citação, eu já havia superado meu maior sofrimento, o primeiro e sabia que era capaz de me reencontrar de novo no caminho.

Mas esse não é um texto esperançoso, motivacional para você ler e ganhar forças para passar por esse dia/semana/período difícil que está lidando. Sinto desaponta-lo, caro leitor, mas esse texto não é sobre você. Em geral quando escrevo sobre minhas experiências faço para aqueles que me leem. Quero dar uma pontada de esperança, sei lá fazer com que alguém que se sinta como eu tenha a sensação de não estar sozinho e ganhe alguma forma de força para continuar.

Esse texto eu estou escrevendo para mim, é meu desabafo. Não estou pedindo atenção, não quero receber palavras reconfortantes ou mesmo soluções para o que estou sentindo ou passando. Eu quero apenas colocar para fora como estou me sentindo.

Já faz tempo que não me sinto bem novamente. Estou tendo uma crise e ela é difícil de lidar, minha ansiedade está nas nuvens e eu mal consigo lidar com a existência de outras pessoas no planeta, sair de casa é um sacrifício que eu não consigo por em palavras para vocês. A maior parte do tempo a energia que eu tenho é suficiente para me fazer ficar deitada na cama de olhos abertos olhando para o teto e só isso é capaz de me deixar exausta por dias.

Essa não é a pior dor que já senti, honestamente não é. Entre os 17 e 19 anos a sensação era muito mais aterradora, além disso, hoje eu sei que eventualmente eu irei me sentir melhor. Isso me traz alguma esperança ou bem estar como no passado? De forma alguma.

Na verdade, causa a reação oposta. A ideia de que irei melhorar só me faz pensar em como tudo é insignificante. Eu esforço, tento isso e a aquilo, me foco no pensamento positivo, garanto permanecer produtiva e tudo para em algum ponto incerto eu me sentir melhor e até chego lá, mas inevitavelmente num futuro irei voltar a esse estado de tristeza que me deixa semi inválida, me deixa questionando se vale ou não a pena viver.

George Eliot atualmente me parece errado, a primeira dor não é a pior, talvez seja a segunda, a terceira ou qualquer número diferente. A pior dor é aquela que vem depois de você já ter se recuperando tantas vezes e ainda assim continuar se ferindo que você começa a se questionar se realmente vale a pena continuar.

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Sobre Culpa

novembro 13, 2015 at 2:48 pm (aleatorias)

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Ontem eu fui pra terapia, eu sabia que seria uma sessão difícil. Considerando como eu estava nas ultimas 3 semanas, eu esperava passar meia hora chorando sem conseguir articular palavras.

Em um ponto da sessão minha psicóloga pergunta “Do que você sente culpa”. E eu respondo de tudo, por que essa é a forma mais rápida e simples de conseguir falar sem cair no chão chorando em posição fetal, obviamente eu acabo tentando enumerar algumas situações que eu sei que não são minha culpa, mas pelas quais eu ainda me sinto culpa. Uso essas situações por que são mais fáceis de falar, afinal eu de forma objetiva sei que não são minha culpa. Eu escolho o caminho mais fácil da fala, pois ainda tô bem longe de encarar as que eu de fato sinto que são minha culpa e não terei como escapar.

Eu me sinto culpada.

Eu me sinto culpada pelo período de instabilidade emocional que minha família inteira passou durante o ano que tentavam diagnosticar minha doença. Eu me sinto culpada por ter um transtorno emocional e como essa minha instabilidade afeta as pessoas ao meu redor. Eu me sinto culpada por ser suicida. Eu me sinto culpada por demandar atenção devido a todas as doenças, físicas e psicológicas, que possuo.

Eu me sinto culpada pelo meu temperamento. Eu me sinto culpada por as vezes estar tão esgotada que acabo explodindo com pessoas que fazem comentários errados que me farem, mas que tinham a intenção de me ajudar.

Eu me sinto culpa por ser tão difícil de amar. Considerando que por me sentir tão culpada, não sou capaz de me amar, sinto culpa por esperar que outros me amem quando eu não sou capaz de fazer o mesmo.

Eu me sinto culpada por não atingir a expectativa dos outros. Por não ser tão inteligente quando supõem que eu sou, eu me sinto culpa por que na minha cabeça eu estou enganando a todos fazendo parecer que sou tão inteligente quanto eles acreditam que eu sou, eu sinto que eu os iludi e menti e por tanto é minha culpa.

Eu me sinto culpada por não poder ajudar aqueles que gosto. Eu me sinto culpada.

Eu me sinto culpada por cada relacionamento que deu errado, sejam amizades, amorosos ou a teórica relação familiar que todas as pessoas deveriam construir e desejar. Eu me sinto culpada por me sentir feriada emocionalmente tão fácil. Eu me sinto culpada por deixar algumas pessoas entrarem tão facilmente under my skin.

Eu me sinto culpada por simplesmente não conseguir acreditar em uma religião ou em uma forma de deus, por que eu sinto que estou renegando tudo que me foi ensinado quando criança. Eu me sinto culpada por que acreditar em tudo aquilo apenas me deixava mais raivosa com a vida, eu me sinto culpada por que religião não me traz um acalento como traz tantas outras pessoas.

Eu me sinto culpada por abrir mão de tudo muito rápido. Eu poderia ter lutado por ela mais? Eu poderia ter tentado fazer isso dar certo por mais tempo? Eu deveria ter me esforçado mais. Eu deveria ter tentado me aproximar dele, tentado superar essa raiva, tentado entender o lado dele da historia, mesmo ele nunca tendo tentado minimamente ter entendido o meu.

Eu me sinto culpada por todos os amigos que não me procuram, não me visitam, que não falam comigo tanto. Eu deveria ter tentado mais, eu deveria ser mais fácil de lidar, eu deveria ser mais fácil de entender, eu deveria entendê-los mais, eu deveria, eu deveria, eu deveria.

Eu me sinto culpada por não ser tão produtiva. Eu me sinto culpada por aos 26 anos não fazer ideia do que eu vou fazer da minha vida. Eu me sinto culpada por não conseguir ver uma perspectiva de vida. Eu me sinto culpada por me sentir tão incapaz por tanto tempo.

Eu me sinto culpada.

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