Sobre Algo Que Eu Deveria Falar na Terapia

novembro 9, 2015 at 6:19 pm (aleatorias)

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Estou longe de estar no meu melhor momento, não sei dizer exatamente quando eu cheguei aqui, possivelmente tem a ver com minha péssima relação com meu pai. Segundo minha terapeuta, tudo tem a ver com isso, sim, ela é freudiana, como você adivinhou?

Em todo caso não vi aqui para reclamar do meu pai ou reclamar da minha vida em geral. Vim reclamar de um ponto bem especifico da minha, que na verdade eu nem acho que afete exclusivamente a mim, mas a uma parcela de pessoas, que eu gostaria que fosse menor do que realmente é.

O problema de ser uma pessoa de 20 e tantos anos que foi um adolescente suicida. E aqui eu digo depressão mesmo, eu não quero dizer como aquela vez que você chorou por um dia por que levou um fora do seu namoradinho ou aquela vez que ficou bem mal por que seu avô faleceu aos 96 anos.

Eu digo depressão no sentido de não achar que sua vida não tem sentido algum por 6 meses, de se sentir tão desesperançoso que você não se mexeu da cama por uma semana, que você não comeu, não tomou banho, não se importou com nada, onde você dormia chorando com a esperança de que não acordaria no dia seguinte. Você simplesmente desistiu de viver e estava apenas fraco demais para fazer algo definitivo a respeito.

Eu falei por seis meses, mas a verdade é que essa foi uma realidade minha desde os 15 anos. Eu existia, eu não vivia, eu fazia todos ao redor felizes, cumpria as obrigações, escondia minhas emoções ao máximo e todo mundo me dava parabéns por eu ser uma garota forte que não me deixava se abater por nada. Quando a realidade é que eu estava diariamente rezando para que um acidente me atingisse, para que eu fosse atropelada ou o carro que eu estava capotasse. Eu só queria morrer.

Eu me feria mais vezes do que as pessoas poderiam esperar e eu mentia muito bem sobre isso. Todo dia eu pensava que eu nunca chegaria aos 30, eu já estaria surpresa se chegasse aos 20 anos. Eu não fazia planos pra mim, claro fiz muitos planos pros outros. Disse pra minha mãe que me formaria aos 24, iria pro estado de um namorado da época fazer mestrado, doutorado seria fora do país, viraria professora-pesquisadora de universidade. Casaria.

Mas ela não sabia que eu estaria morta antes dos 30, eu só precisava contar algo para deixa-la feliz, eu iria morrer, eu sentia isso, eu precisava morrer. Eu só não contava com a possibilidade de viver. Aqui estou eu com 26 anos, eu deveria ter me descoberto, encontrado minha identidade, achado o que fazer, deveria ser capaz de me sustentar de alguma forma, mas todos esses anos em que eu deveria estar descobrindo isso eu estive lutando com a minha mente.

Aqui estou eu num ponto da minha vida onde todo mundo parece estar caminhando para algum lugar e eu me sinto presa, incapaz, incompetente. Por que as pessoas estudavam, aprendiam a ter relacionamentos e trabalhavam e eu tentava me aceitar, tentava achar um ponto de equilíbrio para minha própria mente. Ponto esse que eu de fato não encontrei ainda.

Eu até queria terminar esse texto de alguma forma otimista, afinal, eu estou perto dos 30, eu não me matei. Porém eu estou num lugar  tão errado, tão ruim no momento que não consigo ver isso como uma vitória em sentido algum.

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Sobre Precisamos Falar Sobre Sexo

setembro 23, 2015 at 1:44 am (aleatorias) (, )

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Estava tranquilamente na minha vendo alguns vídeos no youtube percebi que existe um problema comum que afeta a maioria dos jovens. A falta de educação sexual, quando eu e refiro falta, não apenas a não existência de educação sexual, como também a educação sexual dada de forma errada. Outro ponto, quando eu digo jovens, não é apenas me referindo a adolescentes de 12 a 18 anos não, tem muita gente de 20 e tanto, talvez 30 com má informação sobre o tema.

Precisamos começar a falar de sexo. Eu dei sorte, tive bons professores de biologia desde o meu ensino fundamental que trataram bem questões como DST’s, métodos contraceptivos, sexo seguro e as mecânicas básicas do sexo entre homem e mulher cis. Além disso, meus pais sempre foram bem receptivos as minhas dúvidas, então cheguei a ter conversas sobre não apenas a mecânica do ato sexual, mas implicações psicológicas e emocionais que isso pode trazer, como lidar com pressão social ou pressão vindo dentro de uma relação, segurança emocional. Fui educada sabendo que sexo é algo bom e prazeroso onde as duas pessoas devem ter interesse em realizar, sabe o papo do consentimento. Exploro meu próprio corpo desde os 13 ou 14 anos, sexualmente eu sou uma pessoa bem confortável, não vejo nada no sexo como um grande tabu, duas pessoas de acordo é show de bola.

Agora eu tenho amigas adultas que viram Glee e vieram me perguntar se com um cara ejaculando numa jacuzzi realmente uma mulher poderia engravidar. Outra amiga não fazia ideia do que era HPV. Também teve o caso de uma que por não ter rolado penetração pênis/vagina, mas praticamente todo resto rolou ela estava em dúvida se era ou não virgem. Em contra partida havia quem achasse que se pode perder a virgindade num exame ginecológico.

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São absurdos desses que me deixam preocupada, fui perguntar alguns amigos e amigas e apenas outras duas pessoas tiveram boas aulas sobre sexo na escola e via de regra pais não falam nada, é na lei do se vira sozinha e aprende na marra. Ai sabe como esse pessoal aprende sexo? Jogando no google e acha que vídeo do XVideos ensina alguma coisa.  Pornô é tão educativo para sexo quanto achar que com 11 temporadas de Grey’s Anatomy você tem um diploma de medicina.

Quando eu fiz sexo pela primeira vez foi com um cara que eu não tinha o menor interesse. Sério, só fiz sexo com esse cara por que ele estava lá, poderia ter sido qualquer pessoa que não faria muita diferença. Mas sabe o que fez toda diferença? Eu quis fazer sexo, estava preparada pra fazer sexo emocionalmente e psicologicamente, eu sabia que aquela vez não iria significar nada, que o intuito era apenas obter prazer momentâneo e eu queria aquilo na hora.

Dado toda educação sexual que eu tive na minha vida eu consigo entender perfeitamente que ás vezes sexo é apenas sexo, suas pessoas querendo sentir prazer naquele momento, onde não há necessidade de envolvimento emocional. E esse tipo de pensamento ajuda muito a acabar com o slut shamming, se você não achar que sexo é um ato muito importante e sagrado que deve ser resguardado para pessoas que se amam e qualquer baboseira romântica absurda que tendo empurrar na gente você não vai julgar se a pessoa tá fazendo sexo por ai.

Mas a mesma educação sexual também me fez entender que eu não estava preparada para fazer sexo aos 15 anos com meu primeiro namorado, afinal e se ele terminasse comigo depois? Como eu iria me sentir, o que eu iria pensar? Algumas pessoas de 16 anos tem mais maturidade emocional para lidar com isso do que muitas pessoas de 30. Sexo é muito de cada caso ser um caso mesmo, ter uma boa educação sexual apenas ajuda muito.

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Além disso, é importante se falar de sexo como algo além de pênis na vagina. Existem tantas formas criativas e divertidas de se fazer sexo, pênis na vagina é possivelmente a parte mais chata e menos prazerosa do ponto de vista feminino. As escolas precisam falar sobre sexo oral, sexo anal, sexo entre dois homens e sexo entre duas mulheres por que sim, algumas DST’s podem ser transmitidas no sexo oral e no sexo anal, além disso existem lésbicas, gays e pessoas bi nas salas de aula e essas pessoas não tão tendo informação na forma delas de fazer sexo. Educação sexual tem que ser para todos.

Se você tem primo, sobrinho, afilhado, filho, filha, afilhada, sobrinha, prima ou é vizinho de alguma criança ou adolescente fale de sexo com eles. O momento certo de se falar sobre sexo com uma criança é quando ela pergunta, por que significa que ela tem duvidas, você não precisa fazer uma apresentação em power point do Kama Sutra, mas responda o que ela pergunta, não torne sexo um bicho de sete cabeças.

E mesmo sendo uma pessoa crescida fale de sexo com seus amigos sem a ideia de que isso é algo para se constranger, troca ideias e experiências, expanda seus horizontes. Infelizmente tá existindo uma geração que acha que sexo é o que tem em livros como 50 Tons de Cinza que é algo doentio, patológico e um retrato equivocado do que é BDSM.

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Sobre… Essa semana.

setembro 19, 2015 at 3:31 am (aleatorias)

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Você já teve uma semana ruim, eu quero dizer realmente ruim. Não uma semana onde você estava cansado de acordar cedo e ir trabalhar por que preferia estar na praia lendo um livro, não uma semana onde você ficou usando o meme queria estrela morta. Eu quero dizer uma semana realmente ruim.

Uma semana onde você dormiu e acordou chorando. Uma semana onde você não trocou de pijama, uma semana onde cruzar a porta de casa lhe causou taquicardia e tremores de ansiedade. Uma semana onde você se trancou no quarto e se isolou do mundo a ponto de assistir quatro temporadas completas por que você precisava desligar seu cérebro um pouco.

Obvio que nem todos os momentos foram ruins, aqui e ali você riu, aqui e ali você foi capaz de se sentir você mesma um pouco. Você pensou que isso é só uma semana ruim que vai passar, eu já passei por semanas piores, você até conseguiu racionalizar.

O pior de semanas como essas não é nada do que eu disse. O pior é algo que eu não sei explicar, é uma auto sabotagem. Por que você sabe que tá pesado e que ter alguma forma de apoio é o que você precisa. O problema é que conseguir verbalizar isso é complicado.

Você não pede por ajuda num sentido de que você quer se sentir mal por não ter ajuda, você quer no fundo da sua mente algo justifique todos esses maus pensamentos. Você quer que aquela vozinha dizendo que ninguém se importa com você seja verdade, você quer sentir que não faz a diferença realmente. Então você não pede por ajuda e tem raiva do mundo quando ninguém oferece, sendo que você andou mentindo o tempo inteiro, você colocou a sua melhor mentira, o seu sorriso falso mais verdadeiro para que ninguém percebesse.

Você vai dizer que não podia falar nada por que pessoa X estava feliz, estava tudo indo bem na vida dela que seria injusto você atrair essa pessoa para a bagunça que você se encontra e no final você sempre lidou com isso sozinha mesmo. Você vai dizer que não podia falar por que pessoa Y já tem tantos problemas por si só, jogar mais esse peso nas costas alheia, um peso que nem pertence a ela seria egoísmo seu, você consegue dar conta disso sozinha como sempre fez. Você vai dizer que não pode falar por que pessoa Z está afastada, seria muita sacanagem ir atrás dela agora apenas para desabafar, que tipo de amiga seria você.

É isso você é apenas uma pessoa que se importa demais com os outros e não quer incomodar ninguém, por isso você sorri e diz que tá tudo bem e vez seu melhor otimismo antes de chorar até dormir.

É injusto o que você está fazendo, você sabe que é injusto ter raiva dos outros por algo que você está fazendo. Você tem raiva de si mesma por ter essa raiva e você nem esta mais exigindo nada de ninguém, você só também não fala nada ou fala o superficial, aquela parte otimista que diz “eu dou um jeito nisso, eu sempre dou” enquanto você vai repetindo pra si, é só uma semana ruim, vai passar.

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Livros 2015: Os Quadrinhos Que Eu Li e Esqueci de Escrever.

setembro 9, 2015 at 8:25 pm (livros) (, , , , , , , , , , )

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Eu estava de boas relendo Laços e Lições pra escrever aqui pro blog quando me toquei que eu Arlequina e Miss Marvel e esqueci de escrever sobre os dois aqui. Ai eu pensei em juntar tudo, fazer uma postagem linda de quadrinhos e depois tentar ser uma pessoa menos procrastinadora e os livros, quadrinhos e mangás que eu terminar de ler escrever aqui. Aviso que provavelmente continuarei enrolando, mas pelo menos uma hora eu juro que escrevo.

 

Arlequina – Uma Estranha no Ninho.

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Arlequina é um dos títulos dos Novos 52, que é o penúltimo reboot do universo DC. Sim, você leu certo, penúltimo, por que vão rebootar de novo, mas se você nunca leu nada de quadrinhos da DC, acho que os Novos 52 são uma boa pedida. Estão tentando e falhando miseravelmente colecionar a mensal da Arlequina por motivos de é amor demais e por que com o filme do Esquadrão Suicida vindo ai eu decidi que era hora de ficar familiarizada com o que tá rolando no universo dela.

Uma Estranha no Ninho não é uma revista de origem, ela já é a Arlequina mesmo, ela já se livrou do Coringa, o que acontece é que agora ela vai sair de Gotham e se mudar para Nova York numa espécie de recomeço a lá Arlequina.

Esse primeiro volume contém 188 paginas, acredito que 3 ou 4 historias. A introdução da revista é bem divertida, cheia de metalinguagem, homenagem a vários quadrinistas. As historias começam muito boas, engraçadas e de rápida leitura, mas a qualidade foi caindo e quando você chega na ultima página tudo pegou um tom nonsense que não ficou tão bom. Ainda não comprei o segundo volume, mas em breve devo fazer isso.

Miss Marvel Volume 1

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A Panini já anunciou que vai lançar a revista da Miss Marvel num encadernado próprio ainda esse ano aqui no Brasil, acontece que eu sou péssima com esse lance de esperar. Acabei lendo o primeiro volume em inglês mesmo e estou completamente apaixonada pela Kamala Khan.

Vejam que ela é uma adolescente de origem paquistanesa vivendo nos Estados Unidos, apenas por isso eu já leria um quadrinho sobre ela, afinal dilemas e questão não faltam, agora ela é uma garota nerd fã de super heróis que ganha super poderes. Se você é um pouco familiarizado com o universo Marvel percebe logo no começo que ela é uma inumana. Quando ela ganha os super poderes decide que vai ser uma heroína e usa o nome de Miss Marvel em homenagem a sua heroína favorita, Karol Danver que é atualmente a Capitã Marvel.

Ela é basicamente o Peter Parker mulher e sem o drama de perder os pais e o tio Ben. Então é uma leitura muito divertida, você se apega muito fácil a Kamala, você se reconhece muito nela também e o quão incrível é você ter a ideia de milhares de pessoas no mundo tão se identificando e se reconhecendo uma garota paquistanesa. Isso é enorme.

Laços

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Laços é o segundo título publicado pelo projeto Graphic Novels MSP, que é uma releitura dos personagens do universo Turma da Mônica feita por novos autores nacionais. Essa edição é realizada pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi numa obra linda que agrada a todos, mas especialmente os fãs da turminha e dos filmes dos anos 80.

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O roteiro traz diversas referencias a filmes dos anos 80, Laços tem um clima muito similar a de os Goonies, é uma aventura que traz uma mensagem de amizade. A sequencia inicial da revista é uma clara referencia aos filmes do John Hughes, especificamente Curtindo a Vida Adoidado. Além disso, tem um easter egg divertidíssimo que é a inclusão da turma do Bolinha em alguns pontos da historia.

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O Victor ficou responsável por fazer o desenho principal da historia, onde a turminha está entre os 6 ou 7 anos. Já a Lu ficou encarregada dos Flashbacks, onde a turma é mais baby e ainda conta uma historia do próprio Mauricio de Sousa. E eu preciso dizer que ela rouba a cena completamente, o Vitor tem já um traço muito fofo, mas a Lu é infinitamente mais fofa no traço dela, você fica completamente apaixonada desejando ler tudo que essa mulher desenhar na vida.

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Caso alguém desconheça a historia. Em Laços o Floquinho, cachorro do Cebolinha sumiu, e a turminha resolve se juntar e ir atrás do cachorro custe o que custar. Então tem mesmo essa pegada de aventura e um pouco de ação, mas o que fica é a mensagem de amizade e companheirismo, principalmente a que você vê na relação do Cebolinha com o Cascão já que os dois personagens tem muito mais destaque aqui.

Lições.

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Lições é a “continuação” de Laços, por assim dizer. Vitor e Lu Cafaggi retornam a Graphic Novel MSP com uma nova historia pra Turma da Mônica. Eles ainda trazem a mesma fofura e graça do traço que tinham na edição anterior, mas dessa vez com menos aventura. Lições é uma historia muito mais emocional e confesso, chorei um pouco lendo.

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O foco continua sendo a amizade, acho que esse é sempre o foco quando se trata da turma da Mônica, mas dessa vez houve um destaque bem maior para Mônica e para a Magali, a relação delas foi explorada. Nessa historia a turminha tenta fugir do colégio por que esqueceu de fazer a lição de casa e nisso a Mônica acaba quebrando o braço, por isso os pais das crianças, incentivados pela diretora, decidem que eles precisam passar menos tempo juntos e a Mônica será transferida de colégio.

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Eu fui uma criança que mudava constantemente de escola quando criança e mudar de escola significa perder seus amigos. É horrível, a Lu quando esteve aqui em Fortaleza compartilhou que viveu uma situação dessa, de ter a melhor amiga transferida do colégio e acho que essa foi uma grande fonte de inspiração e o que trouxe o realismo de como as duas meninas se sentem.

O clima dos anos 80 ainda se mantem, temos aqui referencias a De Volta Para o Futuro e Te Pego La Fora. Enquanto lia eu sentia muito o clima de Clube dos Cinco, as historias independentes, aquela coisa meio existencialista do filme, conversando com os autores foi revelado que foi uma coincidência, não aconteceu uma referencia intencional como havia acontecido anteriormente. Talvez seja um reflexo da infância mesmo do Vitor.

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Eu não esperava gostar mais de Lições, por que Laços foi uma experiência incrível de leitura, mas acabei preferindo muito mais essa segunda historia e acho que é uma leitura que qualquer pessoa gostando ou não de quadrinhos, gostando ou não da Turma da Mônica deveria fazer.

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Livros 2015: Americanah

setembro 7, 2015 at 5:54 pm (livros) (, , )

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Americanah é o segundo livro da Chimamanda que eu leio esse ano, meu objetivo é ler todos. Na verdade eu o comecei imediatamente depois de terminar Hibisco Roxo. Já terminei faz um bom tempo na verdade. De fato de Americanah pra cá eu já li outras quatro publicações, mas enrolo para escrever sobre elas por que é meu jeitinho.

Como eu li seguido e Hibisco é impossível não fazer comparações, devo dizer que esse é um livro de leitura muito mais fácil e leve. Acredito que se você nunca leu Chimamanda na vida, esse é um excelente livro para começar e depois você pode migrar para os outros livros dela.

Eu disse que era mais leve, até por que ser mis pesado que Hibisco Roxo é bem difícil. Hibisco foi um livro que me atingiu de forma pesada e honestamente ainda está me revirando em muitos momentos e olha que faz um tempo já que eu li. Americanah também tem alguns momentos de revirar o estomago.

O livro vai narrar a vida de Ifemelu, uma jovem mulher adulta que migrou da Nigéria para os Estados Unidos e depois de passar alguns muitos anos em solo americano decide voltar ao seu país natal. O livro funciona numa narrativa não linear, você começa a leitura sabendo que Ifem vai voltar a Nigéria e começa a narrar parte da vida dela adolescente lá, depois ela narra sua ida aos Estados Unidos e você acaba tanto tempo nesse flashback que chega a esquecer que aquele não é o tempo corrente e quando ela faz breves retornos ao tempo presente você tem uma sensação meio wibbly wobbly timey wimey.

É preciso entender alguns pontos, a situação classe media de um país como a Nigéria e o Brasil não é uma situação de classe media nos Estados Unidos. Esse choque financeiro afeta muito realidade da Ifem logo após sua imigração, além disso ela é uma imigrante e tem pouquíssimas oportunidades, tecnicamente nem trabalhar lhe é autorizado. Logo ela fica numa situação financeira extremamente precária, que é uma realidade não apenas de pessoas de país africanos que imigram pra lá, mas eu mesmo, uma brasileira conheço historias similares. Atualmente pra gente não é tão necessário, estamos em uma situação a trancos e barrancos estável, no entanto meus pais na década de 80 quando faziam faculdade tiveram amigos fazendo o mesmo que Ifem. Tem uma historia que um primo de meu pai que estava nos Estados Unidos e chegou a ter semanas onde tudo que tinha era bolacha água com sal e água pra se alimentar e nem condições de comprar algo mais.

E uma situação dessa afeta profundamente o psicológico e emocional de uma pessoa. Ifemelu fez coisas das quais não se orgulha e a gente vê como isso a afeta, se abre um dialogo sobre como essa questão de imigração abre caminho para depressão ou outros distúrbios psicológicos. Bem como, abre a discussão de como o fato de pessoas vindas de países em desenvolvimento ou de camadas sociais baixas ou ainda pessoas não brancas tendem a rejeitar esse tipo de doença.

Depressão é doença de branco, o engraçado é que poucas pessoas lembram, mas colesterol alto e diabete também costumavam ser doenças de brancos. Eu sinto que negros não tem permissão de ter doenças que não são de fácil compreensão, transtorno psicológicos são sim doenças, mas estão num campo tão subjetivo, não existe uma causa, um vírus, uma bactéria que esteja causando isso, não existe nem um exame que diga por A + B que o paciente está depressivo. Como depressão muitas vezes soa como algo inventado para justificar vida difícil ou preguiça, negro tão tem direito a ter vida difícil ou preguiça, a vida é assim e você tem que fazer algo.

Além dessa questão de imigração, existe o senso de identidade racial. Ifem não se sentia negra na Nigeria, apenas tomou conhecimento disso ao pisar em solo americano. Pode soar meio absurdo, especialmente pra você leitor branco ou com visão branca da vida, mas pra mim fez todo sentido do mundo. Todo lugar do planeta tem racismo, acontece que em países onde a maioria da população é negra ele não parece obvio já que toda população sofre, você ainda não entende né? No tempos de colégio da Ifem, a garota bonita era a mestiça, a de pele mais clara, de cabelo de cachos abertos e não crespo, é inconscientemente a pessoa com traços mais brancos entre os negros.

Eu odeio brasileiro que diz “ainda bem que aqui no Brasil não tem essa coisa de casta racial como nos Estados Unidos somos menos preconceituosos”, querido isso é mentira. Aqui no Brasil a menos que a pessoa não tenha escapatória total em ter pele bem escura e cabelo bem crespo é muito comum a pessoa não se identificar como negro. Um termo que eu tenho nojo? Moreno limite, gente que usa esse termo diz que significa que é mais escuro que ele passa ser negro. Implicitamente tá dizendo que ele ainda tem valor como branco.

O mestiço no Brasil se vê como branco e pratica racismo com o negro, no Brasil existe o disparate de gente dizer que tem mãe ou pai negro, mas não se diz negro em momento algum. Por que se dizer negro é assumir ser pessoa que sofre opressão, que é mal visto socialmente e ninguém quer dizer. A pessoa não se reconhece negro a menos que seja obrigada, mas a pessoa sofre racismo sim, apenas não reconhece que é racismo e por isso que a questão racial no Brasil ainda está tão atrasada.

Esse é choque de realidade que a Ifem sobre ao se descobrir negra num país branco. Eu sofreria algo muito similar a isso indo aos Estados Unidos, o racismo que iria sofrer seria menos velado que o que já sofro aqui.

O livro ainda vi abordar objetificação racial, Ifem arruma por um período um namorado branco e o cara é um babaca riquinho que em momento algum reconhece seus privilégios e não percebe o racismo velado que pratica constantemente. Também tem a questão de empoderamento para mulheres negras através de assumir o cabelo cacheado ou crespo, esses trechos me trouxeram gargalhadas de identificação que nenhum livro nunca trouxe antes. Fora que Ifem é uma blogueira e os trechos do Blog dela que aparecem no livro são todos incrivelmente fantásticos.

Esse é um livro que eu recomendo por demais a todos lerem, fora que eu acho que é uma excelente porta de entrada para o mundo literário da Chimamanda Ngozi Adichie.

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Sobre O Que Realmente Significa Meu Corpo, Minhas Regras?

agosto 7, 2015 at 5:32 pm (aleatorias) (, , )

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Outro dia eu estava conversando com uma amiga minha, ela estava extremamente cautelosa pra falar um assunto comigo, ela queria minha opinião, mas tinha medo que eu desse alguma forma de represália.

Ela quer fazer algo que o namorado não concorda e sabendo quão angry feminist eu consigo ser acabou sendo aquela situação delicada. Eu peguei expliquei que entendia ela ter preocupação com a opinião do namorado. Eles são um casal e a opinião dele é importante, eu não vou sair por ai fazendo coisas que ignorar a forma como isso pode afetar a pessoa com quem eu me relaciono.

Graças a esse momento eu fiquei pensando sobre o que realmente significa “Meu Corpo, Minhas Regras”. O obvio é que sim, cada indivíduo é um único responsável pelo o que pode ou não ser feito em seu corpo, algo bem empoderador quando se trata de mulheres, já que é comum a sociedade machista do jeito que é ignorar isso. Mas essa visão simplista da frase pode abrir pra muitas interpretações dúbias.

Eu acho que a verdadeira mensagem  dessa frase não é eu faço o que eu quiser com meu corpo e foda-se a opinião alheia, mas sim, você precisa respeitar e entender o que eu faço ou deixo de fazer com meu corpo diz respeito a mim, ao meu conforto e as minhas vontades.

Tipo uma garota que namorada um cara que se diz ligado ao pensamento feminista. Ele diz que depilação é uma forma de opressão sistemática, que os pelos do corpo feminino não devem ser arrancados e todo um discurso liberal e enfim. Agora ele não parou pra pensar que ela não se sente confortável não se depilando, por mais que ela realmente esteja reproduzindo (ou não) um pensamento opressor, deixar de se depilar pode causar certa ansiedade nela, a fazer ficar self conscious. O que não é legal, é o corpo dela, as regras delas, é uma questão de entendê-la e de dialogar, mas a cima de tudo respeitar.

Um cara não se tatua por que a namorada não gosta. O corpo é dele, ele deveria ser capaz de fazer o que bem entender, mas está em uma relação com outra pessoa e muito mais do que vai me achar atraente ou não aqui é uma forma de ser compreendido. Se tatuar é uma forma de se expressar, pode ser através de significo ou de tatuagens estéticas, mas mesmo a pessoa que faz tatuagem por que acha que aquilo fica bonito na pele dela tá se expressão. E importante que a garota com quem esse cara namore entenda isso.

Eu tenho barriga, eu não sou extremamente feliz com ela, mas chegamos a um entendimento e a existência da mina barriga não faz com que eu deixe me de achar bonita, atraente e desejável. Eu tô bem, mas sim, eu tenho um corpo ideal que é o de uma personagem animada que é capaz de dobrar os elementos. Eu tenho preguiça de me exercitar, tenho. Mas se por um acaso eu um dia me propor a atingir esse corpo não quero que a pessoa com quem eu estou envolvida venha me dizer como eu estou sendo influenciada pela mídia e que essa cultura de corpo perfeita é opressora, que eu preciso aprender a me amar como eu sou. Eu tenho conhecimento disso e obvio que vou amar discutir essas implicações ao mesmo tempo quero que ela me apoie e incentive nessa minha decisão, tanto quanto ela faria se eu quisesse continuar vivendo com minha barriguinha fofa.

De ontem pra hoje vi uma conhecida de internet falando sobre o cabelo dela e como estava insatisfeita e queria mudar, não sabia o que. Ela é assustadoramente linda, sério, cada vez que ela publica uma foto dela eu penso “Se eu já não soubesse que sou atraída por mulheres era aqui que eu descobria”. Minha primeira ação foi elogia-la, eu acho que não devemos segurar elogios, se eu acho que alguém é talentoso, inteligente, bonito eu vou e digo, faz bem sabe. Depois sugeri que ela poderia cortar o cabelo, afina cortar o cabelo foi algo libertador pra mim e me fez muito bem, então ela me contou os planos dela de fazer isso e aquilo e eu apoiei. É o corpo dela, as regras delas. Acho eu que essa é a mensagem por traz do Meu Corpo, Minhas Regras de apoiar o que quer que deixe os outros confortáveis com sigo mesmos.

  • P.S.: Caso você seja a pessoa do ultimo paragrafo, realmente acho que você vai ficar ótima com o que fizer com seu cabelo. Você é linda e isso não vai ser algo que vá mudar.

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Sobre Insegurança

julho 22, 2015 at 5:02 pm (aleatorias)

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Acho que o tema de insegurança é bem debatido, todo mundo tem sua cota de insegurança aqui e ali e vem das diversas origens, não quero abordar isso. Também acho que é bem dito como ofensas, apelidos e piadas mal colocada [que nunca são só piadas] também nos atingem despertando essas inseguranças.

Eu queria falar daquilo que a gente quase nunca percebe ou se permite assumir que nos atinge. Aquilo que está nas entrelinhas, que é o nosso cérebro que juntas os pontos e faz com que duvidemos de nos mesmos e nossa capacidade.

Há muito tempo atrás eu gostava desse garoto, tudo caminhava de forma okay até que não caminhou mais, ele se envolveu com outra e um dia eu perguntei o por quê e recebi como resposta um “ela me dá status entre meus amigos”. Isso me atingiu, não no sentido catfight de colocar mulheres contra mulheres. Era o teor implícito no discurso dele, eu não dava status, eu representava menos. Eu ficava tentando achar a razão por traz disso e minha mente sempre ia para fato de que ela era magra e eu não, ela era branca e eu não. E bem, hello darkness, my oldest friend.

O tempo passou, eu superei essa rejeição e no geral entrei em uma boa relação comigo mesma e todas as minhas características, incluindo minha negritude e o fato de não ser magra. E ainda assim, cada vez que eu encontro com ele aquela insegurança de “eu não sou capaz de dar status a ele” volta, entendam que eu sei que minha função como mulher e ser humano não é dar status a ninguém, objetivamente eu sou orgulhosa das penas que tenho e estou bem com o volume que minha barriga apresenta, nem mesmo gosto dele, eu encontrei uma garota incrível de quem gosto bastante e que acredito também gostar de mim. E mesmo assim é só olhar pra ele e toda aquela insegurança de anos atrás me atinge quase tão intensamente quanto antes.

Eu constantemente duvido da minha capacidade como profissional. Acho meus textos absurdamente mal escritos tanto em técnica quanto ortografia e acredito que minha dislexia não passa de uma desculpa que uso para minha incompetência. Não importa se eu tenho problemas com escrita e troca de letras e engolir palavras desde os 6 anos quando aprendi a escrever. Acho que minha visão fotográfica é rasa e amadora, que tenho muito mais sorte do que real talento. Esses são pequenos problemas que estou trabalhando na terapia, mas até lá eu sou carente de elogios, de reconhecimento.

Se já é difícil lidar com a falta disso, de ver meu nome ao lado de uma imagem que eu realizei, ver outra pessoa assumindo a minha função é devastador. Minha mente automaticamente interpreta que eu sou tão incompetente aos olhos dos outros que nem mesmo vale a pena tentar explicar o que querem de mim, pois eu não serei capaz de fazer.

Eu queria muito não ser atingida assim pelas ações dos outros, especialmente em um mundo onde a assustadora maioria acha que tá tudo bem fazer algo se a pessoa não teve a intenção deliberada de magoar o outro, independente se o outro acabou ou não magoado. Eu racionalmente sei que as pessoas não tem a intenção de me fazer sentir insegurança como eu me sinto, eu apenas não tenho controle. Acaba que eu fico engolindo essas micro agressões que me soam macro e gerando mais tema para sessões de terapia futuras.

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Livros 2015: Hibisco Roxo

julho 20, 2015 at 5:10 pm (livros) (, , )

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Eu queria ler alguma obra da Chimamanda já fazia algum tempo, já havia visto o discurso dela antes mesmo da Beyonce ter utilizado em Flawless. Acontece que como tudo na vida, fiquei protelando ir atrás de algum livro dela, até que motivada por um projeto de alguém especial fui atrás de Hibisco Roxo para ler.

Hibisco era meu livro de rua, normalmente eu escolho livros leves, quase casuais ou curtos que eu posso ler poucas páginas aqui e ali enquanto espero um ônibus ou o médico me chamar para consulta. No entanto, Hibisco não é esse tipo de livro, ele é bem intenso e carregado, foi bom eu lê-lo aos poucos assim por que durante quase metade do livro ele me causava um desconforto enorme.

A história é narrada por Kambili, uma garota adolescente nigeriana, ela possui um pai exageradamente católico e que é extremamente abusivo. É preciso entender que a Nigéria passava por um período político muito dramático na época que o livro se passa e que antes disso houve uma invasão de missionários católicos que fizeram uma imposição extremamente racista da religião no país. Essa invasão e imposição reflete muito no comportamento de Eugene, o pai de Kambili.

O que aconteceu na Nigéria é muito similar com o que aconteceu no Brasil com a vinda dos jesuítas. De apagamento das religiões indígenas ou de tronco africano e o catecismo forçado em índios e negros. Essa mesma realidade também ocorreu em diversos países africanos e é carregada de racismo.

Todo comportamento de Eugene é voltado para agradar o homem branco, pra se tornar o mais similar possível aos brancos. Ele tem um repudio de tudo que lembre as tradições e natureza negra do povo nigeriano. Isso se torna algo quase obsessivo e associado com diversos outros fatores os quais não quero me alongar aqui analisando agora geram esse comportamento abusivo dele para com a família.

Como Kambili é uma pessoa muito nova e que nasceu e cresceu nesse ambiente carregado de abuso ela não tem a capacidade de perceber o quão errado era tudo aquilo, pois para ela desde sempre aquilo era a normalidade, como tudo era desde sempre.

O ponto de virada é quando ela vai para a cidade da tia Efeoma com o irmão. A tia é uma professora universitária, com uma visão mais feminista do mundo, que cria os três filhos de uma forma completamente diferente do irmão, que tem uma vivencia bem diferente do catolicismo e de religiões. Tudo isso começa a modificar Kambili e se intensifica mais ainda quando ela conhece Padre Amadi.

O livro é extremamente rico, intenso e até mesmo doloroso, mas simultaneamente prazeroso. Para mim foi algo muito importante de se ler, pois eu vi muito da negritude sendo representada, muitos pontos bom e ruins que reconheci a mim, a minha família não apenas na concepção de pai, mãe e irmão, mas de avós, primos, tios, de historias que eu ouvia e de comportamentos. Como mulher negra é muito difícil eu me encontrar dentro de uma obra literária, obvio que mesmo nesse caso eu não tenho a mesma realidade que Kambili ou Amaka, eu sou uma mulher negra de classe media no Brasil. Porém eu consigo ver muito mais de mim e da minha realidade nelas do que eu via na maioria das protagonistas brancas de algum livro YA, especialmente pra mim como autora, afinal quero ser também uma negra que escreve sobre negros e perceber que eu não preciso adequar a minha escrita, vivência ou meus personagens para a compreensão branca. Eu queria se capaz de entregar uma copia de Hibisco Roxo para todos, especialmente os radicais religiosos, pois acredito que esse seja um livro que o mundo precisa ler.

Agora preciso falar sobre um ponto que me incomodou no livro. Esse ponto só foi percebido por mim por que sou uma mulher negra e por que venho lendo muito sobre o tema, a chamada solidão da mulher negra. Por muito tempo isso não foi debatido ou trazido à tona e só agora tem surgido pra mim, como é visto como natural a mulher negra ser solteira ou sozinha. Repense todas as vezes que você viu mulheres negras serem retratadas na mídia, é comum elas serem mães solteiras, em produções tens serem as amigas que não tem relacionamento fixo, isso vem de diversos fatores que talvez seja melhor enumera-los em uma postagem só pra isso. Pense nas amigas negras que você conhecem e quantas delas tem bons históricos de relacionamento.

No livro essa solidão está presente também, não por outro motivo, mas por que essa é a realidade que Chimamanda conhece e vive. Não estou dizendo que foi errado ela retratar isso, mas acho que devemos começar a pensar no que causa isso. Sinto que é um debate que precisamos trazer .

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Filmes 2015 nº 11/12/13/14/15

julho 14, 2015 at 8:05 pm (filmes)

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Eu preciso parar de acumular as coisas que eu assisto/leio pra comentar aqui, mas não vi ser agora que vou começar a fazer isso. Parte desses filmes eu realmente vi quando eu tirei um dia inteiro pra ver filme. Vi uns quatro de uma vez.

E ainda tem outros que eu vi e não vou falar aqui e por outros quero que vocês saibam que foi Avengers – Era de Ultron, eu realmente estou protelando escrever sobre esse filme por que quero rever de forma mais sóbria, sem aquela empolgação de fã da Marvel que sai do cinema achando que tudo foi incrível e depois começa a ver um mundo de defeitos. Mas isso não vem ao caso agora, vamos aos filmes que eu vi e vou falar.

 

Teen Beach Movie

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Sim, é um filme do Disney Channel, melhor é um filme musical do Disney Channel. Eles tentaram fazer o new High School Musical e como uma pessoa que viu todos os 3 filmes incansavelmente, incluindo o terceiro duas vezes no cinema, esse filme é incrível.

A protagonista é a Maia Mitchell de The Fosters e eu toparia vê-la andando numa praia por 3 horas e ainda acharia tudo sensacional. O filme brinca com os musicais antigos, mais especificamente com West Side Story apontando como muito do que era feito nesse filme não fazia o menor sentido. E existe um pequeno texto feminista ali no roteiro de mostrar que meninas não estão reduzidas a esperar que os outros decidam tudo por elas, se você gosta do boy vai lá e toma iniciativa, quer aprender a surfar? Vai lá surfa gata. Você pode, você passa, não pera… Isso é o slogan de outra coisa da minha adolescência. O importante é que vocês pegaram a ideia e eu achei um filme divertidinho e bom pro público alvo do Disney Channel.

 

Jovem Aloucada

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Esse é um filme Chileno que é baseado n vida real de Daniela, vai mostrar um período da adolescência dessa menina que é sexualmente liberta apesar da família extremamente conservadora. O filme tem uma linguagem jovem e rápida com direito a referencia a Sailor Moon, mas como o roteiro foi escrito através do blog que é uma narrativa pessoal da autora ele acaba tendo alguns pontos que podem gerar interpretações problemáticas.

A protagonista é bi e durante boa parte do filme namora um cara e uma guria escondido, já existe tanto o mito de que bissexuais não são confiáveis e que vão trair que eu consigo ouvir muita gente falando “Viu esse filme, eu disse que não dá pra confiar em mina bi”. Além disso, a autora hoje em dia diz que sua fase bi da adolescência foi isso uma fase ela é uma full lesbica o que gera outro mundo de bifobia.

Tomboy

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Filme suíço, extremamente adorável que trabalha bem essa questão de gênero. Protagonizando o filme temos uma criança de 10 anos que é afab, ou seja, foi designada menina ao nascimento, no entanto é mostrado que a criança se identifica como menino. Tanto que ao se mudar para essa nova vizinhança acaba usando a oportunidade pra se apresentar como Mikael e não como Laure. É uma historia muito tocante, que tem momentos tensos como a não aceitação dos amigos que são outras crianças de 10 anos e já reproduzem uma transfobia escrota, tem a não aceitação da mãe que obriga a criança a se vestir com vestidos e ir pedir desculpa, se apresentando como Laure numa forma de punição extremamente dolorosa, mas o final mesmo, o ultimo minuto do filme dá uma esperança de que as coisas podem acabar bem pra Mikael eventualmente.

 

Anatomy of a Love Seen

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Isso é uma fanfic que foi filmada. Simples assim, alguém do tumblr escreveu esse roteiro e foi filmado. E como tal traz algumas clássicas falhas de fanfic de como essa historia começou? Por que eu deveria me importa com isso? Sério metade da historia foi perdida.

Little Birds

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Um desses filmes indie, alternativos que começam do nada e meio que terminando do nada indo para lugar nenhum. Eu adoro filme assim, que pega um retalho, um momento da vida dos personagens e depois acaba deixando claro que a vida dessas pessoas ainda vai seguir do seu jeito e é isso.

Em muitos momentos esse é um filme bem cru e doloroso como na cena final onde uma das protagonistas é quase estuprada e a outra chega e mata o estuprador, aqui vale a nota que foi posto subentendido que a outra menina é apaixonada pela primeira só não faz nada sobre isso. Mas tirando esse e outros momentos bem espinhosos, o filme é gostoso de se ver, o filme aborda temas bem pesados, mas de forma tão indireta o tempo inteiro que você precisa interpretar tudo nele pra não ficar parecendo que é um grande filme sobre nada. Eu gostei, tava no clima pra ver um filme assim, mas talvez num outro dia e num outro humor eu teria odiado profundamente.

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Sobre Marchar com Orgulho.

junho 15, 2015 at 3:16 am (aleatorias) (, , , , , )

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“I was afraid of this parade because I wanted so badly to be party of it. So Today, I’m marching for that part of me that was once too afraid to march. And for all the people who can’t march, the people living lives like I did.  Today, I march to remember that I’m not just a me. I’m also a we. And we march with pride.”

Eu passei o fim de semana vendo Orange Is The New Black e Sense8 por que eu sou bem esse tipo de pessoa. E como sou uma pessoa bem ego maníaca que é capaz de transformar quase tudo sobre si mesma eu fiquei pensando sobre mim e o longo caminho que eu tive até minha descoberta e auto aceitação.

Logo quando eu me assumi repetia que não tinha vivido no armário, bem isso é uma mentira deslavada que eu tentava me convencer, eu até acreditei nela na época. Talvez eu tenha amadurecido de lá pra cá, talvez seja o efeito da terapia ou um combinado da terapia me fazendo amadurecer, who knows.

Eu sempre gostei de meninas, sempre. Eu fico revisitando minhas memórias de infância e notando quão queer eu era. Acontece que infelizmente não é comum alguém virar pra uma garotinha e falar é normal gostar de meninas tá. E a zuera começa quando você se vê gostando de meninos, eu devia ter uns 10 anos quando me interessei por um garoto conscientemente, acho que por garota foi aos 12 anos. E se já é confuso entender sentimentos por um dos gêneros, imagina entender quando você sente por dois?

Por garotas eu passei muito tempo dizendo a mim mesma que eu só queria ser amiga delas, mas a verdade é que eu estava completamente encantada, da mesma forma que ficava com garotos.

Eu ia crescendo e esses sentimentos cresciam comigo e honestamente, chegou um ponto que aquilo me assustou. Eu sempre carreguei essa ideia de que deveria ser a filha perfeita, que minha mãe merecia mais de mim. Gostar de garotas não estava nessa cartilha, então eu suprimi o máximo, eu deixei de viver um amor que dez anos depois eu ainda não consegui esquecer por que eu não queria viver assim. Eu tinha medo, da rejeição social, medo de não corresponder às expectativas que os outros tinham de mim, às expectativas que eu criava para mim mesma.

Eu coloquei essa cena de Sense8 por que ela representa muito que eu senti quando me assumi. Se você não sabe o que é Sense8 aqui vai uma explicação básica. É uma série do Netflix onde 8 pessoas de diferentes lugares e com diferentes historias se encontram mentalmente conectadas, Nomi é uma mulher lésbica trans que como você pode ver passou por muitos momentos complicados e ela conseguiu encontrar nesses momentos a força para ter orgulho de ser quem ela é. Lito é um ator mexicano que é gay e está no armário. Por serem mentalmente conectados, é como se eles fossem uma pessoa só, então isso é como se fosse alguém conversando consigo mesma.

Eu vi muito essa cena sendo meu eu atual conversando com meu eu de 19 ou 20 anos. Isso foi o que fez a série tocante, são esses momentos que acontecem constantemente que tornaram a série poderosa.

O titulo dessa postagem é referencia a outra cena poderosíssima da Nomi, eu meio que cai de amores e admiração pela personagem. Algumas pessoas talvez não compreendam toda a militância que existe em mim, muitas pensam que eu brigo demais, que eu me incomodo demais com tudo. Ironicamente muitas pessoas me encaram como intolerante.

Sim, eu brigo. Sim, eu reclamo. Sim, eu tenho pouca paciência pra sua piadinha racista/homofobica/misógina/bifobica/transfobica/qualquer outra forma de preconceito e opressão. Esse tipo de piada, de comentário e de comportamento é que reforça e válida o pensamento social que fizeram eu e outros milhares terem medo de ser quem são. Foram os “Não sou suas negas”, as “Mulher tem que se dar o respeito”, ‘Ser gay tudo bem, mas precisa se expor assim?’ que sustentam esses milhares de preconceitos.

Eu brigo tanto, eu me exponho tanto por que eu sei que existem pessoas que não podem ou não conseguem fazer o mesmo. Talvez eu tivesse me aceito mais fácil se quando criança existisse um desenho como Lenda de Korra onde a protagonista termina com uma garota. Ou talvez se eu visse pessoas falando abertamente de bissexualidade nas séries como aconteceu em Chasing Life. Se houvesse casais como Lena e Stef, Jude e Connor, Nomi e Amanita.

Quem sabe eu teria tido um caminho mais fácil de auto aceitação se a minha versão mais nova tivesse convivido com a minha versão atual. Eu sou assim militante pela Camila mais nova que eu fui, pelas Camilas mais novas que ainda existem e sou assim pra evitar que existam mais Camilas mais novas no futuro.

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