Uma Talvez Confusa Descoberta Sexual

março 15, 2017 at 11:02 pm (aleatorias) (, , , )

É diferente para cada pessoa, sei bem disso. Algumas pessoas juram que nasceram sabendo e outros passaram por um processo mais traumático que o meu. Esse é o relato pessoal de como eu descobri e entrei em acordo com a minha sexualidade.

Pra valer mesmo tudo começou quando eu tinha 9 anos. Minha escola depois do fim do recreio colocava as turmas em fila para que uma a uma subissem para salas, ele era um ano mais velho que eu. O que foi um problema por dois motivos, primeiro que eu era exageradamente tímida e nunca teria coragem de falar com ele e segundo que no ano seguinte ele iria estudar no prédio do outro lado da rua e eu nem mesmo poderia vê-lo. Minha crush parecia não ter futuro, até eu chegar na  quinta série e a sorte ter me sorrido, ele havia repetido de ano e estava na minha turma.

Minha memória falha miseravelmente em como, mas eu e ele nos tornamos bons amigos nos 4 anos que estudamos juntos e depois. Nunca tivemos nada, nunca tive o ímpeto de iniciar nada, a convivência de amizade bastava, na época não entendia o que isso significava, hoje em dia sei.

Curiosamente com 11 anos também foi a primeira vez que me interessei por uma garota. Ela era loira, pequena e tinha olhos verdes, não entendia meus sentimentos então achei que queria muito ser  amiga dela. O objetivo havia sido alcançado até chegar as férias de julho e ela voltar com outra melhor amiga. Fiquei tomada de ciúmes achando que não aceitava ser trocada. Verdade que isso teve parte, mas o principal foi não compreender que a atenção que queria dela não era a de amizade.

Muitos nos depois, já com 15 fui ter meu primeiro beijo, meu primeiro namorado, segundo namorado. A parte do beijo tinha sido divertida, os namoros não foram. Na época eu comecei a achar que havia algo errado comigo por que meus namoros não  duravam nem 2 meses e eu precisava terminar por não aguentar os caras mais.

Nessa mesma época eu tive uma professora de Química que era simplesmente parecidíssima com a Kelly Key e eu achava ambas lindíssimas. Ela entrava em sala de aula e eu esquecia até meu nome, o que era irônico, compartilhávamos o nome. Minha adolescência estava sendo achar que tinha vindo com peças faltando por não tolerar namorar rapazes e estar sexualmente frustrada graças a minha professora. Tinha o cenário perfeito para dizer que era lésbica se não fosse pelo rapaz com quem ficara em janeiro de 2005.

Ficara com ele algumas vezes e aquele era o primeiro garoto que de fato for capaz de me fazer sentir algo a mais. Hoje em dia sei dizer que era tesão que eu sentia, na época achei que era amor. Acho que o maior problema da adolescência, ao menos pra mim como menina, tudo era muito romantizado, até por mim mesma. De qualquer jeito, o desejo de agarrar aquele garoto ao final dos treinos de handbol não facilitou nada entender a minha sexualidade.

Tudo era uma eterna confusão e nada fazia sentido, exceto quanto eu estava com Ela. Bastava estar ali no mesmo espaço que eu, estar em uma ligação de 3 horas e o mundo fazia sentido. Ela era minha melhor amiga, numa daquelas amizades super intensas que fazia minha mãe se questionar.

Eu a amei sem saber por um ano inteiro, sem entender meus sentimentos. E por mais um ano eu guardei meu segredo com medo de perde-la. No fim tudo acabou. Restou o pânico em mim, até bem pouco tempo atrás bastava eu suspeitar tê-la visto que o coração disparava, o ar sumia dos pulmões, as mãos tremiam. Uma vez eu quase desmaio em cima de uma amiga ao vê-la passar do outro lado da praça de alimentação de um shopping.

A ultima vez que achei ter me apaixonado por um homem foi há 10 anos atrás em um encontro de estudantes e sendo bem honesta o que manteve meu interesse foi o tesão. Ainda hoje ele é o melhor beijo que eu já tive. A medida que eu o conhecia ia vendo quão agradável era a conversa e a conexão era fácil e o melhor de tudo não  havia pressão de relacionamento e isso fez o nosso contato durar anos e ele na época ter se tornado o ideal que procurava de homem.

O que só fui compreender recentemente é que eu nunca fui defeituosa por não querer namorar homens, mas ainda deseja-los. Eu não sinto desejo romântico por homem. Aprecio a beleza estética, tenha atração física e desejo sexual, sinto carinho e apego, no entanto não consigo ter o ímpeto de me comprometer com homens ou o desejo de namorar, casar e constituir família com eles.

Entre os anos de conversa com o ultimo homem por quem achei ter me apaixonado algo aconteceu. Eu tive apendicite e no laboratório onde meu apêndice foi ser analisado trabalhava uma garota que havia estudado comigo no terceiro ano. Parece bizarro e uma forma nada fofa do destino agir. Ela entrou em contato, queria sair comigo e quando descobri que ela era lésbica, bem, algo se mexeu em mim.

Desde Ela nenhuma garota mexia comigo. O que tornava muito fácil ignorar minha sexualidade. Essa colega de escola não tornava nada fácil com suas sardas perfeitamente colocadas na altura do nariz e um charme na voz capaz de me fazer pular de um prédio.

Eu a quis mais do que desejei qualquer outro homem. Enquanto era apenas uma garota capaz de fingir, mentir para mim mesma, agora não podia mais. Estava incerta sobre muitas coisas menos sobre querer estar com ela e não ser justo manter isso no armário.

Nunca cheguei a ter algo sério com a colega de escola, na época eu achei que ela era muito mais do que de fato foi. Para me aceitar precisava que meus sentimentos fossem muito maiores do que eram de fato.

A colega de sala sempre terá um lugar especial, de muitas formas ela foi a minha primeira, o impulso pra me aceitar. Marlene King usa uma expressão para falar de um casal que escreveu que eu adoro, ela é um pedaço da jornada, mas não é o destino final.

Aqui parece que minhas descobertas se tornavam consciente com forme aconteciam, não poderia estar mais longe da verdade. Como disse em alguns pontos, muitos detalhes só passaram a fazer sentido anos demais estudando sexualidade e tendo um olhar mais maduro sobre minhas memorias. E muito provavelmente seja assim para tantas outras pessoas, então compartilhem suas memorias ou apenas repensem elas, talvez descubram novas informações divertidas e se quiserem me contar eu adoro ouvir relatos.

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Vamos Falar Sobre Emison

junho 1, 2015 at 12:18 am (aleatorias) (, , , )

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Eu estava muito casualmente conversando com uma amiga no twitter sobre Emison, casal formado por Emily e Alison de PLL, e estava argumentando sobre os motivos que eu tenho para shippar as duas juntas.

Eu em momento algum vou dizer que a Alison é a sweet cinnamon roll to pure for this world. Ela não é, ela é uma mean bitch girl, ela vai destruir a sua vida se você cruzar o caminho dela e eu meio que amo isso nela.

Eu reconheço que é problemático e abusivo a relação dela com a Hanna, acredito que com a Spencer também, mas eu não tô aqui discutindo isso, mas a relação dela com a Emily.

Alison é uma mentirosa compulsiva quase, ela foi criada por uma mulher levemente desequilibrada acreditando que mentir era a única forma de se conseguir o que se quer, então ela acabou baseando todas as relação dela nessas mentiras. O que acontece que é quando ela está com a Emily, ela mente, de fato mente, mas ela está mentindo a pessoa que ela gostaria de ser.

Com as outras liars ela mentia para conseguir que as meninas fossem quem ela queria, com a Emily a dinâmica é inversa. Ali mente para ser quem a Ems idealizava. Não existia uma situação de poder necessariamente ali como existia com as outras meninas.

E ai alguém pode trazer a vez que a Emily se declarou e a Alison deu um fora nela. Eu já fiz isso, eu já dei um fora numa amiga de quem eu gostava por que eu estava tão assustada com a ideia de gostar de garotas que eu entrei numa espiral profunda de negação. Acontece, é infelizmente mais comum do que se imagina. Especialmente se for uma pessoa tão controladora quanto a Ali que vive em função do status social que ela vai ter num cidadezinha de interior com Rosewood.

Houve o momento que a Alison finge a própria morte. A loira agora se encontra sozinha, fugindo sabe-se lá de quem, deixando uma vida inteira pra traz e por conta disso ela acaba revivendo todas as relações que ela deixou para traz, o que inclui a Emily. Isso faz com que a perspectiva do que é importante para ela se altere, o status social não é tão importante quando o bem estar dela e das outras meninas, quanto dar vazão aos sentimentos e historias que ela havia deixado. Prova disso é na finale da segunda temporada quando ela beija a Emily.

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Aquela conversa e aquele beijo nunca foram para consolar ou acalentar Emily, mas foi o momento em que Alison se permitiu reconhecer tudo que sentia pela amiga, aquele foi um beijo pra ela, pra compensar os beijos anteriores onde ela dizia que eram apenas pra praticar, aquele foi o primeiro beijo que ela aceitou querer aquele beijo.

Enquanto que Ali tentava se apegar ao que sentia e viveu pra passar pelos anos que ela estava fugida, Emily precisava achar caminhos de superar o que sentia e viveu com a amiga. Pra ela, a Alison estava morta e aquilo era apenas doloroso demais. Tanto que o desaparecimento inicial da Ali fez Spencer e Hanna desabrocharem se tornando as garotas no controle, você nota que Emily foi se apagando. Dá pra notar isso vendo as personalidades delas nos flashback e na primeira temporada.

Acontece que agora Emily sabe que Alison estava viva. Nas poucas, bota poucas, ocasiões onde as duas puderam discutir a relação que elas têm a Ali de alguma forma afirma o que eu tenho dito até aqui. Acontece que Emily tem a sua memoria comprometida, afinal ela tentou achar caminhos para superar o que sentia, além de constantemente ouvir todos falando mal da Alison e aquilo a faz questionar se o que ela conhecia era realmente a garota ou uma projeção que ela havia feito. E Alison nunca soube como era uma relação sem segundos interesses, ela não sabe baixar a guarda.

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Eu não acho que Emison seja uma relação perfeita, elas precisam de um longo caminho para se acertar e tudo começa com algumas horas de conversa franca e paciência. Acontece que eu acredito genuinamente no sentimento que elas tem uma pela outra e que a Alison quer ser o melhor para a Emily. E por diversas razões pessoais, eu acredito que a Emily nunca superou realmente o que sente pela amiga, acredito que ela poderia ter sido feliz com a Maya ou com a Samara e até mesmo com a Paige, mas existe algo sobre a Alison que sempre vai ficar na cabeça dela até elas tentarem.

E esses são alguns dos motivos que eu sou Emison shipper.

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Existe Diferença Entre Amizades de Pessoas de Sexualidade Diferente?

dezembro 27, 2014 at 6:17 pm (aleatorias) (, , , )

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Eu estava um dia no youtube vendo alguns vlogs e um deles tinha essa frase, eu comecei a ver o vídeo e essa pergunta ficou na minha cabeça. Se você quiser assistir o vídeo ele é esse que se encontra aqui em baixo.

 

Se você viu o vídeo, ótimo, você além dos seus próprios pensamentos está tendo pensamento sobre o que outras pessoas pensaram. Senão, tudo bem, os seus pensamentos ainda são muito válidos. Assim como a pessoa do vídeo, eu joguei essa pergunta nas minhas redes sociais. E eu recebi alguns insights interessantes.

O primeiro começa com a confirmação do que foi dito no vídeo. Entenda que em nenhum momento estou considerando o fator homofobia nessa conversa. A maioria das pessoas que diz “eu não vejo diferença nenhuma entre amizade com pessoas heteros e pessoas queer” são heteros. Agora quando é uma pessoa queer, ela diz que sim, sente uma diferença. E como eu disse, eu não estou falando de homofobia, de “eu tenho medo que minha amiga dê em cima de mim” ou “não fico desconfortável de trocar de roupa na frente dela por que ela é queer”. Não é isso.

Eu quando comecei a questionar minha sexualidade só tive “coragem” de falar com amigos queers. A primeira pessoa pra quem contei que tinha um interesse em uma menina e que eu não sabia o que fazer com isso foi um amigo gay. Por que ele passou por essa experiência de gostar de alguém do mesmo sexo, nenhum amigo hetero meu teve isso, ou eles não seriam heteros.

Eu tenho amigos que são narnianos, pessoas que vivem no reino encantado do armário e só tem amigos heteros, eles esconderam namoros de mais de um ano dos amigos, mas eu sabia de tudo. Eu conheci as pessoas com quem namoravam, basicamente eu era a única pessoa com quem esses amigos podiam ser 100% eles mesmos.

Sexo. Claro que eu falo de sexo com qualquer pessoa, mas quanto mais intimido de alguém, melhor eu me sinto ao falar de sexo. Eu não dou detalhes do que faço ou deixo de fazer com amigos homens, eles também não me dão detalhes. Existe um código silencioso, quando falo com amigos homens heteros fica no “peguei” “fiz sexo” “foi ótimo”, eles não querem os detalhes e eu não me sinto confortável em dar. Se falo com amigos gays ou amigas mulheres em geral eu falo do sexo que faço com homens, ai as vezes vai tamanho, o que ele deixou de fazer, o que ele foi bom fazendo, quantas vezes aguentou e se eu fiz ou não sexo com garotas. Agora se eu falo com alguma amiga que também gosta de meninas não existe limites, eu sei tudo sobre certas pessoas.

Se eu sofro algum ato de preconceito, por mais que algum amigo hetero tente me reconfortar não é a mesma coisa, por que só outra pessoa LGBT sabe a dor que eu tô sentindo. Por mais que eu saiba que os heteros têm boas intenções, os conselhos, dicas ou o que quer que eles oferecem são vazios. É como eu chegar pra um cego e falar que eu consigo imaginar como ele se sente, eu não consigo. Eu tenho como conseguir, eu vejo, eu sei o que são formas e cores e minha vida é tão mais fácil assim, não importa o quanto eu leia sobre cegos, o quanto eu escute o relato deles, eu nunca vou entender o que  é ser um.

E acho que por isso a maioria dos meus amigos é gays, lésbicas, bissexuais ou pessoas queer no geral. Existe esse senso de comunidade sim, meus pais não me colocaram pra fora de casa por eu sei bi, mas eu tive esse medo. Eu lembro do nervosismo que foi contar pra duas amigas que são católicas sobre estar apaixonada por uma garota, pra elas não foi nada, tenho certeza que nenhuma delas lembra o que me disse no dia, mas eu lembro.

Então sim, a minha sexualidade afeta as minhas amizades. Eu não estou dizendo que eu só sou amiga de pessoas queer ou que a amizade com pessoas queer é mais importante pra mim do que a amizade com pessoas heteros. Não é isso, apenas estou dizendo que as amizades são diferentes. Sabe quando você tem uma amiga que tem o mesmo tamanho que você e vocês podem compartilhar roupa, isso é algo que vocês dividem e é maneiríssimo, vão haver muitos amigos que você não vai poder fazer o mesmo, ainda serão seus amigos tanto ou as vezes mais do que com a amiga da roupa, é apenas uma amizade diferente.

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