Sobre Culpa

novembro 13, 2015 at 2:48 pm (aleatorias)

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Ontem eu fui pra terapia, eu sabia que seria uma sessão difícil. Considerando como eu estava nas ultimas 3 semanas, eu esperava passar meia hora chorando sem conseguir articular palavras.

Em um ponto da sessão minha psicóloga pergunta “Do que você sente culpa”. E eu respondo de tudo, por que essa é a forma mais rápida e simples de conseguir falar sem cair no chão chorando em posição fetal, obviamente eu acabo tentando enumerar algumas situações que eu sei que não são minha culpa, mas pelas quais eu ainda me sinto culpa. Uso essas situações por que são mais fáceis de falar, afinal eu de forma objetiva sei que não são minha culpa. Eu escolho o caminho mais fácil da fala, pois ainda tô bem longe de encarar as que eu de fato sinto que são minha culpa e não terei como escapar.

Eu me sinto culpada.

Eu me sinto culpada pelo período de instabilidade emocional que minha família inteira passou durante o ano que tentavam diagnosticar minha doença. Eu me sinto culpada por ter um transtorno emocional e como essa minha instabilidade afeta as pessoas ao meu redor. Eu me sinto culpada por ser suicida. Eu me sinto culpada por demandar atenção devido a todas as doenças, físicas e psicológicas, que possuo.

Eu me sinto culpada pelo meu temperamento. Eu me sinto culpada por as vezes estar tão esgotada que acabo explodindo com pessoas que fazem comentários errados que me farem, mas que tinham a intenção de me ajudar.

Eu me sinto culpa por ser tão difícil de amar. Considerando que por me sentir tão culpada, não sou capaz de me amar, sinto culpa por esperar que outros me amem quando eu não sou capaz de fazer o mesmo.

Eu me sinto culpada por não atingir a expectativa dos outros. Por não ser tão inteligente quando supõem que eu sou, eu me sinto culpa por que na minha cabeça eu estou enganando a todos fazendo parecer que sou tão inteligente quanto eles acreditam que eu sou, eu sinto que eu os iludi e menti e por tanto é minha culpa.

Eu me sinto culpada por não poder ajudar aqueles que gosto. Eu me sinto culpada.

Eu me sinto culpada por cada relacionamento que deu errado, sejam amizades, amorosos ou a teórica relação familiar que todas as pessoas deveriam construir e desejar. Eu me sinto culpada por me sentir feriada emocionalmente tão fácil. Eu me sinto culpada por deixar algumas pessoas entrarem tão facilmente under my skin.

Eu me sinto culpada por simplesmente não conseguir acreditar em uma religião ou em uma forma de deus, por que eu sinto que estou renegando tudo que me foi ensinado quando criança. Eu me sinto culpada por que acreditar em tudo aquilo apenas me deixava mais raivosa com a vida, eu me sinto culpada por que religião não me traz um acalento como traz tantas outras pessoas.

Eu me sinto culpada por abrir mão de tudo muito rápido. Eu poderia ter lutado por ela mais? Eu poderia ter tentado fazer isso dar certo por mais tempo? Eu deveria ter me esforçado mais. Eu deveria ter tentado me aproximar dele, tentado superar essa raiva, tentado entender o lado dele da historia, mesmo ele nunca tendo tentado minimamente ter entendido o meu.

Eu me sinto culpada por todos os amigos que não me procuram, não me visitam, que não falam comigo tanto. Eu deveria ter tentado mais, eu deveria ser mais fácil de lidar, eu deveria ser mais fácil de entender, eu deveria entendê-los mais, eu deveria, eu deveria, eu deveria.

Eu me sinto culpada por não ser tão produtiva. Eu me sinto culpada por aos 26 anos não fazer ideia do que eu vou fazer da minha vida. Eu me sinto culpada por não conseguir ver uma perspectiva de vida. Eu me sinto culpada por me sentir tão incapaz por tanto tempo.

Eu me sinto culpada.

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Sobre Algo Que Eu Deveria Falar na Terapia

novembro 9, 2015 at 6:19 pm (aleatorias)

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Estou longe de estar no meu melhor momento, não sei dizer exatamente quando eu cheguei aqui, possivelmente tem a ver com minha péssima relação com meu pai. Segundo minha terapeuta, tudo tem a ver com isso, sim, ela é freudiana, como você adivinhou?

Em todo caso não vi aqui para reclamar do meu pai ou reclamar da minha vida em geral. Vim reclamar de um ponto bem especifico da minha, que na verdade eu nem acho que afete exclusivamente a mim, mas a uma parcela de pessoas, que eu gostaria que fosse menor do que realmente é.

O problema de ser uma pessoa de 20 e tantos anos que foi um adolescente suicida. E aqui eu digo depressão mesmo, eu não quero dizer como aquela vez que você chorou por um dia por que levou um fora do seu namoradinho ou aquela vez que ficou bem mal por que seu avô faleceu aos 96 anos.

Eu digo depressão no sentido de não achar que sua vida não tem sentido algum por 6 meses, de se sentir tão desesperançoso que você não se mexeu da cama por uma semana, que você não comeu, não tomou banho, não se importou com nada, onde você dormia chorando com a esperança de que não acordaria no dia seguinte. Você simplesmente desistiu de viver e estava apenas fraco demais para fazer algo definitivo a respeito.

Eu falei por seis meses, mas a verdade é que essa foi uma realidade minha desde os 15 anos. Eu existia, eu não vivia, eu fazia todos ao redor felizes, cumpria as obrigações, escondia minhas emoções ao máximo e todo mundo me dava parabéns por eu ser uma garota forte que não me deixava se abater por nada. Quando a realidade é que eu estava diariamente rezando para que um acidente me atingisse, para que eu fosse atropelada ou o carro que eu estava capotasse. Eu só queria morrer.

Eu me feria mais vezes do que as pessoas poderiam esperar e eu mentia muito bem sobre isso. Todo dia eu pensava que eu nunca chegaria aos 30, eu já estaria surpresa se chegasse aos 20 anos. Eu não fazia planos pra mim, claro fiz muitos planos pros outros. Disse pra minha mãe que me formaria aos 24, iria pro estado de um namorado da época fazer mestrado, doutorado seria fora do país, viraria professora-pesquisadora de universidade. Casaria.

Mas ela não sabia que eu estaria morta antes dos 30, eu só precisava contar algo para deixa-la feliz, eu iria morrer, eu sentia isso, eu precisava morrer. Eu só não contava com a possibilidade de viver. Aqui estou eu com 26 anos, eu deveria ter me descoberto, encontrado minha identidade, achado o que fazer, deveria ser capaz de me sustentar de alguma forma, mas todos esses anos em que eu deveria estar descobrindo isso eu estive lutando com a minha mente.

Aqui estou eu num ponto da minha vida onde todo mundo parece estar caminhando para algum lugar e eu me sinto presa, incapaz, incompetente. Por que as pessoas estudavam, aprendiam a ter relacionamentos e trabalhavam e eu tentava me aceitar, tentava achar um ponto de equilíbrio para minha própria mente. Ponto esse que eu de fato não encontrei ainda.

Eu até queria terminar esse texto de alguma forma otimista, afinal, eu estou perto dos 30, eu não me matei. Porém eu estou num lugar  tão errado, tão ruim no momento que não consigo ver isso como uma vitória em sentido algum.

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